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A internacionalização da economia, tanto na vertente de apoio à exportação e instalação em novos mercados como de captação de investimento estrangeiro, tem os ventos a favor.

Não se trata apenas de Portugal ter entrado definitivamente nos radares internacionais, com alguns dos gigantes tecnológicos a anunciar a vinda para o país, como a Google, mas também porque existe hoje uma estratégia de internacionalização clara e estruturada a nível do Governo, o que obviamente potencia ainda mais os ventos favoráveis que tocam Portugal.

A internacionalização da economia surge agora de uma forma mais articulada nas relações entre Ministérios, entre o Programa Estratégico da AICEP e o Programa Internacionalizar, entre o setor público e o privado. É mais ambiciosa, alarga-se a outros domínios, está melhor definida e ocorre em simultâneo com um esforço de internacionalização de outras áreas impulsionadas pela política externa, como a cultura, a língua, as universidades ou a ciência.

Os resultados até agora alcançados são muito positivos e só podemos sentir orgulho por isso e pela admiração que do exterior existe sobre Portugal e os Portugueses. No âmbito das regras da União Europeia, primeiro Portugal saiu do procedimento por défice excessivo e agora passou de país com as contas “excessivamente desequilibradas” para as ter apenas “desequilibradas”, a par de outros como a Suécia, Alemanha, Bulgária, Irlanda ou Holanda.

Antes, já as agências de notação financeira tinham subido dois lugares o rating do país, o que é coisa pouco frequente acontecer. Além disso, o desemprego desceu para os níveis de pré-crise, o défice é o mais baixo da história, a dívida continua a descer e o Ministro das Finanças, Mário Centeno, foi eleito Presidente do Eurogrupo, o que tem um grande significado não apenas para Portugal, mas também para a Europa, que assim sinaliza, definitivamente, o virar de página da pulsão austeritária.

Este contexto favorável vem assim dar um contributo precioso para que se instale a ideia que Portugal é um país moderno, atrativo e com excelentes recursos humanos, fruto do trabalho exigente das nossas universidades, que são cada vez mais procuradas para parcerias em projetos de desenvolvimento tecnológico. Além disso, a mudança da Websummit para Portugal e o sucesso que tem tido contribui para a construção desta imagem, que pelo desempenho do país e da economia, cola com a realidade.

Merece particular destaque o facto de estarem atualmente a ser acompanhados pela AICEP projetos de investimento em Portugal que totalizam um montante da ordem dos 2,3 mil milhões de euros, superior a 50 projetos e com um potencial de criação de cerca de 9 mil postos de trabalho, o que só pode ser considerado verdadeiramente notável, pelo que significa de garantias de continuidade do dinamismo da economia portuguesa.

Entre as medidas previstas para os diversos domínios no Programa Internacionalizar, as orientações destinadas a reforçar a relação com as Comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e com os membros da CPLP, merecem uma referência particular, precisamente por serem dois domínios relevantes da nossa política externa e com um grande potencial por desenvolver.

As Comunidades portuguesas têm no Programa Internacionalizar o seu lugar próprio, num esforço consistente que tem vindo a ser feito de apoiar os projetos de investimento no país de empresários portugueses residentes no estrangeiro e incentivar os empresários nacionais a internacionalizarem-se através das empresas de portugueses espalhados pelo mundo.

Para potenciar este envolvimento, o Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora, na dependência da Secretaria de Estado das Comunidades, tem feito um muito relevante trabalho de identificação de empresas e de apoio àquelas que querem investir em Portugal.

Por outro lado, de acordo com o presidente da AICEP, Luís Castro Henriques, as Câmaras do Comércio portuguesas no estrangeiro têm sido parceiros centrais na procura de dinamização do investimento. De referir, neste contexto, que foi o Governo do PS que recentemente aprovou a atribuição do estatuto de utilidade pública à Câmara do Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, uma antiga aspiração desta importante estrutura que existe num país, a França, onde existirão perto de 50.000 empresários portugueses ou de origem portuguesa.

Já que no que diz respeito aos países africanos de expressão portuguesa, há ainda um longo caminho a percorrer quanto ao aprofundamento das trocas comerciais, que atualmente representam apenas cerca de 1 por cento nas importações e cerca de 4,5 por cento nas exportações. De sublinhar que, no âmbito das orientações recentemente definidas na nova visão estratégica para a CPLP, a intensificação da cooperação económica e empresarial ocupa um lugar central. O reforço da dimensão económica é sempre, com efeito, um elemento importante no aprofundamento das nossas relações de cooperação, amizade e desenvolvimento mútuo.

 

 

 

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