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«Aos dezassete anos, alistei-me no Corpo Expedicionário Português». Esta é a primeira frase do romance «Os olhos de Tirésias» – que tem por subtítulo «A vida extraordinária de um soldado português na Primeira Guerra Mundial», de Cristina Drios, publicado em 2013. O soldado chama-se Mateus Mateus, que partiu no contingente português para a Flandres, onde foi «cavador de valas, fazedor de trincheiras e, quando calhou (e calhou muito), também maqueiro e coveiro, por saber dar bom uso à minha velha sapa. Ao mesmo tempo, fui soldado e, enquanto fui soldado, tive outras funções, sempre secretas».

Em 1916, em Lisboa, antes de embracar para Brest, antes de chegar ao palco da guerra e antes da tragédia da Batalha de La Lys, Mateus Mateus, que possui dons premonitórios, observa «aqueles que, tementes, ainda ssim discordavam das políticas do governo afonsista», e passa por um enorme cartaz que exortava: «Soldados, não deixai que vos levem para o matadouro».

Muitos anos depois da guerra, a narradora (neta de Mateus Mateus), ao descobrir um retrato do avô, cuja história a família sempre encobriu, resolve escrever um romance sobre esse seu antepassado. Assim, ao longo dos capítulos, acompanhamos a narradora pelos lugares da guerra (Saint Venant, Neuve-Chapelle, Ferme-du-Bois, Richebourg, etc.), no norte da França, e descobrimos personagens incomuns e inesquecíveis, entre os quais Georgette Six, a bela enfermeira francesa, «uma mulher extraordinária à frente do seu tempo», que perdeu o noivo na guerra e pela qual Mateus Mateus se tornará um homem diferente.

Cruzando épocas e espaços, realidade e ficção, Cristina Drios escreve um livro dentro de outro livro, numa escrita densa, que cativa e encanta, levantando questões sobre a existência humana e deixando pistas para reflexão.

Cristina Drios nasceu em Lisboa, onde frequentou o Liceu Francês Charles Lepierre. Desde 1992, exerce a advocacia. Tem três livros publicados: «Histórias Indianas» (2012), «Os Olhos de Tirésias» (2013) e o romance «Adoração» (2016), sobre a vida do pintor Caravaggio.

 

 

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