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O livro «Le devoir de memoire / O dever de memória» do empresário português residente na região de Paris, Valdemar Francisco, foi apresentado ontem, quarta-feira 11 de outubro, na Casa do Alentejo, em Lisboa, na presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e de muitas personalidades do domínio empresarial, político e artístico.

Depois de ter construído um monumento no local onde, nos anos 60 e 70, havia o maior bairro de lata português em França, Valdemar Francisco escreveu um livro e até fez uma edição especial para ajudar as vítimas dos incêndios de Portugal.

O livro aborda os tempos em que Valdemar Francisco viveu no «bidonville» e da aventura da construção do monumento, em Champigny-sur-Marne, no qual foi homenageado o antigo autarca Louis Talamoni pela ajuda prestada aos emigrantes lusos.

A obra, que conta com prefácio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tem 224 páginas e está repleta de fotografias, desde as que foram tiradas nos anos 60 no «bidonville» pelos fotógrafos Jean-Claude Broustail e Gérald Bloncourt, às que foram tiradas, com telemóvel, durante a construção do monumento e venda de tijolos para o financiar parcialmente.

O livro tem, ainda, um DVD com fotografias, vídeos dos discursos das personalidades que falaram na inauguração do monumento e atuações dos artistas que lá subiram ao palco, assim como canções dedicadas àquele espaço.

Foram 2.176 as pessoas que assinaram os tijolos que revestiram oito colunas em torno da escultura central do monumento, entre anónimos portugueses que vivem em França, ao Presidente da República, ao Primeiro Ministro, a Pedro Abrunhosa e até ao Presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa, entre muitas outras personalidades.

«O livro fala sobre Champigny, quando havia o bairro de lata onde vivi muitos anos e fala de Louis Talamoni que eu conheci e que era um homem de garra e com um grande coração. Depois, fala das peripécias da assinatura dos tijolos que serviram para construir o monumento em sua homenagem, havendo também imagens da inauguração com o Presidente e o Primeiro Ministro», contou o empresário à Lusa.

O monumento foi palco, a 11 de junho de 2016, das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, na presença do Presidente da República e do Primeiro Ministro, tendo Valdemar Francisco recebido o grau de Comendador da Ordem de Mérito, ao lado de outras personalidades.

«Este reconhecimento, tem de ser um reconhecimento nacional. Porque não há uma única família portuguesa sem que pelo menos um membro não tenha emigrado. Eu próprio tenho vários membros da minha família que partiram» disse o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa na sua intervenção.

O Presidente da República disse que Valdemar Francisco é «um homem de coragem, um homem único» e considerou que fez bem em ter relatado as memórias, porque «as memórias não podem ficar ao vento».

Valdemar Francisco chegou a França a 14 de maio de 1960, com seis anos, e viveu nove anos no «bidonville» de Champigny, tendo começado a trabalhar com 12 anos após a morte do pai. Aos 28 estabeleceu-se por conta própria e hoje está à frente de um grupo de empresas de construção civil que emprega diretamente 123 pessoas e que contrata cerca de 200, na maioria portugueses ou lusodescendentes.

Nunca esqueceu a ajuda dada aos compatriotas por Louis Talamoni, o autarca de Champigny que, entre 1956 e 1972, data da extinção do «bidonville», providenciou o fornecimento de água e eletricidade, a escolarização das crianças, o acesso aos cuidados de saúde, a recolha do lixo e a instalação de esgotos.

Presidente de «Les Amis du Plateau», a associação que construiu o monumento, Valdemar Francisco considera que falar do passado dos Portugueses nos «bidonvilles» é «um dever de memória» e foi isso que o motivou a avançar com a ideia de um livro e monumento na cidade que até já tinha um memorial aos emigrantes portugueses da autoria do escultor Rui Chafes.

«Eu tinha de estar aqui convosco. Vocês são o exemplo da luta e da vitória» disse Marcelo Rebelo de Sousa num discurso muito aplaudido. O Presidente felicitou os presentes que se deslocaram de Paris.

Na sala estavam empresários, políticos e personalidades do mundo artístico, como por exemplo o realizador Christophe Fonseca que aproveitou para apresentar o projeto do documentário sobre o dever de memória, que deve começar a filmar muito proximamente e deixou um apelo porque procura histórias e lembranças dos anos da grande vaga da emigração portuguesa para França.

No fim da apresentação houve um coktail, onde uns e outros já começaram a partilhar memórias.

 

(com Lusa)

 

 

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