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Um emigrante português, Luís Bico, natural de Fernão Joanes, no distrito da Guarda, foi abatido a tiro pela polícia junto à sua residência, em Châlette-sur-Loing, perto de Montargis (45), quando fugia na sua viatura, após uma denúncia de que ameaçara alguém com uma faca no centro da cidade.

O episódio ocorreu no sábado ao fim da tarde na localidade de Châlette-sur-Loing, e a polícia local desde logo excluiu a hipótese de atentado terrorista, por conhecer o homem, Luís Bico, de 48 anos, e saber que este tomava medicação para problemas psiquiátricos, vivia com a mãe e não tinha antecedentes criminais, de acordo com o Ministério público de Montargis.

Tudo começou por volta das 18h00, em Montargis, quando, segundo as informações do LusoJornal, Luís Bico tinha a música alta no carro, com os vidros abertos. Alguém de uma janela teria chamado a atenção do português, mas Luís Bico não gostou e foi nessa altura que sacou uma faca e ameaçou a pessoa. Esta teria notado a matrícula do carro e alertou de imediato as autoridades.

Quando os polícias tentaram interpelá-lo, perto da sua residência, em Châlette-sur-Loing, o emigrante português trancou-se no carro e, ainda segundo a mesma fonte, exibiu a faca e ameaçou matá-los e “colocar bombas em toda a cidade”.

Numa gravação vídeo feita por um vizinho, que circula nas redes sociais, vê-se a chegada de reforços, os agentes a cercarem o veículo para impedirem o homem de fugir e a baterem no vidro lateral e no para-brisas.

Apesar de haver dois veículos policiais a barrar-lhe a saída à retaguarda, Luís Bico faz marcha atrás, embate neles, depois avança e consegue sair do estacionamento, altura em que os polícias começam a disparar sobre a viatura – ouvem-se vários tiros – que avança alguns metros por um jardim e acaba por deter-se num relvado próximo de um supermercado, crivada de balas.

O emigrante português sucumbe aos ferimentos.

“É uma família portuguesa, envolvida na vida associativa da Comunidade de Châlette-sur-Loing”, disse à France Bleue o Maire Franck Demaumont, que esteve no local no sábado à noite.

O emigrante foi de férias a Portugal com a mãe, mas teria-se chateado com esta, segundo informações não confirmadas pelo LusoJornal, e antecipou o seu regresso a França. A mãe estava ainda em Portugal e deve chegar hoje a Châlette-sur-Loing.

Há quem considere a reação da polícia desproporcionada. “Até porque alguns tiros para os pneus teriam sido suficientes” dizem ao LusoJornal.

Aliás, o Maire Franck Demaumont mandou organizar uma Célula psicológica para ajudar as muitas pessoas do bairro que assistiram à cena e que possam ter ficado traumatizados com a forma como o português foi abatido.

Luís Bico já tinha estado internado várias vezes, mas não tinha cadastro.

Seguindo o procedimento regulamentar habitual sempre que um polícia faz uso da sua arma de fogo, o Ministério público convocou a Inspeção-Geral da Polícia Nacional francesa (IGPN), conhecida como “a polícia das polícias”, que se deslocou de Rennes para Châlette-sur-Loing e iniciou no domingo de manhã o seu inquérito para esclarecer a intervenção da brigada policial.

Os investigadores da IGPN vão ficar uma semana no local para determinar se o argumento de legítima defesa pode ser invocado pela polícia e se a resposta foi proporcional à ameaça.

Os agentes e várias testemunhas do episódio estão agora a ser ouvidos pela IGPN.

Contactado pela Lusa, o Comissariado da Polícia de Montargis declarou não poder fornecer informações sobre o caso.

A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas disse à Lusa, esta segunda-feira, que os serviços consulares não tinham sido, até àquele momento, contactados pelas autoridades francesas, pelo que desconhecia mais pormenores sobre o incidente.

Mas entretanto o LusoJornal sabe que o Cônsul Honorário de Portugal em Orléans tem estado em contacto com o Maire Franck Demaumont e se disponibilizou para prestar apoio às família do português abatido, nomeadamente para a preparação das cerimónias fúnebres. José de Paiva também estará presente em Chalette-sur-Loing por ocasião da Célula psicológica que o Maire da cidade mandou organizar.

 

Carlos Pereira, com Lusa.

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