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Depois de ter construído um monumento no local onde, nos anos 60 e 70, havia o maior bairro de lata português em França, Valdemar Francisco escreveu um livro e fez uma edição especial para ajudar as vítimas dos incêndios de Portugal.

O livro “O Monumento, O Dever de Memória” aborda os tempos em que o português viveu no “bidonville” e da aventura da construção do monumento, em Champigny-sur-Marne, no qual foi homenageado o antigo autarca Louis Talamoni pela ajuda prestada aos emigrantes lusos.

A publicação teve uma tiragem de 5.000 exemplares e contou com uma edição especial de mais 300 exemplares, com a menção “edição solidariedade”, cujas vendas vão reverter para as vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, que matou 64 pessoas e feriu mais de 200.

O livro esteve à venda na sexta-feira da semana passada no concerto de fado ao violino no Santuário Nossa Senhora de Fátima, em Paris, organizado pela Academia do Bacalhau de Paris, e no sábado na Festa portuguesa de Champigny-sur-Marne.

A obra, que conta com prefácio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tem 224 páginas e está repleta de fotografias, desde as que foram tiradas nos anos 60 no “bidonville” pelos fotógrafos Jean-Claude Broustail e Gérald Bloncourt, às que foram tiradas, com telemóvel, durante a construção do monumento e venda de tijolos para o financiar parcialmente.

O livro tem, ainda, um DVD com fotografias, vídeos dos discursos das personalidades que falaram na inauguração do monumento e atuações dos artistas que lá subiram ao palco, assim como canções dedicadas àquele espaço.

Foram 2.176 as pessoas que assinaram os tijolos que revestiram oito colunas em torno da escultura central do monumento, entre anónimos portugueses que vivem em França, ao Presidente da República, ao Primeiro Ministro, a Pedro Abrunhosa e até ao Presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa, entre muitas outras personalidades.

“O livro fala sobre Champigny, quando havia o bairro de lata onde vivi muitos anos e fala de Louis Talamoni que eu conheci e que era um homem de garra e com um grande coração. Depois, fala das peripécias da assinatura dos tijolos que serviram para construir o monumento em sua homenagem, havendo também imagens da inauguração com o Presidente e o Primeiro Ministro”, contou o empresário à Lusa.

O monumento foi palco, a 11 de junho de 2016, das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, na presença do Presidente da República e do Primeiro Ministro, tendo Valdemar Francisco recebido o grau de Comendador da Ordem de Mérito, ao lado de outras personalidades.

Valdemar Francisco chegou a França a 14 de maio de 1960, com seis anos, e viveu nove anos no “bidonville” de Champigny, tendo começado a trabalhar com 12 anos após a morte do pai. Aos 28 estabeleceu-se por conta própria e hoje está à frente de um grupo de empresas de construção civil que emprega diretamente 123 pessoas e que contrata cerca de 200, na maioria portugueses ou lusodescendentes.

O português nunca esqueceu a ajuda dada aos compatriotas por Louis Talamoni, o autarca de Champigny que, entre 1956 e 1972, data da extinção do “bidonville”, providenciou o fornecimento de água e eletricidade, a escolarização das crianças, o acesso aos cuidados de saúde, a recolha do lixo e a instalação de esgotos.

Presidente de “Les Amis du Plateau”, a associação que construiu o monumento, Valdemar Francisco considera que falar do passado dos Portugueses nos “bidonvilles” é “um dever de memória” e foi isso que o motivou a avançar com a ideia de um livro e monumento na cidade que até já tinha um memorial aos emigrantes portugueses da autoria do escultor Rui Chafes.

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