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O pintor José Marreiro vai expôr, a partir deste sábado e até 30 de setembro, na Mairie de Quartier de Lille-Centre, numa exposição a que chamou «Lille entre un Fa et un Do», organizada no quadro do Centenário da Batalha de La Lys, pela Mairie de Lille, pelo Cônsul Honorário de Portugal em Lille, Bruno Cavaco, e por António Marrucho, diretor da agência do Banque BCP em Lille.

José Manuel Fernandes Marreiro mora em Reims, mas nasceu em Portimão. Chegou a França com apenas 5 anos. Diz-se «tímido» e a melhor maneira de se exprimir é através da pintura.

O sonho de José Marreiro era ser desenhador publicitário, mas acabou por trabalhar para uma grande marca de automóveis.

Para além da pintura, José Marreiro escreve poesia. Apenas em língua portuguesa. «Aquilo que está a ouvir é o vocabulário que eu tinha aos 5 anos» explica na conversa com o LusoJornal. «Os meus pais foram para a reforma em 1985. A minha irmã fala bem português, aliás com sotaque lisboeta acentuado. Mas eu não tenho vocabulário suficiente em português para escrever poesia. Gosto muito das palavras, e quando não sei vou buscar. Ando sempre à procura de qualquer coisa, mas estou consciente que não posso fazer poesia em português».

Curiosamente, José Marreiro conta em português. «Sempre contei em português e não em francês, desde sempre, por isso sou bom em matemática» (risos). «Mas o meu português é simples. Falo em francês na minha cabeça e traduzo…».

José Marreiro utiliza várias técnicas de pintura, do pastel, à aguarela, passando pelo óleo. «Segundo os trabalhos que vou fazer, escolho a técnica» confirma.

Pinta essencialmente quadros realistas, com imagens que conhece bem, nomeadamente do seu Algarve natal, e por vezes com pessoas que conheceu na sua juventude. Como o quadro que ilustra o convite para a exposição de Lille e que representa a tia do artista, a lavar roupa. «Quando eu era pequenino, um ano tive más notas e fui para casa da minha tia, em Portugal. Todos os dias trabalhava um pouco os deveres e também desenhava. Um dia desenhei essa minha tia a lavar roupa e essa imagem ficou para sempre gravada na minha memória» explica ao LusoJornal. «Entretanto, acrescentei outras pessoas que conheço em Portugal e até uma amiga da minha mulher aqui em França. Gosto de fazer isso».

«Cada quadro tem a sua história» diz José Marreiro. E conta como surgiu o quadro da mulher que vende legumes no mercado. «É a minha madrinha» confessa.

Agora tem amigos de Aveiro que lhe mostraram fotografias. «Fiquei apaixonado com aquelas fotografias. Já comecei a pintar a região e fiquei com muita vontade de conhecer a ‘Veneza portuguesa’». Daqui por dois anos e meio vai aposentar-se e promete partir à descoberta do país, de norte a sul.

Portugal está bem presente na vida do artista. «Venho de uma família conhecida de Portimão. O meu avô era patrão de um barco, que eu também já pintei, o irmão dele jogou no Benfica, o meu pai só era conhecido pelo Marreiro das Camionetas. Toda a gente conhecia a minha família em Portimão».

Para Lille vai levar 25 quadros, misturando várias técnicas e também vários formatos. Também vai levar algumas poesias e espera que as pessoas lhe falem dos quadros. «É verdade que sou tímido, mas eu gosto muito quando as pessoas vêm falar comigo, colocar perguntas sobre os quadros, eu gosto de responder, de dizer o que está por detrás das pinturas. Há muita coisa escondida dentro de um quadro» diz ao LusoJornal.

A inauguração da exposição vai ter lugar este sábado, dia 9 de setembro, às 15h00, com a participação do grupo musical «Sol do Portugal».

 

De 11 a 30 de setembro

Mairie de Quartier de Lille-Centre

31 rue des Fossés

59000 Lille

 

Das 9h00 às 12h00 e das 13h30 às 16h30. Sábado das 9h00 às 12h00

Infos: 03.20.15.97.40

lillecentre@mairie-lille.fr

Metro: Linha 1 / Rihour

 

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