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O grupo musical Lisbonne Café convidou Teófilo Chantre e vai subir esta noite, dia 7 de outubro, às 20h30, ao palco do Fórum Léo Ferré, em Ivry-sur-Seine.

Lisbonne Café não é um café, ao contrário do que muitos podem pensar! É um coletivo musical que nasceu em Paris, onde se dá o encontro entre uma Francesa apaixonada por Portugal, com músicos Portugueses, Caboverdianos, Brasileiros, Moçambicanos… «Estamos todos ligados à lusofonia» diz Sylvie Sélavy au LusoJornal.

Tudo começou no café cultural Lusofolie’s de João Heitor, em Paris, há mais de um ano. «É como um cabaret lusófono, porque passou pela sensibilidade francesa que é a minha, vivi alguns anos em Portugal e foi a minha marca musical, mas depois do encontro com o Nuno Estevens e com Filippe de Sousa do fado, e outros artistas de horizontes diversos, foi o nascimento de sonoridades e de poesias que arranjámos mais tarde» explica ao LusoJornal a fundadora do grupo.

Sylvie Sélavy viveu em Lisboa mais de 20 anos, para onde foi «à procura do príncipe encantado». É francesa «mas tenho uma filha portuguesa que nasceu em Portugal e isso tudo marcou-me para a vida. Há 3 anos, quando cheguei a Paris, e senti-me desraizada como se Portugal fosse a minha casa». E talvez também seja.

Define-se «francesa e não portuguesa» mas algo nela ficou em Portugal e é através da música que vive as emoções. E mata saudades.

O repertório é essencialmente cantado em português. «O primeiro tema que lançámos em numérico foi o Fado Paris Lisboa, escrito por um francês que mora em Portugal há muitos anos, o Michel de Roubaix, e é uma homenagem a Lisboa, uma referência à sua tranquilidade, à doçura e ao bem estar que se encontra naquela cidade». Mas a inspiração vem de Chico Buarque que julgou o encontro entre as línguas e as danças «e o próprio Teófilo Chantre que colaborou connosco neste álbum começou também a enveredar por este caminho brincando entre o crioulo de Cabo Verde e o francês».

A colaboração com vários músicos acrescentou uma componente rítmica muito forte. Também as imagens podem completar o conceito de Lisbonne Café. «Por vezes temos imagens de Lisboa no início do espetáculo».

Após dois temas digitais, um álbum está previsto para o final do ano. «Já percebemos que passa muito pelo palco porque há de facto uma força impressionante entre nós artistas, mas também com o público». Segundo Sylvie Sélavy trata-se de um momento de partilha, «esperemos que passará pelos palcos de Lisboa, do Brasil e de outros países».

Para já, passa pelo palco Fórum Léo Ferré, em Ivry-sur-Seine.

Teófilo Chantre «é o nosso convidado e também o nosso padrinho, mas esperemos que hajam mais convidados para partilhar outras emoções connosco». Regularmente surgem novos convidados, com novos instrumentos.

Quando conheceu o trabalho de Sylvie Sélavy, o músico brasileiro de jazz Juliano Beccari, ficou de imediato seduzido. «Associam muitas vezes o fado com a tristeza, faz-me lembrar o chorinho e o grupo começou de facto com uma formação mais fadista, com viola-fado, contrabaixo acústico, ainda não tínhamos guitarra portuguesa».

Mas o Lisbonne Café foi crescendo com novos instrumentos e novos ritmos lusófonos. «Uma mistura de sotaques nomeadamente com o brasileiro Tarcisio Pinto Gondim, o caboverdiano Valentim Ramos ou ainda o francês Philippe Leiba».

Fado ou jazz, o Lisbonne Café acaba por ser uma «reeleitura do encontro com a poesia, com a música, com as culturas». O grupo atrai um público diversificado que se vai renovando e crescendo.

Juliano Beccari espera levar este trabalho para o Brasil e partilhar com os seus compatriotas. «Mas em França o nosso conceito é original, mesmo não sendo música do mundo e acabamos por ter espaço em vários tipos de festivais, quer de fado, quer de jazz ou ainda música do mundo».

A generosidade, a alegria e o talento de Sylvie Sélavy alimenta o grupo e faz com que Lisbonne Café vá crescendo com novos músicos, novos convidados e novos temas.

 

7 de outubro, 20h30

Lisbonne Café + Teófilo Chantre

Fórum Léo Ferré

11 rue de Barbès

94200 Ivry-sur-Seine

 

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