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O militante do CDS/PP Isaías Afonso, participou no 27° Congresso do Partido, que decorreu no fim de semana passado, em Lamego, e abordou questões relacionadas com a Emigração e as Comunidades portuguesas.

Isaías Afonso já foi várias vezes candidato às eleições legislativas. Foi professor de português em França e ainda partilha a sua vida entre Portugal e Paris.

Transcrevemos a intervenção de Isaías Afonso.

 

«Este é o meu 24° Congresso a que assisto. Num destes, se bem me lembro, parafraseando o nosso Vitorino Nemésio, o Professor Luís Barbosa perguntou: Quem manda no CDS? Como ninguém se tivesse acusado, respondeu: Então mando eu!

Presentemente há quem mande e bem com a atual liderança.

Mas em matéria de emigração, pretendo mandar eu, porque no CDS há uma diminuta definição para uma verdadeira política para a diáspora. O que se tem feito é delegar no PSD toda a política respeitante à «Nação peregrina em terra alheia».

O que foi curioso verificar é que o CDS foi coligado nas últimas eleições legislativas com o PSD e a coligação saiu vencedora pela primeira vez no Círculo da Europa, à frente do PS, e eu tenho a certeza que muito contribui para essa vitória, pois em nome do CDS fiz uma excelente campanha, reconhecida pelos Deputados Europeus do PSD, onde realcei o que tem sido debatido em seminários internacionais, nos quais estive presente em nome da FTDC.

No entanto, o nosso Partido nada negociou que permitisse ao CDS ter um elemento para assessorar o Secretário de Estado das Comunidades, se fôssemos Governo, ou o Deputado eleito com os meus votos, ou sejam, os votos do CDS.

O Portugal no mundo não é apenas a diplomacia económica, ainda que seja importante, mas também outras variáveis, como a localização dos Consulados ou excesso do preço dos emolumentos por atos consulares.

O incremento do movimento associativo com a participação de jovens emigrados, organizando encontros com eles, com vista a essas mudanças.

Negociar a transferência de montantes das aposentações para Portugal e nunca reivindicadas por emigrantes portugueses, quando do seu regresso a Portugal, nomeadamente aqueles que retornaram sem o tempo necessário para a sua aquisição. Este montante em França ronda os 60 milhões de euros.

A difusão do nosso idioma e cultura é outra questão a debater em moldes atuais.

Desapareceram os exames que certificavam conhecimentos adquiridos em diversos níveis de aprendizagem, como o 6°, 9° e 11° anos. Os custos limitavam-se à sua realização.

A redução do número de docentes tem sido uma tragédia. Para os mais de 1.000 docentes portugueses na UE estão reduzidos a menos de 1/3 na UE, e em França, como exemplo paradigmático, está reduzida a 89 professores, pagos à hora, para 15.000 alunos, quando ali estiveram em tempos recentes 462 para 55.000 alunos e 2.600 cursos, e estes eram apenas 50% dos alunos portugueses escolarizados no sistema francês.

Estes poderiam belamente ser a nossa Demografia de Substituição no futuro.

Suprimiram todos os exames do Curriculum Completo para alunos não escolarizados nos sistemas dos países de acolhimento e destinados a jovens adultos. Até os exames do 12° ano a nível Nacional foram suprimidos, depois do meu empenho, com uma proposta aceite pelo Ministério da Educação, para em França serem efetuados, com correção em Portugal, o que proporcionou entrada de alunos nas universidades francesas.

Apostar com mais eficácia na criação de Secções Internacionais para a realização do correspondente ao nosso 12° Ano de Opção Internacional, negociando mais com as autoridades dos países de acolhimento.

Dotar a nossa Secção do Liceu Internacional de S. Germain-en-Laye, o liceu modelo, pois possui 14 Secções, e a do Liceu Montaigne, em Paris, onde dei aulas, de meios financeiros adequados para ali poderem levar escritores e historiadores portugueses a efetuar conferências nos próprios estabelecimentos, dando uma perspetiva elevada da nossa Literatura e Cultura nas modalidades de História e Geografia.

Mesmo em Portugal deveriam ser criadas Secções Internacionais nas Escolas Básicas e Secundárias com população de jovens imigrados, sobretudo ligados aos PALOP’s, com Literatura Africana de Expressão Portuguesa e História de África.

Isto nada tem a ver com o falhanço do multiculturalismo na UE, mas sim com um saudável e desejável diálogo intercultural.

Não tiraremos nós vantagens nas nossas relações económicas com os PALOP’s?

Dispor as Coordenações Gerais de mais pessoal para levar à prática uma melhor formação pedagógica dos docentes com o restabelecimento dos dois setores ligados à Lingua e à Cultura separadamente.

Cabe ao CDS, mesmo na oposição, bater-se pelo alargamento da participação política dos nossos trabalhadores em mobilidade no espaço europeu, de forma a esbater cada vez mais a designação de emigrantes, nomeadamente incrementar:

– A Participação na eleição dos Deputados Europeus, dos Deputados à AR nos Círculos da Emigração, mais de 4 Deputados, e do Presidente da República.

– Acabar com a eleição por correspondência, mas pela utilização de novas tecnologias ligadas à informática, dado que o primeiro processo estar sujeito a constantes fraudes condenáveis.

– Descentralizar das Embaixadas os processos eleitorais com recurso ao voto informático.

– Conceder todo o apoio aos dois membros emigrados que hoje fazem parte do Conselho nacional de Educação e do Conselho Económico e Social.

– Tornar visíveis e evidentes em termos concretos as nossas propostas para a diáspora, sem as quais nunca seremos vencedores sem o apoio do PSD.

Precisamos de vozes tribunicias para sermos escutados para lá das nossas fronteiras.

Os nossos compatriotas ausentes fazem parte do termo ‘Todos’ e, por isso, não podem ser excluidos ou olvidados».

 

 

 

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