Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.

«Vós, quem dizeis que Eu sou?» Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».

Não seria nada estranho se, após a proclamação do Evangelho deste domingo, a homilia começasse com esta pergunta: «Quem é Cristo para ti?» De facto, a primeira parte do texto, de caráter mais cristológico, centra-se precisamente em Jesus e na definição da sua identidade. No entanto, prefiro abordar a segunda metade do Evangelho, de caráter mais eclesiológico, e lançar uma outra questão, também ela difícil de responder: «O que é a Igreja para ti?»

«Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

O que vos digo agora não se aplica obviamente a todos os jovens, mas acreditem que tenho encontrado muitos que, basicamente, vivem a própria fé segundo este “credo”: Deus sim. Igreja não. No entanto, ninguém pode ignorar este Evangelho, que nos diz claramente que é Jesus quem convoca a Igreja à volta de Pedro.

Aliás, o uso de sinais eclesiais tão eloquentes (a pedra, as chaves, os verbos “ligar” e “desligar”) recorda uma verdade reafirmada pelo Concílio Vaticano II no documento Lumen Gentium: «aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente» (n.9).

Não se exclui que Deus possa salvar sem a Igreja, porém, “aprouve”, agradou, conveio ao Senhor privilegiar esta estrada acima de qualquer outra. Ainda assim, permanece a dificuldade de tantos em aceitar a Igreja.

Mas porquê?

Antes de resolvermos esta questão, procuremos a resposta a uma outra pergunta: porque foi que os judeus decidiram matar Jesus? Qual a razão que os impedia de O aceitar como Messias, como Filho de Deus?

A resposta obviamente é muito complexa, mas podemos responder brevemente dizendo o seguinte: os fariseus, sacerdotes e escribas não podiam aceitar o rosto (demasiado) humano de Jesus. Não podiam aceitar que Deus se tivesse incarnado num pobre galileu. Ainda se fosse um príncipe! Ou um grande general! Mas um carpinteiro de uma pequena aldeia, que ninguém conhecia, chamada Nazaré…?

Não! É demasiado humano este suposto messias! Demasiado banal!

A razão que, hoje em dia, leva muitos a rejeitar a Igreja não está longe dos sentimentos que animaram a condenação de Jesus.

A Igreja tem um rosto demasiado humano! É frágil, imperfeita e pecadora.

E todos queriam que fosse irrepreensível, pura e sem mácula!

Ainda assim, esta é a Igreja escolhida por Jesus. Pedro não era o mais corajoso, o mais coerente ou o mais erudito dos Doze apóstolos. Mas Jesus ama a humanidade (a de Pedro e a nossa também) e confia que a Igreja, apesar dos limites, possa anunciar o Evangelho e testemunhar o Amor.

E nós devemos confiar também.

É por isso que te digo: não abandones a vinha, não rejeites a Igreja, não repudies a comunidade. Pois sem ti ela fica mais pobre e o caminho de conversão (o teu e o dela) torna-se bem mais difícil.

 

Gostou deste artigo? Vote, participe!
Votação do Leitor 4 Votos
7.5