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José Carlos González exilou-se em França em 1967. O exílio dos intelectuais portugueses para a França é uma constante na história dos dois países. Podemos lembrar, por exemplo, António Nobre, paradigma do poeta exilado, autor de “Só” (1892), que viveu igualmente longos anos em Paris, cidade que lhe inspirou o livro “La Lusitanie au Quartier Latin”.

Filho de pais galegos emigrados, José Carlos González nasceu em 1937, em Lisboa. Fez estudos de Direito (em Lisboa) e de Românicas e Ciências Políticas (em Paris). Faleceu em Kerlaz, na Bretanha, no ano de 2000. Exerceu a profissão de jornalista e traduziu, entre outras, as obras de Albert Camus, André Malraux e Marguerite Duras. Colaborou em vários jornais e revistas, foi um dos fundadores da cooperativa “Sal da Terra” e da respetiva revista Crisol.

Como poeta, fez parte do grupo surrealista português e publicou vários livros em português. Em francês, publicou uma recolha de poemas com o título “Les correspondances” (Ed. La Pensée Universelle, 1971), de onde tiramos estes versos: «J’ai déserté un trop injuste bonheur/Un soleil cruel brillait sur la misère/Une mer trop paisible baignait la mort et ses arènes//La coupe a débordé après des nuits des jours/Après la rauque musique des tambours de la haine.//Et lentement mon cœur a pris l’itinéraire//Des déserts de l’exil et de l’appel des veines».

«70 poemas» (Ed. Átrio, 1992), com seleção e prefácio de João Rui de Sousa, reúne poemas de uns dez livros anteriores do autor. A poesia de José Carlos González oscila entre o protesto e a esperança, dois polos de “um percurso desenhado em refregas e paragens, em ativismo e transe contemplativo, por certo em dúvidas e algumas excassas certezas”, afirma João Rui de Sousa.

Outra atitude frequente na poesia de José Carlos González é o silêncio, pleno, através do qual o poeta consegue desligar-se de tudo o que é exterior para regressar a si mesmo. Sem se deixar trair pela arbitrariedade, José Carlos González transgride a norma e a linguagem corrente, para nos oferecer, em “70 poemas”, uma autêntica e plena poesia.

 

 

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