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Adelino Torres nasceu em 1939 e tem a dupla nacionalidade luso-francesa. Foi professor na Universidade de Lisboa, e em várias outras universidades (França, Bélgica, Brasil, Cabo Verde, Estados Unidos), e Diretor de Episteme – Revista Multidisciplinar da Universidade Técnica de Lisboa.

De 1969 a 1976 foi professor de ciências económicas e sociais em dois liceus de Fontainebleau e colaborador permanente da revista Esprit. É autor de 15 livros, principalmente poesia, e de dezenas de artigos em revistas científicas importantes nos domínios da economia, sociologia e metodologia. Muitos dos seus estudos são dedicados a Angola.

No último poema de “Vida Breve” (Edições Colibri, 2016), intitulado “Sertão”, além de prestar homenagem ao “mestre Guimarães Rosa”, Adelino Torres revela alguns elementos importantes do seu movimentado itinerário, permitindo-nos entender melhor a sua visão do mundo: “Por ter a alma cangaceira / revoltada, insubmissa e sobranceira / de eras que vivi em fantasia”.

Atrás do economista está um poeta cujas características principais são o uso de elementos de valor simbólico e de metáforas que requerem uma atitude ativa por parte do leitor, como nestes versos tirados do poema “Transição”, sobre a morte: “Chegamos e partimos simplesmente / como numa estação de comboios / sempre em movimento, / com a brevidade do instante / sem metafísica nem mistério”.

Ou neste outro, composto por apenas três versos, intitulado “A fera” (com a epígrafe “Relembrando Nietzsche”): “A fera que há em nós / precisa que se lhe minta / para não enlouquecer”.

Mas o destino coletivo do homem também inquieta o poeta, como nestes versos do poema “Tecnicismo”, sobre a cidade moderna: “Enquanto as horas espreitam à janela / noite alta feita de / silêncios murmurantes / suspensos no vazio // onde os pensamentos estiolam / e os ideais se suicidam / nos braços férreos e implacáveis / das máquinas sem memória”. Podemos concluir afirmando que para Adelino Torres, a poesia é com certeza uma maneira lúcida de estar na vida.

 

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