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Evocação de Eugénio Tavares na Gulbenkian de Paris

A associação Cultures en Dialogue organizou esta quinta-feira, dia 11 de janeiro, na sala de conferências da Fundação Calouste Gulbenkian – Delegação de Paris, um encontro sobre o poeta e pensador Caboverdiano Eugénio Tavares. O encontro foi moderado por Carlos Pereira, Diretor do LusoJornal, e teve a participação do linguísta e investigador Nicolas Quint e do autor, compositor e intérprete Teófilo Chantre.

«O nosso objetivo é organizar eventos que partilhem culturas e falar de personalidades como a de Eugénio Tavares, infelizmente pouco conhecidas do público em geral, sobretudo aqui em França» disse no início a Presidente da associação organizadora, Marie-Adeline Tavares.

Eugénio Tavares «está presente por todo o lado em Cabo Verde» diz Nicolas Quint, «mas é verdade que até em Cabo Verde, as pessoas não sabem quem ele foi verdadeiramente».

«Aqui também não. Apenas se fala de Amílcar Cabral, mas não se conhece quem foi efetivamente Eugénio Tavares» reagiu Fernande Semedo, uma das ativistas da Comunidade caboverdiana em França, militante do PAICV, precisamente o Partido criado por Amílcar Cabral. Na sala estavam também três Embaixadores: Hercules Cruz de Cabo Verde, Miguel da Costa de Angola e Flavien Énongoué do Gabão.

Para além de universitários, artistas e poetas, estava também a Presidente do Instituto Lusófono Isabel Oliveira, a Presidente da Coordenação das Coletividades portuguesas de França, Marie Helène Euvrard, o filósofo Pierre-Franklin Tavares, o empresário Pierre Lacerda, com o filho, Dominique Lacerda, e as cantoras Sylvie Selavi de Lisbonne Café e Mariana Ramos.

Aliás Mariana Ramos foi chamada por Teófilo Chantre para interpretar uma das Mornas «mais doces» de Eugénio Tavares, «Força da cretcheu».

Ao autor, compositor e intérprete, que assinou alguns dos sucessos de Cesária Évora coube a palavra final, interpretando, em coro com a sala, «Sôdade», um dos êxitos de Cesária Évora, que aliás já antes tinha sido interpretada pelo Angolano Bonga.

Teófilo Chantre fez a ligação de Eugénio Tavares com a música. A Morna nasceu na Boavista, mas Eugénio Tavares teve uma influência «até aos nossos dias» diz Mariana Torres. «Todos nós temos um tema de Eugénio Tavares para cantar».

Teófilo Chantre tocou e cantou três temas e confessou ter sido influenciado – «quem não foi?» – por Eugénio Tavares. «Sobretudo pelo seu romantismo».

Mas Eugénio Tavares foi mais do que um poeta ou um autor de Mornas. Foi também um dos maiores jornalistas, senão o mais conceituado, de Cabo Verde, foi um pensador e um defensor da Nação caboverdiana e do Criolo de Cabo Verde, como sinal identitário. Nicolas Quint mostrou mesmo que traduziu poemas de Luís de Camões para Criolo.

Nasceu há pouco mais de 150 anos, quando Cabo Verde era uma colónia portuguesa e quando Portugal ainda era uma Monarquia. Foi adotado por uma família abastada da ilha de Brava, que lhe deu uma educação fora de série. Era Tesoureiro da Fazenda Pública e no seguimento das suas posições de exigência de um tratamento igual para todos, foi acusado de desvio de fundos públicos, teve de fugir para os Estados Unidos, onde aliás fundou o jornal A Alvorada, e só cerca de 20 anos depois, foi completamente inocentado, comprovando-se que tinha sido vítima de uma «cilada» por parte dos seus detratores.

A conclusão deste encontro na Gulbenkian de Paris é que muito ficou ainda por dizer sobre Eugénio Tavares e todos concordaram que é necessário dá-lo a conhecer em França.

 

 

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