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Na sequência do artigo publicado no dia 13 de outubro de 2017, intitulado de “Vice-Cônsul de Portugal apresenta queixa contra Clube Português de Toulouse”, onde o meu nome é referido, e após alguns dias de reflexão e consulta, considero importante esclarecer a Comunidade portuguesa da região de Toulouse.

Na qualidade de Conselheiro das Comunidades Portuguesas, cabe-me não só ser um agente apaziguador, como também promover o esclarecimento de todas as situações que relevem para o bem-estar e coesão social. Nesse âmbito, e perante dezenas, senão centenas de solicitações de Portugueses, sócios e não-sócios, que me contactavam a fim de obterem informações sobre o Clube Português de Toulouse, tentei sensibilizar o seu Presidente várias vezes para que fizesse um esclarecimento pedagógico à Comunidade (associados e não associados) sobre a situação da associação – será isso considerado “ingerência”?

A única ligação ao Clube Português de Toulouse, além de apoio financeiro, foi a disponibilização de serviços da minha empresa a custo zero para as mudanças dos painéis do Clube a fim de preservar este património. Os painéis foram retirados do edifício onde o Clube estava sediado e colocados no local indicado pelo seu Presidente.

Após consultar alguns sócios e sócios honorários, como são exemplo os ex-Presidentes do Clube, e segundo as informações que me foram transmitidas, existem algumas questões que estes gostariam de ver esclarecidas: 

– Segundo os Estatutos do Clube Português de Toulouse antes das Assembleias a seguir mencionadas, são considerados sócios honorários todos os ex-Presidentes da Associação e o Titular do posto consular de Portugal em Toulouse.

Das pessoas qu contactei com este estatuto, nenhuma foi convocada para as Assembleias Gerais Ordinária e Extraordinária de 8 de julho de 2017 (as duas no mesmo dia), e que por sinal removeram os sócios honorários dos estatutos como inerência, e passaram a acordo da Direção.

– Foi-me indicado por sócios, que foram recusados vários pagamentos para renovação de quotas, sem esclarecimento dos motivos para tal. Os mesmos possuem cartões de sócio emitidos pela Direção do Clube, e comprovativo de pagamento de quotas em 2016 e recusa em 2017. Por hipótese, e mesmo que com quotas em atraso, pode um sócio ser automaticamente expulso, sem consulta da Assembleia geral?

– Após várias tentativas de contacto destes sócios, nunca lhes foi esclarecido como seria feita a gestão das receitas da venda da sede do Clube.

Tenho também a esclarecer que, salvo se foi efetuado um estudo genealógico mais alargado, que eu, não tenho qualquer ligação familiar com a Dra. Hélène Capela.

Para terminar, deixo algumas questões que me foram colocadas por sócios, honorários e não honorários:

– A sede do Clube foi vendida por 450 mil euros. Deste montante, e tendo em conta as informações veiculadas à data, cerca de 30 mil deveriam destinar-se ao pagamento de dívidas. De acordo com o artigo do LusoJornal, estas dívidas “já ascendiam, segundo o atual Presidente, a mais de 100 mil euros”, que mais adiante se dizem ser “as dívidas e os honorários”.

De onde surgiram estes 70 mil euros adicionais?

E que honorários são estes?

– Porque não foram convocados os sócios honorários do Clube Português de Toulouse para a Assembleia geral, nomeadamente os ex-Presidentes?

– Porque foram recusados pagamentos de quotas de sócios já existentes?

– Porque não foi, segundo veiculado pelos sócios e sócios honorários, apresentado Relatório de contas nos últimos dois anos?

– Segundo os sócios que me contactaram, a Assembleia Geral Extraordinária de dia 8 de julho alterou os Estatutos do Clube. Porquê?

Em caso afirmativo, o que motivou tal alteração?

– Sendo regulado pela Lei das associações de 1901 (sem fins lucrativos), pode o Clube fazer investimentos imobiliários que nada têm a ver com o seu objeto social, e com o objetivo de obtenção de retorno financeiro, quer regular (pelo arrendamento) quer a longo prazo (pela revenda), segundo se publica no LusoJornal?

– Após lermos as passagens no LusoJornal, “a atual Direção decidiu, em fevereiro de 2017, comprar um edifício… em Portugal!” e “Assembleia Geral do dia 8 de julho de 2017, que decidiu comprar o edifício em Portugal”, podemos efetivamente saber quando foi tomada a decisão?

– Partindo do pressuposto que a compra foi feita depois de 8 de julho de 2017, como em poucos meses o edifício passa a valer “Quase o dobro do que nós pagámos na compra”?

– Quantos sócios tem o Clube?

– Quantos sócios tinha o clube à data das Assembleias? Quando se constituíram sócios? Foram uns aceites e outros recusados. Porquê?

– Não tendo o clube atividade conhecida, como é referenciado no artigo do LusoJornal, como poderiam os novos sócios obter uma nova ficha de inscrição, se não era conhecido o horário de funcionamento para questões relacionadas como este assunto, da morada que constava como sede?

Foi-me igualmente indicado por sócios, depois de leitura atenta do artigo do LusoJornal, que as vias jurídicas foram iniciadas em 2016, e não pelo Sr. Vice-Cônsul de Portugal em Toulouse.

Por fim, sublinho que o mais importante é perceber o que realmente está em causa, ao invés de redundarmos sobre a inversão do ónus.

Foi sempre meu objetivo manter a paz social em relação a este assunto, e não o arrastar para os meios de comunicação social e para a “praça pública”. Tal só prejudica a Comunidade portuguesa. Mas não posso deixar de efetuar defesa de uma Comunidade que sente que existem muitas dúvidas por responder. Nesta Comunidade incluem-se sócios, ex-sócios, sócios honorários, não-sócios e dezenas de pessoas que, ou eles mesmos, ou os seus familiares, em diversos momentos da sua vida, muito deram a esta associação, fazendo dela uma das mais antigas de França.

É com este único e exclusivo objetivo que este comunicado é escrito. O de esclarecer!

Segundo fui informado por carta, diversas autoridades oficiais portuguesas estão há alguns meses informadas sobre este assunto.

Desta forma, e apelando ao inteiro esclarecimento da situação, solicito ao LusoJornal a publicação deste meu comunicado na íntegra.

 

António da Rocha Capela

Conselheiro das Comunidades Portuguesas das regiões consulares de Bordeaux e Toulouse

 

 

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