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Em março de 1916, Portugal entra em Guerra contra a Alemanha, depois de várias confrontações entre as tropas alemãs e portuguesas, no Sul de África, em Angola e Moçambique, e o incidente diplomático devido à confiscação por Portugal de 36 navios alemães nas águas territoriais portuguesas, a pedido do Reino Unido.

O governo da jovem República Portuguesa, proclamada a 5 de outubro de 1910, sob a impulsão do seu Primeiro Ministro Afonso Costa, e do seu Ministro de Guerra José Norton de Matos, decide – no âmbito da histórica aliança militar com os britânicos – propor ao Parlamento o envolvimento do país no conflito mundial, ao lado dos seus amigos, Ingleses e Franceses.

Ao entrar neste conflito, Portugal esperava reafirmar a sua legitimidade no seio das Nações Europeias, e preservar a integridade das suas colónias em África, Angola e Moçambique, em relação às quais, acordos secretos de partilha teriam sido concluídos desde 1898, entre o seu aliado britânico e a Alemanha.

Há que salientar igualmente a presença de cerca de uma centena de Portugueses, residentes em França (intelectuais na sua maioria), presentes no conflito desde o seu início, integrados na Legião Estrangeira.

O Estado-Maior britânico contenta-se, num primeiro tempo, com a única ajuda material de Portugal, mostrando-se cético em relação à mais-valia que pode representar para as forças aliadas o envolvimento da jovem República Portuguesa.

Finalmente a França, tendo conseguido convencer o seu aliado britânico a aceitar um reforço português, um Corpo Expedicionário Português (CEP) é constituído, compondo duas divisões totalizando 56.500 soldados.

Este corpo expedicionário, sob o comando do General Tamagnini, desembarca em Brest em fevereiro de 1917, e estaciona em Aire-sur-La-Lys, no Pas-de-Calais, sendo incorporado ao 11º Corpo da 1ª Esquadra britânica do General Horne.

Em novembro de 1917, este General confia ao CEP a responsabilidade da defesa de uma frente de 11 km na Flandres francesa. A zona a defender, uma planície entre a Lys e o Canal de La Bassée, é muito húmida e lamacenta.

Os soldados portugueses, combativos, corajosos e disciplinados, têm grandes dificuldades de adaptação às condições climáticas, particularmente difíceis do inverno de 1917-1918.

Em dezembro de 1917, um golpe de Estado derruba o Governo português. Sidónio Pais acede ao poder. O envolvimento de Portugal junto dos Aliados é posto em causa. O novo Governo estabelecendo um sistema de permissão muito mais estrito, autorizando o prolongamento das estadias no país.

O Corpo Expedicionário Português, vê-se por esse facto rapidamente confrontado com uma falta de oficiais para acompanhar as tropas.

Quando a Batalha de La Lys acontece, a 9 de abril de 1918, as duas divisões do CEP, incompletas e mal apoiadas, devem enfrentar no seu setor cerca de dez divisões alemãs, em três linhas sucessivas.

Apesar de alguns focos de resistência, os soldados portugueses são aniquilados pela ofensiva alemã.

A 13 de abril, as unidades portuguesas são enviadas para apoiar a 14ª e 16ª divisões britânicas, que acabam por ser reagrupadas numa única divisão, que participará na ofensiva aliada do verão 1918.

Quando é ordenado o cessar-fogo, a 11 de novembro de 1918, os Portugueses atingiram l’Escaut, e entraram na Bélgica.

Em cerca de 56.000 homens mobilizados, Portugal deve deplorar em 1918 cerca de 2.266 soldados mortos no combate, 1.935 desaparecidos, 4.728 feridos graves (60% dos quais mortos nos cinco anos que sucederam a guerra) e 7.756 prisioneiros de guerra.

No Cemitério Militar Português de Richebourg estão sepultados os corpos de 1.831 soldados que caíram, nomeadamente no momento da terrível Batalha de La Lys, que continua a ser o símbolo da implicação e do envolvimento de Portugal na Primeira Guerra Mundial.

 

Uma exposição itinerante

A exposição de fotografia “Os Portugueses na Primeira Grande Guerra”, realizada em dois exemplares pelo Comité Nacional Francês de Homenagem a Aristides de Sousa Mendes, pela Liga dos Combatentes Portugueses, e pela Rede Aquitânia para a História e a Memória da Imigração, já exposta em Paris, Bordeaux, Poitiers e Limoges, encontra-se atualmente patente em Oloron Sainte Marie.

Esta é uma exposição itinerante, que se decompõe em 24 painéis iniciais, que preenchem uma importante lacuna da História, homenageando-se com todas as fotografias, a vida dos combatentes na frente de batalha, e seis painéis que podemos apelidar de Honras e Reconhecimento, a todos estes soldados portugueses de todos esquecidos, com os testemunhos de gratidão de Raymond Poincarré, em 14 de julho de 1918, do Maréchal Foch, a 13 de julho de 1922, o monumento aos heróis portugueses em La Couture, inaugurado a 10 de novembro de 1928, o Cemitério de Richebourg, a cripta do soldado desconhecido no Mosteiro da Batalha, em Portugal.

Esta exposição, que dispõe de um catálogo explicativo, pode ser acompanhada por uma das cinco pessoas que estiveram na sua origem, que se disponibiliza para fazer uma conferência sobre este tema, pode ser solicitada e reservada por qualquer organismo público, e, ou, privado, junto do Comité Sousa Mendes.

O Comité Nacional francês Aristides de Sousa Mendes, agradece a todos os parceiros de excelência pelo apoio e ajuda na elaboração desta exposição, nomeadamente, e muito especialmente o LusoJornal, e a Liga dos Combatentes Portugueses, sem os quais este projeto nunca poderia ter sido concretizado.

Através desta exposição, honra é feita finalmente a estes esquecidos da História!

 

Para reservar a exposição:

comité@sousamendes.org

Infos: 06.23.19.01.83

 

 

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