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Segundo a imprensa, a situação é terrível. Na Europa, a cada dois minutos, uma criança é dada como desaparecida. No Reino Unido, são 70 mil por ano. Em Portugal, desaparecem algumas dezenas e algumas nunca mais são encontradas.

Em França, só em 2016, 49.347 menores foram dados como desaparecidos e desse total 11 mil não reapareceram. Ainda em agosto o desaparecimento súbito e inexplicado, até agora, de uma pequena lusodescendente relançou esta trágica questão.

Todos os anos 40 mil crianças e adolescentes desaparecem no Brasil. Nos Estados Unidos da América (EUA), uma criança desaparece a cada 40 segundos!

Raptadas sem se saber porquê, fugas de casa, levadas por traficantes de pessoas humanas destinadas ao trabalho escravo ou à prostituição, outras para serem crianças-soldados nos países em guerra, raptadas por dinheiro ou conflitos parentais, sacrificadas em rituais satânicos e de bruxarias, a tragédia conhece as mais diversas razões possíveis e i(ni)magináveis. E todas horríveis.

A dor que provoca nas suas famílias e na comunidade é imensa e parece não ter fim. Como será possível, num mundo onde tudo se vê em direto e se sabe instantaneamente, que ainda desapareçam sem deixar rasto largos milhares de crianças (além de adultos)? E porque não cessa de aumentar o seu número cada ano?

A toda esta tragédia, e cada caso será sempre único e doloroso, acresce outra situação também ela interpelante: progressivamente o Menino mais famoso da história humana tende igualmente a desaparecer. O Natal de Jesus Cristo, Salvador dos homens e inspirador do nosso melhor, está a tornar-se o natal de coisa nenhuma.

Sendo uma festa de aniversário – comemora-se o nascimento do Filho de Deus segundo a carne – o Natal tem-se esvaziado da sua razão original. Por causa deste Menino e – porque «as crianças são o melhor do mundo» (Fernando Pessoa) – os corações dos homens e mulheres que O acolhem profundamente, vão-se tornando capazes do amor, da verdade, da liberdade, do perdão, da partilha da vida no dia-a-dia e não apenas numa época única do ano. Neste sentido, «o Natal é sempre que um homem quiser», como dizia o José Ary dos Santos.

Os presépios e as referências públicas ao nascimento (natal) de Cristo desaparecem, um pouco por todo o lado ou mesmo muito em alguns sítios. Em França, já não se deseja Joyeux Noël mas Joyeuses Fêtes (do quê? de quem?) ou, pior ainda, “fêtes de fin d’année”! Nos EUA e Reino Unido o Happy Christmas deu lugar ao Happy Season (à letra “época feliz”; mas feliz porque razão?). E em Portugal, em vez de Santo ou Feliz Natal desejam-se Boas festas.

Em 2017 até a Câmara Municipal de Lisboa promove eventos de natal inter-religiosos e multiconfessionais, politicamente muito corretos. Se o ridículo e a ignorância dessem dinheiro, o município lisboeta estaria rico. Alguém me explica como um muçulmano, um judeu, um hindu ou um budista poderá celebrar religiosamente o Natal cristão que é o nascimento de Cristo? Será que é respeitoso “levar” pessoas de outras religiões a celebrar Aquele que deu origem ao cristianismo?

Uma jornalista portuguesa escrevia há dias: «De repente no meio da rua lá está aquela tranquitana metálico-luminosa a que chamamos árvore de Natal. E foi perante aquele cone iluminado, artefacto que nos sobrou devidamente expurgado de tudo o que possa identificar aquilo que somos, o que sentimos, o donde vimos, que me dei conta de como em nome da segurança, da tolerância, da saúde e de sei lá mais o quê, estamos a criar um mundo faz de conta. Um mundo em que: O bolo rei já não tem brinde. O iogurte ficou sem lactose. As natas perderam a gordura. O leite vem da soja e não das vacas. Os doces ficaram sem açúcar. Os bolos não têm farinha. O café perdeu a cafeína. A manteiga ficou magra. O pão não tem glúten. O circo ficou sem leões, depois sem elefantes e agora sem animais. A humanidade ficou sem sexos e dizem que está perder o interesse pelo sexo. O namoro ficou sem palavras por causa do assédio. A Bela Adormecida ficou sem beijo porque o príncipe foi acusado de abuso. A Capuchinho Vermelho já não é salva pelo caçador que também deixou de caçar e o lobo ficou vegetariano. Os maridos e as mulheres passaram a cônjuges. Os parques infantis ficaram sem escorregas de verdade. E alguns sem baloiços. Chama-se a televisão em vez da polícia. Os brinquedos ficaram sem graça mas estão cheios de didatismo. As crianças não têm tempo para não fazer nada. A má educação tornou-se bullying. Os pátios das escolas já não têm árvores nem terra. As gaiolas ficaram sem grilos. Os filhos não têm pai nem mãe mas sim progenitores. As feiras não têm graça. O atirei o pau ao gato ficou sem letra. A mentira tornou-se inverdade. A culpa é alegada. A verdade inconveniente. O artesanato é certificado. A fruta não tem bicho. Brincar é uma atividade devidamente monitorizada. Os filmes não contam histórias, ilustram teses. (…) Tudo é relativo. O Natal ficou sem Menino Jesus e tornou-se a festa do cone iluminado».

À trágica lista dos muitos milhares de menores desaparecidos e maltratados e à insuportável dor que isso provoca, junta-se o Menino Jesus, obrigado a viver clandestino, escondido, desaparecido.

Mas terá de ser assim? Depende de si. Neste Natal, lembrando-se de muitos outros, não esqueça Jesus, porque «Deus amou tanto o mundo que lhe entregou o Seu Filho único, a fim de que todo o que n’Ele crê não se perca, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16).

Santo e feliz Natal de Cristo!

 

 

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