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No próximo dia 31 de outubro, será realizada na Embaixada do Brasil, em Paris, uma homenagem a Chico Buarque. O professor Roniere Menezes abordará o Chico compositor, e a professora Ana Maria Clak Peres, o Chico romancista.

Uma excelente oportunidade para ler o valioso e envolvente trabalho de Ana Maria Clark Peres intitulado «Chico Buarque – Recortes e passagens» (Editora UFMG, 2016). «Podemos verificar, ao longo deste livro», afirma Sérgio Laia no prefácio, «como a escrita compõe a vida de Chico Buarque bem antes mesmo de ele se tornar compositor e escritor».

Ana Maria Clark Peres é professora de Literatura Brasileira e Literatura Comparada. Os ensaios reunidos no presente volume dão conta de pesquisas realizadas pela autora sobre a obra literária e musical de Chico Buarque de Hollanda desde 2008, repartidos em 4 partes: Questões de extimidade; Chico Buarque, leitor dos clássicos; Uma poética do comum; Chico e Sérgio: interlocuções. Salientamos, no fim do livro, as 20 páginas inéditas intituladas «Conversa com Chico Buarque» (Paris, primavera de 2015).

Dois capítulos chamaram um pouco mais a nossa atenção: «Chico e Baudelaire» e «A França de Chico Buarque», do qual tiramos esta conclusão da autora: «Várias versões da França atravessam a obra e a vida de Chico Buarque: a França dos livros e da erudição do pai que capturaram bem cedo o futuro escritor; a França dos exilados e do frio, onde se sentiam saudades da pátria, mas que soube, mais tarde, acolher calorosamente o compositor e romancista, apresentando-se a ele como ‘um lugar agradável’; a França que, em ‘Leite derramado’, é considerada como fora de moda, aliada de uma elite brasileira decadente, mas que continua a ser o país da moda e da gastronomia e cuja capital é uma ‘cidade gostosa’, na percepção de Chico; a França como resquício de um tempo perdido, resto este que persiste, contudo, causando o desejo de criação; a França das canções que falam de amores e despedidas, das mulheres nuas, da luxúria e libertinagem, das prostitutas, do mistério do sexo, das atrizes de cinema, da paixão, do enigma do feminino, enfim».

 

 

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