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Dos cerca de 2.000 voos suprimidos pela companhia aérea Ryanair, cerca de 400 tinham como destino o Porto e Tiago Martins, o Diretor comercial e de marketing da Aigle Azur vem a público denunciar as estratégias das instâncias que gerem o turismo em Portugal.

«Esta história dá me vontade de rir. Há quantos anos ando a prever esta situação? Há quantos anos digo que isto vai ser uma história temporária?» diz Tiago Martins ao LusoJornal.

Tiago Martins considera que o prejuizo da anulação dos voos da Ryanair para o Porto vão além daqueles que se podem estimar imediatamente. «Porque há pessoas que vão ficar apeadas no Porto, que vão pôr mensagens negativas nas redes sociais e que vão acabar por falar mal de Portugal, enquanto nós temos tudo para que se fale bem do país».

O Diretor comercial da Aigle Azur, a segunda maior companhia privada francesa, considera que esta mesma situação já aconteceu há alguns anos com a easyJet, quando a companhia low-cost anulou os voos para os Açores. «E vai continuar com muitas companhias que vieram estragar o emprego e a qualidade em Portugal».

«Eu, que diariamente sigo as contas de uma companhia, quando digo que perco dinheiro em Portugal, quantas grandes caras da Comunidade não acreditam? Quantas pessoas ficam indignadas?» diz Tiago Martins.

«A Aigle Azur foi a primeira companhia a abrir a linha de Paris para Faro. Abrimos com duas rotas, mas eram duas rotas no verão e duas rotas no inverno» diz Tiago Martins. «Essas companhias vêm com números, levam muitos passageiros durante o verão, quebram os preços, estragam o mercado dos outros, mas depois, durante o inverno não aparecem. O país está cheio no verão e no resto do ano, as taxas dos aeroportos são demasiado caras para nós. Há qualquer coisa que não bate certo».

«Temos sorte de ter um país de qualidade, de ter unidades de qualidade, então temos que trabalhar para a qualidade e não para atualidades dos números… Este verão, vi muitas pessoas a dormir no chão, nos aeroportos, e não gostei deste meu Portugal». Numa entrevista ao LusoJornal o Diretor da Aigle Azur acrescenta ainda que «nós não podemos abrir hotéis de 5 estrelas no Douro e apoiar este tipo de turistas que só vai a Portugal porque o preço é barato».

«Encher no verão não chega. Já lá vão mais de 10 anos que certas instituições dizem que trabalham para o inverno, mas não é verdade».

E Tiago Martins deduz que se a Ryanair encerra 400 voos para o Porto «é porque a linha não é rentável». «Eles dizem que não têm pilotos, mas se não têm pilotos é porque não têm dinheiro para lhes pagar. É tão simples como isso. E se encerram aquelas e não outras, é porque encerram as menos rentáveis. Está claro» e acrescenta mesmo que «esta é uma forma de fazer pressão para provavelmente virem a ter mais ajudas».

A Aigle Azur diz ter 50 colaboradores em Portugal «e vou ter que lhes pagar ordenado este mês. Querem fazer uma aposta? Quantos colaboradores estas companhias low-cost reunidas têm em Portugal? Podemos procurar, não vão encontrar, porque não têm».

Tiago Martins não considera defender apenas a Aigle Azur e pede também «mais proteção» para a TAP. «Nós temos de valorizar a TAP e é nestes momentos que damos mais valor à companhia de bandeira» e acrescenta que «a TAP teve de reduzir o número de voos para o Porto porque também não conseguia competir com estas companhias».

Tiago Martins quer que Portugal reconsidere a estratégia para o turismo e pede reflexão para o apoio às companhias low-cost. «Temos que saber que turismo queremos, e que companhias nos interessam, se queremos apostar em voos regulares ou em companhias como esta, que não têm nenhum problema em parar quando bem lhes apeteça, deixando pessoas em terra e sem qualquer preocupação para a imagem do país». Considera mesmo que o comportamento da Ryanair com Portugal é «vergonhoso».

E, para já, queria ver as instâncias do turismo português a denunciarem o comportamento da Ryanair. «Eles estiveram sentados lado a lado, nas mesmas campanhas, e agora ficam caladinhos?» pergunta Tiago Martins.

 

Fidelidade

 

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