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Emigrantes lesados do BES manifestaram em Lisboa e houve tensões com a Polícia

Lusa / Tiago Petinga Lusa / Tiago Petinga Lusa / Tiago Petinga Lusa / Tiago Petinga Lusa / Tiago Petinga Lusa / Tiago Petinga Lusa / Tiago Petinga

Mais de 300 emigrantes, que se queixam de ser lesados pela gestão do resolvido BES, protestaram esta sexta-feira na sede do Novo Banco, em Lisboa, e seguiram depois para a sede do Banco de Portugal.

Houve momentos de tensão com a polícia e os dirigentes da associação dos emigrantes lesados acabaram mesmo por ser insultados por um corpúsculo de manifestantes.

“Estamos aqui para mostrar às pessoas que há boa vontade e um compromisso com a Administração para – queremos acreditar – encontrar uma solução para todos. Creio que vai chegar a bom porto muito em breve, com estes problemas resolvidos”, disse à Lusa a Vice-Presidente da Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP), Helena Batista, residente em Paris.

Uma delegação foi recebida pela Administração do Novo Banco. Helena Batista estimou em 250 o número de pessoas organizadas que viajaram de vários pontos do país.

Os emigrantes e clientes do ex-BES queixam-se de dois produtos financeiros em que investiram e que ainda não têm solução, tendo investido mais de 140 milhões de euros em “EG Premium” e “Euro Aforro 10”.

 

Solução à vista

A associação que representa os emigrantes lesados do BES revelou terça-feira um entendimento com o Novo Banco e o Governo do PS, que passa pela recuperação de 75% do dinheiro que investiram em produtos Euro Aforro 8, Poupança Plus 1, Poupança Plus 5, Poupança Plus 6, Top Renda 4, Top Renda 5, Top Renda 6 e Top Renda 7.

Contudo, os clientes dos produtos Euro Aforro 10 e EG Premium ainda esperam uma solução que estará ainda a ser trabalhada. As pessoas que aceitarem estas propostas terão de desistir das ações judiciais contra o Novo Banco e seus trabalhadores.

 

Tensões com a polícia

À sede do Novo Banco (ex-BES) chegaram cinco autocarros, com manifestantes, que se juntaram à cerca de uma centena de pessoas que já se encontrava no local, munidos de bandeiras de França e da Suíça, muitos cartazes, apitos, chocalhos e buzinas.

A PSP organizou um grande cordão de segurança em volta do edifício da instituição bancária, com grades reforçadas para prevenir eventual invasão e o trânsito está cortado no troço em que a rua Barata Salgueiro se cruza com a avenida da Liberdade.

Cerca de duas dezenas dos emigrantes lesados pelo ex-BES que estavam a manifestar-se à porta do Novo Banco, levantaram e empurraram contra a polícia as grades que protegem o edifício.

Após alguns minutos de tensão, o reforço do corpo de intervenção da PSP contrariou a investida e o protesto seguiu barulhento, mas pacífico.

 

Dirigentes da AMELP foram insultados

As três centenas de lesados pelo ex-BES, continuaram o protesto para serem ressarcidos no Banco de Portugal (BdP), Baixa de Lisboa, após marcha desde a sede do Novo Banco.

Após vários momentos de tensão com a polícia, forçando as grades do perímetro de segurança, junto ao edifício do banco que resultou da resolução do BES, na avenida da Liberdade, vários manifestantes confrontaram e insultaram dirigentes da Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP), que fora recebida pela Administração presidida por António Ramalho, colocando em causa a bondade das suas intenções.

Segundo dirigentes da associação que representa os emigrantes lesados do BES, os “elementos agitadores” serão clientes lesados do papel comercial que não aceitaram o acordo já firmado entre outra associação, o Novo Banco e o Governo, os quais terão conseguido “infiltrar-se” nos autocarros que se dirigiram a Lisboa e se concentraram a partir das 11h30.

“Houve garantia da administração e do Governo de que até outubro serão depositados 15% das poupanças de quem tinha o produto Aforro 10. Estão a trabalhar para resolver as situações ainda pendentes, que precisam de ser negociadas. A Administração do Novo Banco compreendeu o descontentamento das pessoas. Ainda não têm uma solução, mas vão tentar encontrá-la o mais rápido possível”, disse à Lusa o Presidente da AMELP, Luís Marques.

Cerca de uma hora, entre as 14h00 e as 15h00, demorou o percurso entre a rua Barata Salgueiro e a rua do Ouro, ao som de apitos, chocalhos, buzinas e colorido por bandeiras, cartazes e tarjas com queixas contra governantes e banqueiros para espanto e admiração dos muitos turistas que se cruzaram com o cortejo até pelas bandeiras de França e da Suíça empunhadas pelos emigrantes lesados pelo BES.

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