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No quadro da segunda edição do Seminário “Labirintos da Memória”, foi projetado no centro cultural “A Moagem”, no Fundão, o filme “Portugais de France – Le choix impossible” de Patrick Séraudie sobre a imigração portuguesa em França.

O filme foi apresentado por Manuel Dias, do Coletivo francês de homenagem a Aristides de Sousa Mendes, na presença de Fátima Jacinto, uma das figuras principais do filme.

Antes da projeção, Fátima Jacinto, que é Conselheira delegada com o pelouro das Pessoas Idosas na Mairie de Brive explicou que veio para França com apenas 11 anos de idade. “Não escolhi, os meus pais levaram-me”.

O filme integra um DVD editado recentemente pela “Les Films du Paradoxe”, intitulado “Portugais de France” com dois filmes de Patrick Séraudie.

“Lissac” data de 1998 e tem 57 minutos, foi coproduzido com a TV10 Angers e com a France 3 Limousin-Poitou-Charentes. “Le choix impossible” é bem mais recente, data de 2016 e tem 52 minutos. Foi coproduzido com a France Télévisions e Red Desert, desta feita com a participação também da RTP2.

Foi este segundo filme que foi projetado no Fundão.

Os dois filmes documentários foram realizados em francês, legendados em português. Durante cerca de 20 anos, Patrick Séraudie filmou a Comunidade portuguesa da região de Brive. Falou com os primeiros Portugueses que chegaram à região, falou da sua integração e das condições de vida naquela altura. “Estes trabalhadores voluntaristas deram uma imagem de uma Comunidade sem problemas, perfeitamente integrada na nossa sociedade” diz o realizador. “No entanto, se olharmos de perto os percursos individuais, as histórias no singular, percebe-se que o forte desenraizamento deixa marcas, por vezes feridas profundas, mas também nota-se que desta dupla cultura resulta uma riqueza infinita”.

Manuel Dias também lembrou no Fundão que “as pessoas pensam que já passou, já é do passado, mas não passou, são coisas que não passam” disse na sua intervenção no Fundão.

Patrick Séraudie seguiu algumas destas famílias. Daquelas que chegaram a Lissac nos anos 60. Mostraram-lhe onde viviam, como viviam e como se relacionavam entre elas e com a sociedade francesa. Aliás, no documentário que não foi projetado, há dois testemunhos de duas mulheres francesas nos anos 60 transpõem-nos para a atualidade. Elas consideram que os Portugueses “são porcos, que não têm educação e que devem regressar a Portugal”. Mas todos os entrevistados consideram que foram discursos raros. Ou então preferiram não os ouvir!

O realizador encontrou as mesmas famílias alguns anos mais tarde, acompanhou-os a Portugal (no segundo filme) quando um grupo coral iniciado precisamente por Fátima Jacinto, foi cantar a Guimarães.

Na altura, Fátima Jacinto formulou o seu pedido de nacionalidade francesa. “De uma certa forma, sinto que ao pedir a nacionalidade francesa, estou a perder um pouco da minha nacionalidade portuguesa” confessa no filme.

Em “Le choix impossible”, Patrick Séraudie descodifica a complexidade do ato de emigrar e do estatuto de emigrante. Falou com uma família que chegou a França há pouco tempo e com outra que decidiu partir definitivamente para Portugal. Um casal de jovens da segunda geração, que nasceram e viveram em França e que depois, foram para os arredores de Lisboa, deixando os pais em França.

“Nunca hei de perdoar a Portugal por me ter obrigado a emigrar para França” disse no fim da projeção Abílio Laceiras. “Este filme tem de ser mais conhecido, tanto em Portugal, como em França” completou por sua vez o Conselheiro de Paris Hermano Sanches Ruivo. Na foto estão Fátima Jacinto e Manuel Dias, num debate organizado depois da projeção.

No DVD “Portugais de France”, que está à venda, há também um bónus de 10 minutos intitulado “Musée de l’Emigration de Fafe”. Trata-se da visita de uma das personagens do filme ao Museu da emigração, em Fafe. Uma visita guiada pela ex-Diretora daquela instituição.

Um DVD para ver várias vezes, ora emotivo, ora engraçado, mas sobretudo profundo.

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