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A passagem do furacão Irma pelas Caraíbas deixou para trás um cenário de destruição, sobretudo na ilha francesa de Saint Barthélémy onde quase metade da população é portuguesa ou de origem portuguesa.

O furacão registou ventos de cerca de 300 quilómetros por hora e é considerado de categoria 5 na escala de Saffir-Simpson, o nível máximo.

Todas as tesmemunhas de Saint Barth’ falam de «cenas de horror». Os tetos foram pelos ares, as árvores cairam, as janelas cederam, as ruas foram imundadas, e as populações ficaram sem eletricidade, sem água potável e sem telefone.

Saint Barthélemy tem cerca de 21 quilómetros quadrados. Foi cedida pela França à Suécia em 1785, e, em 1878, foi concedida à França novamente.

Na ilha vivem cerca de oito mil pessoas, três mil das quais são Portuguesas, oriundas do Norte de Portugal, sobretudo de Braga, Guimarães, Barcelos e Monção.

Aliás, na ilha há uma associação portuguesa, a Associação Desportiva e Cultural Portuguesa de S. Bartolomeu, com equipas de futebol e onde são organizadas festas à volta do 25 de Abril, do S. João e do S. Martinho.

José Rodrigues, Delegado da associação Cívica na Guadeloupe confirma que «a situação é dramática» depois da passagem do Irma. «A vila de Marigot não é mais do que um campo de ruinas»

 

Consulado de Paris acompanha a situação

O Presidente da Cívica, Paulo Marques, veio esta manhã a terreiro para denunciar que «há muitos anos que tenho alertado as autoridades portuguesas para o vazio administrativo de apoio aos Portugueses das Caraibas».

Isto porque os Portugueses de Saint Barth dependem do Consulado Geral de Portugal em… Paris.

Contactado pelo LusoJornal, o Cônsul Geral em Paris, António de Albuquerque Moniz, garante que o Consulado está a acompanhar a situação junto do Quai d’Orsay. «Estamos em contacto permanente com o Ministério dos Negócios Estrangeiros franceses. Eles estão ao corrente que há muitos Portugueses na ilha e vão-nos mantendo informados do evoluir da situação».

Uma grande parte dos Portugueses de Saint Barth não estão inscritos no Consulado, mas aqueles que se inscreveram «sobretudo por questões relacionadas com as cartas de condução», estão a ser contactados pelo Consulado Geral em Paris, mesmo se esta quinta-feira os contactos com a ilha estavam a ser complicados.

Segundo informações apuradas pelo LusoJornal, há 165 Portugueses residentes em Saint Barthélémy registados no Consulado de Paris, 58 na Guadelupe, 19 em Saint Martin, fazendo um total de 242. «Estamos muito aquém dos números reais» confirma António Moniz.

 

Portugueses de Saint Barth’ dependem do Consulado de Paris
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