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A geringonça acabou de soprar as velas do seu segundo aniversário neste final de 2017 em Portugal.

Foram dois anos em que se assistiu a uma devolução dos rendimentos que haviam sido amputados aos Portugueses durante o Governo da Troika, à reposição de feriados suprimidos, ao crescimento da economia, à baixa do desempregro, à reversão de certas privatizações. Alteraram-se regras em relação aos Recibos Verdes e introduziu-se uma maior justiça fiscal através da criação de um novo escalão no IRS. Também se fizeram progressos em questões de sociedade fundamentais, como o retorno à gratuidade da IVG, a adoção plena por casais do mesmo sexo ou o direito à procriação medicamente assistida para todas as mulheres.

Sentimo-nos orgulhosos por termos contribuido ativamente para este processo que conseguiu travar o ciclo de empobrecimento a que nos votava a continuação das políticas anteriores. Orgulhosos, sim, mas não satisfeitos.

Por um lado, a lufada de ar fresco que soprou em Portugal, não se repercutiu da mesma forma no conjunto da população ou na emigração, onde subsistem carências de que são exemplo as relativas ao ensino da língua e ao atendimento e apoio consulares, numa altura em que o fluxo migratório, continua a ser importante, conduzindo ainda 100.000 Portugueses abandonar anualmente o país.

A nossa insatisfação prende-se, também, com o facto de o crescimento da economia assentar demasiado no turismo, setor que é extremamente vulnerável aos ciclos económicos internacionais. Corolário desta situação, a criação de emprego a que se assistiu nos últimos anos, embora importante, está longe de absorver a destruição de postos de trabalho que se seguiu à crise e às políticas de austeridade e concentra-se nos setores de fraca produtividade e baixos salários ligados ao modelo de crescimento baseado no turismo e na reabilitação urbana.

Quanto ao milagre do défice público, ele ficou a dever-se à compressão de despesas, nomeadamente nos setores da educação e da saúde e ao mais baixo investimento público de que há memória na UE desde 1999. Na verdade o excedente entre as receitas e as despesas do Estado tem sido canalizado para o pagamento dos juros de uma dívida insustentável e que urge renegociar.

O futuro do país passa por um crescimento sustentável e não pela acentuação de um modelo de desenvolvimento dependente. É preciso investir na educação e na cultura, na saúde e na inovação, na reforma profunda da floresta e na redução das desigualdades que são ainda gritantes no nosso país. É preciso diminuir a sangria migratória. Para além de não ser economicamente aceitável que se formem em Portugal às custas do Estado os jovens cujo trabalho vão beneficiar os países mais ricos, é eticamente insustentável que se concedam isenções fiscais a investidores estrangeiros e aos ricos seniores do centro da Europa ao mesmo tempo que se despejam moradores das suas casas e dos seus bairros e se condena à emigração as forças vivas do nosso país.

É também necessário que a todos os níveis da sociedade portuguesa se considere os emigrantes como eles são: cidadãos portugueses como os outros, objeto da nossa estima e do nosso apoio. Merecendo um tratamento igual aos demais, o que está longe de ser o caso.

O nosso compromisso para 2018, mantém-se intato. Contribuir para que o nosso país seja um país mais belo e o olhar dele sobre a emigração, seja um olhar de igual para igual, o de uma terra mãe em relação aos seus filhos.

Como conceber, por exemplo, que o Novo Banco acabe de conceder um perdão de 26 milhões de euros de dívida aos irmãos Martins da promotora imobiliária Estia, deixando os emigrantes sem as poupanças acumuladas ao longo de uma vida de trabalho e sacrifício, ou devolvendo-lhes parte apenas dessas poupanças num horizonte de cinco anos?

Feliz, rebelde e maravilhoso ano de 2018 para os Portugueses leitores onde quer que chegue o LusoJornal e para a sua equipa a quem devemos a oportunidade de lhes dirigir esta mensagem.

 

 

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