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As comemorações do Centenário da Batalha de La Lys foram dignas! A data foi devidamente comemorada tanto nos eventos em Paris como nos do Norte da França.

A presença do Presidente da República e do Primeiro Ministro nestes eventos impunha-se. E fizeram bem em vir, com tempo, para participar na totalidade do programa das Comemorações.

Implicar o Presidente Macron também teve uma importância fundamental. O trabalho diplomático não devia ter sido fácil para conciliar agendas e para organizar na prática, em tão pouco tempo, estas comemorações.

Mas – há sempre um mas – há qualquer coisa que falhou nestas comemorações. Faltaram ideias e faltou público.

 

Faltaram ideias

Ao longo dos anos, as comemorações da Batalha de La Lys estavam bem “rodadas”. Sempre se passaram – pelo menos nos últimos 14 anos que as temos acompanhado – praticamente da mesma forma. Uma primeira cerimónia em Richebourg e uma segunda em La Couture.

Se olharmos bem para o programa, este ano – apesar de ser ano de Centenário – não houve inovação. Houve primeiro uma cerimónia em Richebourg e depois uma segunda em La Couture. Não houve nenhuma cerimónia no Cemitério de Boulogne-sur-Mer, nem visita, por exemplo, ao Anneau de la Mémoire, não muito longe de Richebourg, onde está a lista dos mais de 2.200 soldados portugueses que morreram durante a Guerra.

Durante anos falaram-nos de uma “Comissão interministerial” e isso induziu-nos em erro. Pensavamos nós que estas comemorações implicariam não só o setor da defesa e dos negócios estrangeiros, mas também, por exemplo o da cultura e o da educação.

Houve um concerto de Fado em Béthune e uma exposição em Arras. Confesso que soube a pouco. Mas teria eu posto a fasquia demasiado alta?

Há anos que se fala numa ação de massa pelas escolas de português – pelo menos essas – com trabalhos feitos pelos alunos, sendo este o tema dos diferentes Concursos que se realizam em França, com viagens de estudo, com intercâmbios entre escolas,…

Foi fasquia alta demais! Foram convidados alunos das Secções internacionais para cantar os hinos no Arco do Triunfo e foram convidados alunos franceses do Norte para cantaram os hinos em Richebourg. E foi lindo, emocionante até. Mas estava à espera de tantas mais coisas…

Em todas as entrevistas, em todos os debates, nas conversas de corredor, há sempre uma constatação evidente: praticamente não há livros publicados em França que contem a participação dos Portugueses na I Guerra Mundial.

Aqui estava uma oportunidade para corrigir esta lacuna, traduzindo livros que existem em Portugal, muitas vezes testemunhos dos próprios soldados, editados logo depois da Guerra, ou obras mais recentes sobre esta temática.

Era fasquia alta demais!

E os livros que foram publicados, deveu-se essencialmente a iniciativas individuais, como foi o caso, por exemplo, da publicação do livro de Manuel do Nascimento.

São apenas algumas ideias, que necessitavam de tempo, de meios e sobretudo de vontade política.

 

Faltou público

A participação do público esteve àquem das espectativas, sobretudo para uma data centenária como esta que agora se comemorou.

A escolha das datas foi fundamental.

Pessoalmente tenho criticado, ano após ano, que as comemorações da Batalha de La Lys decorram nas datas de conveniência dos Ministros. Um ano foi no dia 13, outro no dia 20,… até parece que a Batalha de La Lys foi quando Ministro quis.

A segunda-feira não foi a data mais apropriada para comemorar o centenário da Batalha de La Lys. Suponho que houve debate sobre esta questão – ouso esperar que sim. Mas um evento durante o fim de semana, no Norte da França, teria certamente um impacto maior.

Mesmo assim, o facto de organizar um evento em Paris, no domingo, podia ter mobilizado muito mais gente.

Então porque não mobilizou? Porque quatro dias antes das cerimónias, ainda não havia programa oficial!

Há que ter em conta que os milhares de Portugueses que moram em França – um milhão e meio como disse o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa – não frequentam os corredores da Embaixada de Portugal. E por isso, os órgãos de comunicação social têm uma importância acrescida para divulgar as informações.

Compreende-se que quem trabalhou no programa o fez com as dificuldades habituais de quem organiza eventos. Há sempre detalhes a resolver, imprevistos a ponderar, alterações de última hora,… Todos os eventos são assim, e este tem a particularidade de implicar gente com agendas muito carregadas.

Mas era importante ter destacado dois ou três eventos e comunicar sobre esses eventos para mobilização da Comunidade.

Há gente que foi de autocarro desde Bordeaux e Viroflay, e há gente que acabou por anular a viagem por desconhecer o programa. Um autocarro não se aluga em algumas horas, uma viagem não se organiza numa semana, e quando há muitas incertezas, o melhor é evitar despesas.

Foi o que aconteceu este ano.

Já em anos anteriores as associações organizaram viagens a Richebourg, as escolas levaram alunos,… este ano, praticamente nada disto foi feito.

Por outro lado, toda a comunicação foi feita pela negativa. Ou porque era necessário chegar muito cedo, ou porque não era possível estar no evento da Avenue des Portugais e no Arco do Triunfo, ou porque não era possível entrar no Cemitério,… Era tudo muito negativo e acaba por desmotivar muita gente.

 

Faltou mobilização

Para mobilizar público, para fazer deslocar gente, para dar nas vistas, este tipo de eventos tem de ter uma coordenação.

E neste caso, eu – que confesso não estar no segredo dos deuses – não vi coordenação para a mobilização. Eu que até dirijo um jornal com mais de 40 mil leitores, não fui convocado para nenhuma reunião. Suponho pois, que nenhum dos outros órgãos de comunicação social, o foram.

A certa altura, confesso que fiquei surpreendido por ver o Conselheiro de Paris, Hermano Sanches Ruivo, a convocar uma reunião com alguns dos atores da “Comunidade” para preparação do Centenário. Mas ainda bem que ele o fez, porque tentou colmatar efetivamente uma lacuna.

No Norte da França, o Comité Franco-Português presidido pelo Cônsul Honorário de Portugal em Lille, Bruno Cavaco, também foi reunindo para mobilizar gente.

Mas, na minha humilde opinião isto não chega para mobilizar população.

 

Balanço positivo

Devemos considerar que o balanço é negativo? Claro que não.

Apenas devemos considerar que podia ter sido ainda melhor.

Fazer obras no Cemitério uma semana antes das cerimónias, foi uma aposta arriscada. Certamente foram feitas tão tarde por causa do “peso” da Administração, mas há 100 anos que sabíamos que o Centenário era em abril de 2018…

Mandar fazer placas metálicas com o nome dos soldados para colocar nas lápides do Cemitério, foi uma boa ideia, mas de trazer as placas um dia antes das cerimónias para Richebourg, só podia dar no que deu: foram colocadas algumas e as outras… serão colocadas depois das comemorações.

Mas estes foram detalhes que não estragaram a “festa”.

A Embaixada de Portugal em França está de parabéns por ter conseguido este diálogo com as autoridades francesas e sobretudo por ter conseguido implicar o Elysée nas comemorações do Centenário.

O Ofice de Tourisme de Béthune e Bruay está de parabéns pelo programa que realizou – atempadamente – e pelos meios que disponibilizou para o realizar. Aurore Rouffelaers foi uma peça importante nestas comemorações e ouso esperar que Portugal se lembre disso…

Quanto ao LusoJornal, foram publicados dezenas de textos sobre o Centenário. Falámos do assunto exaustivamente, como tem acontecido desde abril de 2005, onde pela primeira vez fizemos a cobertura das comemorações, em Richebourg e em La Couture. Desde então, munca mais estivemos ausentes.

Mas este ano foi especial!

 

 

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