Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.

O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, que também é o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, esteve na semana passada em Paris, para fechar as comemorações do Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, precisamente no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Paris.

Mas D. Manuel Clemente é também um pensador, um intelectual reconhecido – ganhou o Prémio Pessoa em 2009 – e quis também inteirar-se da forma como vive e trabalha a Comunidade portuguesa em França.

Visitou a Embaixada de Portugal, a Fundação Calouste Gulbenkian e reuniu, no Consulado Geral de Portugal em Paris, com um grupo de Portugueses, Conselheiros das Comunidades, dirigentes associativos, responsáveis por Comunidades católicas, empresários,…

Durante a sua estadia, recebeu também os jornalistas no Santuário e transcrevemos aqui o teor da entrevista conjunta feita pelo LusoJornal, pela Rádio Alfa, pela Lusopress e pela agência Lusa.

 

Porque decidiu vir comemorar em Paris o Centenário da última Aparição de Fátima?

Tinha que vir alguém de Portugal. O Reitor convidou-me, a Comunidade também. Eu sou o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa e este Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Paris tem um impacto muito grande, não apenas na cidade, mas para além da cidade. Eu já cá estive anteriormente, como Bispo Auxiliar de Lisboa, e reparei que vinham aqui pessoas de regiões muito distantes, naquela altura até mesmo do Luxemburgo. Quando o Cardeal Lustiger confiou à Comunidade portuguesa este Santuário de Nossa Senhora de Fátima, confiou-o com a missão de alargar Fátima também aqui a Paris, a França. Pois alguém tinha que vir e cá estou eu.

 

E qual é a mensagem que quer passar aos emigrantes?

No dia 12, à noite, tive o encontro com os emigrantes, parti da passagem do livro do Apocalipse em que o vidente naquela perseguição vê o céu abrir-se e aparecer um sinal no céu. Isto deve continuar a acontecer connosco: o céu também se abre muitas vezes na nossa vida, sentimos tão perto a presença de Jesus e da Mãe de Jesus, então também devemos transformar essa janela aberta no céu que tantas vezes está encoberta para os nossos semelhantes.

Lusa / Mário Cruz

 

Mas isso quer dizer concretamente o quê?

Quer dizer que nós, que somos tocados por esta visão, também temos de alguma maneira de transparecer para os outros, ou seja, no fundo, a religião no mundo faz a ligação dos homens com Deus – para nós Cristãos a religião faz a ligação de Jesus e a Mãe de Jesus. Muitas vezes nas nossas vidas, pelas dificuldades que temos, a religião é um entreabrir do céu em que mostra que Jesus está connosco e a sua Mãe também. E é por isso que somos Cristãos, que viemos aqui, que vamos a Fátima, e isto também deve transparecer da nossa vida para os outros.

 

Os emigrantes têm muitas vezes uma vida difícil. A Igreja ainda os consegue aglutinar? Ainda há fé entre os emigrantes?

Eles também são a Igreja. Nós, os servidores da Igreja, temos como principal missão alimentar essa fé que também nos alimenta a nós, porque também somos filhos de Cristãos. Temos de tentar transmitir a mesma mensagem que nos transmitiram a nós, e tentar vivê-la, sobretudo, da maneira mais coerente.

 

Muitos jovens da emigração já não vão à missa, já não creêm em Deus, qual é a sua mensagem para eles?

Que vale apena ir à missa, vale a pena encontrar-se com Jesus. Se a nós nos faz bem, a eles também deve fazer.

 

Mas há uma preocupação da Igreja com os jovens?

Sim. A preocupação é constante. Sabemos que cada geração que vem, vem com muita disponibilidade e também com muita interrogação. Por isso mesmo, em cada geração que surge – e agora as coisas são mais apressadas do que dantes, onde tudo demorava mais tempo – o apelo é maior para nós sermos capazes de corresponder, com a mensagem que transportamos, que é o evangelho, àquilo que são as preocupações profundas das novas gerações. No entanto, reparamos que quando nos aplicamos sobre as interrogações dos mais jovens, a coincidência continua a ser grande, ou seja, eles aderem com muita vontade. Se olhar para Portugal, e para Lisboa em particular, quando a proposta evangélica é integral, isto é, quando não se trata apenas de reuniões, de conversa e de mensagens, mas quando é uma experiência de vida, as coisas resultam e até me surpreendem. Dou um exemplo concreto: neste momento, em Lisboa, os jovens pré-universitários e universitários, na ordem dos milhares, dedicam-se a fazer campos de férias para onde levam também outros jovens, crianças e adolescentes que não têm tantas oportunidades de ter férias. Organizam campos de férias durante o verão e depois de estarem nas universidades muitos deles fazem ‘Missões país’, isto é, vão entre os dois semestres escolares, uma semana inteira, para uma determinada paróquia do país, onde participam na vida da comunidade cristã e na vida da população em geral. Visitam as pessoas, contactam com as realidades locais, fazem animações culturais com as populações, é uma grande festa social, comunitária, religiosa. Quando voltam para as suas universidades, muitos deles criam Núcleos de estudantes católicos, já são dezenas por todo o país, e isso resulta e cada ano resulta mais. São eles que escolhem as lideranças, e passam o testemunho a outros.

Alfredo de Lima

Alfredo de Lima

 

E resulta porquê?

Porque é total. Não é apenas uma reunião, é um convívio. E se olharmos bem, há 2.000 anos foi assim que esta história começou, com um jovem, de uns 30 anos, Jesus de Nazaré, que na sua terra convidou outros jovens e começou a viver e a conviver com os outros. Foi assim que tudo começou, com uma vida convivida e eu penso que isso é que é um grande trunfo. Que seja em França ou em Portugal, ou naquelas cristandades minoritárias e tão perseguidas como temos tão frequentemente testemunhos do Líbano, da Síria, e mesmo do Iraque. Vivendo assim, de uma maneira integral, o Evangelho, não propriamente como uma doutrina desencarnada, mas como uma convivência que Jesus estabeleceu com aquele grupo, isto resulta.

 

Mas há o problema da língua e da cultura, que está associada a esta vivência. O debate é saber se a Igreja portuguesa deve continuar a acompanhar os católicos portugueses em França. Ou deve ser a igreja francesa?

Creio que o problema é mais para as gerações que vieram para cá há muito tempo, do que para a geração atual. Reparo sobretudo na juventude em Lisboa, que fala facilmente várias línguas…

 

Falar é uma coisa, mas rezar é diferente…

Repare, por exemplo, em Taizé aqui em França, onde se reza em tantas línguas, como em Lourdes ou em Roma,… Repare nas Jornadas Mundiais da Juventude que envolvem milhões de jovens de todo o mundo. Os jovens ultrapassam mais facilmente essa situação do que as antigas gerações, cuja ligação à terra é bem mais forte. Esses, é natural que queiram reproduzir cá o que viveram nas terras antes de vir… Os jovens fazem isso com mais facilidade. Ainda em agosto participei num acampamento católico de Escuteiros em Portugal, onde estavam mais de 20.000 pessoas, e muitos de outras nacionalidades. A língua não era um problema.

A tendência é então que a Igreja francesa acompanhe os Católicos portugueses que estão cá?

Sim. Sem deixar de haver em França uma presença sempre que possível de sacerdotes ou de religiosos ou até de cristãos portugueses que se dedicam inteiramente à vida da igreja. Tudo isso é possível. Nós hoje vemos muito o caso de famílias inteiras que partem e que se deslocam para outras partes do mundo para serem famílias cristãs entre os outros. Conhecemos casos de várias famílias que partiram. Partiram para sítios tão diferentes como o norte da China, para Sarajevo, nos Balcãs, para Colónia, na Alemanha. Isto hoje é bem mais variado do que foi noutros tempos.

 

Portugal também não tem padres em número suficiente para acompanhar. Ou ainda há reservas de sacerdotes noutros países?

O que acontece em Portugal, é uma realidade: o do envelhecimento populacional. Portugal, em duas gerações, passou de um dos paises mais jovens da Europa para um dos países mais idosos da Europa. Isto repercuta-se nas vocações, quer masculinas, quer femininas. Estamos a falar em relação a padres, mas também podemos falar de religiosas que sustentavam muitas missões no estrangeiro. Mas hoje em dia são comunidades envelhecidas e alguma religiosa mais jovem que entre, é mais para tomar conta das mais velhinhas. É um problema global e porque o continente europeu está muito envelhecido em termos de população autóctona. Até meados do século XX, a Europa representava 65% do catolicismo mundial. Hoje representa apenas 20 ou 25%. 40% do catolicismo está na América Latina. Não é por acaso que o Papa vem de lá. Tudo isto muda muito. Em Lisboa temos sacerdotes naturais da diocese, mas também de todo o mundo, desde vários pontos da Europa, da Europa de Leste, da América Latina, da África, até temos da Índia.

 

Como explica o sucesso de Fátima? E Fátima é uma marca de identidade portuguesa?

Acaba por ser, porque também começa por ser. Se nós olharmos para a história portuguesa, ela teve uma marca Mariana muito forte. As várias épocas culturais e mesmo políticas da história portuguesa, desde o princípio do século XII, têm tido essa marca Mariana. A organização do país com a conquista de D. Afonso Henriques e dos seus sucessores, foi marcada por uma série de construções de catedrais e todas elas têm uma vocação Mariana, são Catedrais de Santa Maria, na altura. Quando chegámos ao período decisivo enquanto nação autónoma de Portugal, entre a 1a e a 2a Dinastia, também a marca Mariana, quer da parte do Mestre de Avis, fundador dessa Dinastia, D. João I, com Santa Maria da Vitória – Mosteiro da Batalha – quer do Contestável, com a Nossa Senhora do Vencimento, que nós chamamos vulgarmente Convento do Carmo em Lisboa, também tiveram a marca Mariana. Depois a Restauração também teve a marca Mariana à volta de D. João IV, a Casa de Bragança, Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, feita Padroeira e Raínha de Portugal… Portanto, reparámos que as várias épocas que enquadram o país, têm uma marca Mariana. Isto é acompanhado pela devoção popular. Basta ver os vestígios de norte a sul e as romarias constantes. Todos os meses há festas de Nossa Senhora, às vezes até mais do que uma. Há aqui um poder de convocação por parte da Mãe de Cristo que é muito definidor da sensibilidade portuguesa. E até da emigração portuguesa, porque se formos ao Brasil, por exemplo a Belém de Pará, que mantém o culto da Senhora de Nazaré, Nazaré de Portugal, que para lá foi com os pescadores e com os marinheiros, que é a grande manifestação religiosa daquela zona do Brasil, também lá temos a marca da identidade portuguesa. Este ano é o Centenário de Fátima, mas também é o Tricentenário da Senhora da Aparecida, que é também a grande devoção Mariana do Brasil. Por tudo isto, nós reparamos que a marca Mariana é tão definidora da cultura portuguesa, até para além do espaço confessional estrito. Só assim é que compreendemos o que 3 crianças contaram na serra d’Aire, onde tudo é mais longe de tudo, onde não havia meios de comunicação. O que a Mãe de Cristo quis transmitir, é que naquele ambiente de guerras e de aflição, s’e querem paz, convertam-se e vivam o Evangelho a sério’. Isto tem um impacto extraordinário, que se sobrepôs a muitas resistências próprias da altura, até da política. E foi crescendo e tornou-se um altar do mundo, como recentemente foi dito. Porque quem vai hoje a Fátima, encontra ali o mundo todo.

 

Que influência tiveram as Aparições – alguns dizem Visões – na fé dos crentes?

Foi muito confirmadora. Confirmou uma fé que já lá estava, e com este motivo latente, Mariana de Fátima, ainda mais definido ficou. Disse Aparição ou Visão: esta é uma conversa recente e eu creio que podemos falar ao mesmo tempo das duas coisas. Quando se fala de uma Visão, fala-se da apreensão que cada um de nós faz das coisas, quando se fala de Aparição faz com que essa visão seja suscitada por algo que realmente lhe toca de fora. Ora, foram as duas coisas. As crianças apreenderam como apreenderam, com a sua capacidade de apreender as coisas, com a sua linguagem, mas isso foi-lhes sugerido por algo que lhes veio do exterior e que provocou essa Visão. Portanto creio que muita gente que vai a Fátima, não só compartilha, mas de alguma maneira também vê. E passa a ver a vida de uma outra maneira.

Disse que a população desta Europa está a mudar completamente. Acha isso postivo?

É um processo natural. Se olharmos para a Europa, com este recorte continental que ela tem há apenas mil anos, tem sido palco de muitas migrações de povos ao longo dos milénios e daí que não seja nada de extraordinário que mais uma vez estejamos diante uma mudança populacional que depois também será cultural e certamente civilizacional profunda. Mas isto é algo de cíclico. Se olharmos para a geografia mundial, nós reparamos que diferentemente dos outros continentes, a Europa é por um lado como a penínsua mais ocidental na Ásia, e por outro lado fica muito perto do continente africano e que a partir daqui se fez a famosa globalização, onde nós Portugueses, até pela nossa situação geográfica e pelas circunstâncias histó

 

ricas, tivemos um papel muito importante. Basta olhar para o globo e ver que Portugal passa a ser um território ponto de partida e de chegada para muita gente. E acontece isso agora, mais uma vez. Tem a ver com muitas circunstâncias. Com pessoas que procuram melhor vida. Hoje, onde quer que as pessoas vivam, sabem onde se vive melhor, sabem como é que os outros vivem através dos medias, tudo é possível. As pessoas não vivem fechadas sobre si próprias. Que vivam na Europa, na Ásia ou seja onde for, é natural que tenham vontade de ir para esses sitios quando é necessário. Mas também por outras circunstâncias mais graves, que têm a ver com as guerras, os conflitos no Próximo Oriente, na África,… Seja como for, a Europa hoje tem uma população muito diferente do que tinha, por exemplo a seguir à II Guerra mundial, que era uma população basicamente europeia, de origem. Hoje, em grandíssima parte, é uma população que vem de outras regiões e como dizem os demógrafos e analistas, quando chegarmos à metade deste século, a maioria da população da Europa não será autóctona, mas serão filhos, netos, bisnetos de pessoas que vieram de outros continentes. Se olharmos a longo prazo, não é nada de extraordinário para o nosso continente, desde que se formou com esta geografia sociocultural. E é positivo porque isto também pode tornar o nosso continente europeu num balão de ensaio de uma verdadeira globalização, que crie um mundo mais solidário. Esta é a nossa esperança.

LusoJornal / Carlos Pereira

 

As religiões estão associadas à mensagem de paz, mas hoje também estão associadas à violência. Como é que uma mesma mensagem de paz, pode ser também uma mensagem de violência?

Porque acontece com a religião o que acontece com todas as ideias em geral, podem ser mais filantrópicas, mais generosas, mas depois tocam pessoas que vivem situações concretas em vários níveis de compreensão das coisas, algumas muito empíricas, muito imediatistas, outras mais elaboradas, mais destacadas, são capaz de pensar com mais profundidade. As circunstâncias da vida também mudam e muita da religiosidade a nível mundial é étnica, está ligada àquele povo, àquela cultura, àquela mentalidade, e tem muita dificuldade em levantar voo, fica muito ligada àquilo que é seu, que é próprio e muitas vezes aquilo que é próprio, é feito em contraste com o que é dos outros. Nesses casos, a religião pode aparecer como pretexto de animosidade e de contra-identificação, como aconteceu com todas as ideologias em geral. Todas as ideologias em geral começaram por ser muito ótimistas, muito simpáticas, muito fraternas, mas depois, na sua concretização, a gente já sabe que deram cobertura a muita coisa. Porque as ideias, os sentimentos e as realidades nem sempre se conjugam e às vezes como dizem os antigos, a corroção do ótimo dá o péssimo.

 

Então o que é preciso fazer?

Os responsáveis das diversas religiões – uns mais do que outros, mas posso falar em geral – tentam reconduzir o sentimento e o pensamento religioso à sua essência. Ora, o que é a essencia de uma religião? É o ser humano que se liga ou se religa – que é o que a palavra religião quer dizer – a algo que nos explique a nós, mas aos outros também. Ora, se nos ligamos a esse princípio que nos explica a todos – ou, numa linguagem mais confessional, a um Deus criador de todos – então temos de ser coerentes: se me criou a mim, também o criou a eles. Ora aqui há uma contradição entre o ser religioso e acabar por ser a causa do fim de muitos seres. É uma contradição abominável.

 

Está a falar do Islamismo?

De todos, até de nós. Esta corroção do religioso que vai acirrar as diferenças étnicas, culturais, etc., em contradição com o outro, pode acontecer com todas as religiões.

 

Mas mais com o Islão, ou não?

Penso que mesmo dentro do próprio Islão há muita gente que sente esta problemática como estou a expressá-la e outros que são apanhados por conflitos interiores e exteriores que fazem da religião pretexto para a violência. Mas isso é contradição da religião.

 

Mas a igreja é ou não prejudicada hoje, pelo islamismo?

Não posso dizer isso. Há estes movimentos radicais, chamados djiadistas, que são prejuizo, mas são prejuizo para nós Cristãos como para muitos Muçulmanos. Ainda há pouco tempo estive em Israel e contactei com Judeus e não Judeus e ouvi histórias de situações que até há 10 anos viviam pacificamente essas minorias cristãs com os vizinhos Muçulmanos, trocavam bens e serviços. Depois, estes movimentos radicais surgiram no campo islâmico, têm muitas vezes como alvo os outros Muçulmanos, que eles acham insuficientemente religiosos. E até são os primeiros a sofrer.

 

Isto está em contradição com este mundo de comunicação que nós vivemos hoje…

Está em contradição, mas por outro lado, também a utiliza. Uma das armas perigosíssimas destes movimentos radicais é exatamente os meios de comunicação, que eles manejam muito bem tecnicamente e conseguem utilizar em toda a propaganda que fazem. Conseguem mobilizar gente que está revoltada, que se sente mal, para os seus objetivos.

 

Temos assistido a um grande desenvolvimento da humanidade mas há um dado constrangedor: cada vez há mais pobres no mundo. Sabendo que Igreja tem uma parte da riqueza da humanidade, de que maneira a Igreja podia dar mais aos pobres?

Em relação às riquezas da Igreja, pela parte que me toca, nunca reparei muito bem o que é, a não ser às vezes uma enorme dor de cabeça. Estamos-nos a referir ao património artístico. E esse património artístico foi acumulado ao longo dos séculos e séculos por gerações de crentes, não são coisas que possamos desbaratar de alguma maneira, porque seríamos infiéis àquilo que foi feito. Pelo contrário, temos até obrigação de conservar e expôr, e é por isso que digo que por vezes é mais uma carga de trabalho, do que propriamente um benefício. Porque não podemos tirar benefício nenhum. No que diz respeito à possibilidade concreta de dispor de meios para isto ou para aquilo, a minha experiência é que tudo tem de ser visto ao tostão e com muito cuidado, porque tudo é muito restrito. As vezes sabe Deus…

Alfredo de Lima

 

Está a querer dizer que a Igreja está pobre? Quando olhamos para o Vaticano e vemos aquelas riquezas todas…

Mas aquelas riquezas são conservadas pelo Vaticano à exposição de quem quiser vê-las.

 

Mas o Vaticano tem dinheiro, tem uma tesouraria. A Igreja não devia distribuir o dinheiro pelos pobres?

Tudo é para distribuir pelos pobres. A vida das pessoas é posta ao serviço dos pobres, elas entregam-se a esse serviço. Se nós olhamos para o Papa Francisco, vemos pela sua maneira de viver – mas também pela dos Papas anteriores – que os cenários podem ser grandiosos, herdados de outros tempos, mas eles vivem humildemente. Tem de se conservar os cenários, mas isso não corresponde a riqueza em termos pessoais, não vejo lá nem gastos desnecessários, por aquilo que eu conheça diretamente. Que possa haver algum problema na máquina administrativa ou na tesouraria… quando há, resolvem-se e tem de se resolver evangelicamente e eu creio que o Papa Francisco tem dado um ótimo exemplo de quando essas coisas se resolvem quando aparecem, porque podem aparecer em qualquer lado por melhor que seja a intenção. Agora o património que a igreja guarda ainda bem que o guarda porque assim toda a gente pode desfrutar dele, porque senão não estaria ao dispor da população, estaria nalguma coleção pessoal deste ou daquele multimilionário, não estariam ao dispor das pessoas.

Gostou deste artigo? De 1 a 10, dê-nos a sua votação
Votação do Leitor 7 Votos
5.6