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O documentário “Kuzola, le Chant des Racines”, que acompanha a criação de um disco por terras lusófonas, vai chegar aos cinemas franceses este ano.

O filme foi realizado pelo francês Hugo Bachelet e foi rodado em 2015 entre a França, o Brasil, Portugal e Angola, retratando a criação do primeiro disco da cantora franco-angolana Lúcia de Carvalho.

O disco, intitulado “Kuzola”, juntou músicos de três continentes e inspirou-se em sonoridades como o semba angolano, o samba brasileiro, ritmos funk, soul e rock. “A chegada aos cinemas vai ser um pouco especial porque vai ser organizada em torno de uma digressão de projeções e de ‘showcases’ da Lúcia nos cinemas. As projeções vão começar antes do verão mas vão estar essencialmente concentradas no outono e no inverno”, explicou à Lusa o realizador.

Para já, “Kuzola, le Chant des Racines” vai abrir, a 24 de janeiro, a 4ª edição do Peloponnisos International Documentary Festival, na Grécia, depois de ter estado em vários festivais de cinema nos Estados Unidos, Suécia, França e Portugal e de ter sido apresentado antes dos concertos de Lúcia de Carvalho.

Em 2017, o filme venceu o prémio Melhor Documentário e Melhor Filme Estrangeiro no Festival do Filme Independente de Estocolmo e foi selecionado para o CinAlfama Lisbon International Film Awards.

As gravações de “Kuzola”, que contaram com a participação de cerca de 30 músicos locais dos diferentes países, foram acompanhadas pela câmara de Hugo Bachelet que percebeu que o disco “era qualquer coisa muito pessoal” e que a música era o “passaporte” de Lúcia de Carvalho para viajar em busca das suas raízes.

“Conheci a Lúcia através do Édouard Heilbronn, o seu guitarrista. Quando ela me contou a sua história e que queria fazer um disco entre Angola, o Brasil e a França, pensei logo em contar a história através da música, utilizando o fio condutor da criação do disco para fazer o retrato desta mulher em busca das suas raízes”, descreveu o cineasta de 33 anos.

Lúcia de Carvalho, de 37 anos, nasceu em Luanda e para fugir à guerra civil angolana foi viver para uma aldeia de crianças em Almada com seis anos. Aos 12 foi adotada por uma família francesa da região da Alsácia, onde descobriu, mais tarde, os ritmos brasileiros no grupo de músicas tradicionais brasileiras “Bia de Assis et Som Brasil”. Em 2011, lançou um primeiro EP, intitulado “Ao Descobrir o Mundo”.

“Kuzola significa amar em quimbundo [idioma banto de Angola] em referência a essa energia do amor que nos permite ser profundamente nós mesmos e ao mesmo tempo une as coisas em nós e nos une aos outros. É essa energia do amor que une os humanos, por isso se chama Kuzola porque esse álbum foi criado entre a França, o Brasil e Angola”, disse a cantora à Lusa, em Paris, aquando do lançamento do disco, em 2016.

O álbum, que foi lançado em Portugal em junho do ano passado, conta com participações dos angolanos Banda Maravilha e Irina Vasconcelos, dos brasileiros Mário Pam do grupo Ilê Aiyê e Lazzo Matumbi, do cubano Alexey Martinez e do francês Robert Dam, entre outros.

Em 2016, Lúcia de Carvalho venceu o prémio “Prix Cap Magellan/Mikado – Trace Toca da melhor revelação artística” na Noite de Gala oferecida pela autarquia parisiense à Comunidade portuguesa, no Hôtel de Ville de Paris.

O documentário “Kuzola, le Chant des Racines” é produzido pela Couac Productions e vai ser distribuído pela Ligne 7.

 

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