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Foi inaugurada em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, na presença de representantes da associação Cívica de autarcas portugueses dem França, uma exposição que evoca os pelo menos 400 Portugueses vítimas de trabalhos forçados na Alemanha nazi, durante o II Reich.

A exposição é o resultado de uma investigação coordenada pelo historiador Fernando Rosas e feita por uma equipa internacional do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Segundo o historiador, «cerca de 400 Portugueses, talvez um pouco mais» estiveram confinados durante a Segunda Guerra Mundial em campos de concentração, prisões ou ‘stalag’ [campos de prisioneiros de guerra], sujeitos a brutais condições de trabalho forçado». Destes, «pelo menos 30 não sobreviveram».

«São valores provisórios e provavelmente conservadores (…) Há muito para pesquisar ainda», ressalvou Fernando Rosas.

«Provavelmente superior, mas até agora impossível de determinar, terá sido o número dos que foram voluntariamente trabalhar para a Alemanha [mas que depois se converteriam em trabalhadores forçados] ou que para esse destino foram forçados a sair, designadamente de França», comentou o investigador.

Há «variado rasto» na documentação consular e diplomática do Estado português sobre esta realidade, mas «não existe evidência de qualquer diligência diplomática consistente por parte do Governo do Estado Novo no sentido de acudir ou defender os seus cidadãos escravos, coercivamente deslocados, nos campos de concentração, prisioneiros dos ‘stalag’ ou forçados a trabalhar na Alemanha quando queriam fugir à guerra e à devastação», disse Fernando Rosas.

Além disso, a ditadura «também se esforçou por silenciar qualquer tentativa de lembrar ou informar o país da situação e sacrifício dos cidadãos portugueses, por via da censura». «A norma do regime foi o silêncio imposto e a desmemória», sublinhou.

Para o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, «o século XX faz parte da história europeia e conhecê-lo é a melhor maneira de nós prosseguirmos com um projeto europeu que foi construído com o objetivo, até agora cumprido, de evitar a repetição da barbárie no coração da civilização europeia».

«Esse princípio tem de ser respeitado todos os dias», alertou o Governante, referindo que, «a muito poucos quilómetros da fronteira sul da Europa, ainda hoje há pessoas que são vendidas como escravos, em mercados, na Líbia».

«A melhor homenagem que podemos prestar às vítimas portuguesas e de tantas outras nacionalidades é lutarmos todos nós agora contra todas as formas de trabalho forçado», destacou Santos Silva.

A Cívica é parceira da exposição e Paulo Marques, o Presidente da associação, deslocou-se a Lisboa para participar na inauguração.

 

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