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A sétima edição do Salão do imobiliário e do turismo português em Paris vai ter lugar nos dias 18, 19 e 20 de maio, no Hall 5 do Parque de Exposições de Paris Porte de Versailles.

O evento é organizado pela Câmara de comércio e indústria franco-portuguesa (CCIFP), presidida por Carlos Vinhas Pereira, que acedeu responder às perguntas do LusoJornal.

 

Quais são as novidades para a edição do Salão deste ano?

Pela primeira vez vamos fazer uma conferência institucional, logo na abertura do Salão, para interessar os institucionais franceses pelo investimento imobiliário e turístico em Portugal. Habitualmente, o Salão estava mais dirigido para os investidores particular, mas este ano estamos a dar-lhe uma tendência institucional.

 

Porquê?

O facto de Portugal ter tido muito recentemente um up-grade nos ratings, faz com que Portugal agora esteja dentro dos critérios de investimento para as grandes empresas francesas, que têm requesitos em termos de saúde financeira. E Portugal volta novamente a ser alvo de investimentos. Por exemplo, vamos ter connosco a Secretária de Estado do Turismo, Ana Godinho, que vem falar do programa Reviva, que vai certamente interessar este tipo de institucionais. Vamos também fazer um pouco de B to B com um cocktail oferecido e que vai permitir aos institucionais de se aproximarem dos nossos expositores e dos profissionais portugueses que j’a trabalham neste mercado.

CCIFP

Que tipo de institucionais estão a prever ter?

Estamos a falar de promotores imobiliários, de construtores de hoteis, Tour Operators que tenham interesse no setor imobiliário e tudo o que é logística ligada à área do investimento imobiliário e turístico.

 

Que tendências se destacam atualmente no mercado imobiliário português?

Portugal, neste momento, continua a ter uma progressão de 3% de transações imobiliárias, e os Franceses têm uma grande parte – pelo menos 20% – dessas transações. E nós temos constatado que há uma carência de imobiliário novo, de construção. Há uma grande oferta de reabilitação, mas o que faz falta são os programas de imobiliário novo. Aliás é o que se passa também em França e vai ajudar muitos promotores franceses, os grandes, que vão interessar-se mais pelo mercado português e vão levar as técnicas que estão adotadas em França em matéria de segurança do comprador, ligadas por exemplo às garantias. O facto do cliente comprar sobre planta tem de ser dada uma garantia de seguros, de caução do bom desenrolar das obras.

 

A Silver economia continua de atualidade?

Sim, claro. Constatamos que os reformados continuam a querer investir em Portugal e estão a criar associações lá. Estou a pensar numa grande associação no Algarve com mais de mil associados e estas associações falam nas redes sociais e incentivam os amigos que ficaram em França e que ainda não tinham idade de se reformar, mas que hoje querem investir, apostando em construções novas e também procuram novos serviços. Tudo o que é segurança, sensibilidade, enfim conciergerie – que nem tem tradução – onde eles possam estar juntos, em parcerias com serviços locais como aluguer de carros, restauração e tudo o que é necessário para passar uma boa reforma.

 

Esses procuram tranquilidade…

Também há uma grande tendência na construção verde, que respeite o ambiente. Está muito na moda. Estamos cada vez mais a observar a construção de casas novas, que respeitam as preocupações ambientais. E os Portugueses têm muita sensibilidade nesta área. Constatamos por exemplo que há cada vez mais Franceses que querem comprar casas de madeira, em sítios não forcosamente perto da praia ou das grandes cidades, mas em localidades do interior, em meio rural que está a atrair cada vez mais Franceses. Procuram tranquilidade, e como têm meios de locomoção, não têm problemas depois de se deslocarem para a praia ou para as cidades.

 

Mas nesse caso necessitam de ser mais ajudados…

Efetivamente, isto está a privilegiar o apoio às pessoas. Há empresas que ajudam na instalação, facilitam a instalação sem que as pessoas tenham de se preocupar. Como estão num outro país e não dominam a língua, estas empresas estão a entrar neste mercado e a ter sucesso porque permitem que as pessoas não tenham chatices quando se instalam num país que não conhecem bem. Esta também é uma novidade no Salão deste ano.

 

Cada vez há mais empresas desse tipo?

Estamos a assistir a um mercado cada vez mais maduro, cada vez mais organizado, onde há cada vez mais profissionais, nas áreas bancárias, seguradores, no ramo da fiscalidade,… que fazem tudo para que as pessoas não tenham qualquer risco ao se instalarem. Há cada vez mais profissionais que se ocupam desta parte e que ajudam na instalação.

CCIFP

Também se nota a compra de residências secundárias em Portugal?

Claro que sim. É outra tendência. Cada vez há mais Franceses que em vez de investirem numa residência secundária em Bordeaux, Toulouse ou Montpellier, investem em Portugal porque os preços estão abordáveis, num país onde começa a haver um mercado do arrendamento, que não havia antes, e onde o RnB desenvolveu-se muito. Há pessoas que compram casas em Portugal e financiam o crédito da compra com o aluger no RnB ou outras empresas que estão a explorar este ramo em Portugal. Todos sabemos que há falta de hoteis em Portugal e esse é também um dos assuntos que queremos pôr em destaque, mas enquanto não forem construídos estes hoteis, estas empresas do tipo RnB têm dias felizes pela frente porque permitem absorber estes três milhões e meio de turistas franceses – para falar apenas nos turistas franceses – que continuam a ir para Portugal e a participar todos os anos, neste aumento de dois digitos em termos turísticos. Daí também estar presente pela primeira vez a Secretária de Estado do Turismo.

 

É importante a presença da Secretária de Estado do Turismo?

Sim. É a primeira vez que isso acontece. E vai permitir por em destaque as regiões e os municípios. Aliás vamos assinar dois Protocolos de parceria económica com dois municipios: o de Olhão e o de Famalicão. Vamos assinar durante o salão. Outro ponto importante é que vamos assinar um Protocolo com a Start-Up Lisboa, nomeadamente na parte que está relacionada com o turismo e o comércio, e este Protocolo vai ser assinado no âmbito de uma cooperação entre as cidades de Lisboa e de Paris, com representantes das duas autarquias. Para nós é importante que a Câmara de Comércio esteja envolvida neste Protocolo que implique Start-Up’s francesas e portuguesas, para abranger esta parte tecnológica portuguesa que é bem menos conhecida do que a parte de turismo e de imobiliário.

 

Vai ser então um Salão bem diversificado…

Será um salão bastante intenso em termos de acontecimentos, de conferências e de uma presença institucional portuguesa mas também francesa. Por exemplo, estamos a aguardar a confirmação da presença do Secretário de Estado francês do Comércio externo. Seria a primeira vez que teríamos um membro do Governo francês em 7 anos de salão. O que nunca aconteceu em anos anteriores.

 

Mas, o mercado português não começa a ficar saturado?

Não. O mercado português continua muito ativo. Todas as semanas há artigos, há compras, agora há cada vez mais ofertas públicas,… e há um profissionalismo que antigamente estava mais reservado aos setores dos reformados e da residências secundárias, ou até para atrair artistas com valor acrescentado, mas atualmente estamos a constatar cada vez mais profissionalismo na área do imobiliário em geral e do turismo. A única coisa que falta é mesmo uma oferta ligada à construção nova. Aliás, o facto de haver pouca oferta, pode fazer aumentar os preços, o que pode ser negativo em termos de evolução futura deste mercado. Mas estamos a constatar que cada vez há mais promotores imobiliários franceses ou franco-portugueses que querem investir em Portugal, e estamos a chamar a atenção para esta falta de oferta. Temos estado a convidar profissionais para construirem em Portugal, no Algarve, no Porto, em Lisboa, mas também nas grandes cidades do interior de Portugal que estão a atrair cada vez mais Franceses, pelo preço, pela tranquilidade, mas também pela qualidade de vida. Não estou pois preocupado com a continuação deste mercado. Até estou reconfortado porque as tais empresas estão a responder positivamente pelo interesse na construção nova. Vai ser um novo mercado, que vai criar novos postos de trabalho em Portugal e vai permitir às empresas anexas, como as de materiais de construção e outros, de também beneficiarem do crescimento. Falo também de tudo o que vive à volta do imobiliário como por exemplo os notários, advogados, bancos, seguros, fiscalistas e outros. Continuo optimista com este mercado.

 

O turismo em Lisboa cresceu muito. Tem havido sinais de especulação imobiliária e o turismo está a esvaziar a cidade em termos de habitantes. Isto não pode ser negativo?

Podia ser negativo se nada acontecesse. São necessários novas infraestruturas turísticas e deviamos favorecer o desenvolvimento de novas unidades hoteleiras na períferia de Lisboa, para não acontecer o que está a dizer no centro da cidade. Há certos sítios onde há especulação. No Chiado, por exemplo, na baixa, na avenida da Liberdade, onde se atingem preços quase como em Paris, mas isso já sabíamos que ia acontecer, porque são os melhores sítios. Mas o que devemos fazer é construir hoteis fora da cidade, na períferia, para evitar que os apartamentos do centro sirvam apenas para turismo e para evitar que Lisboa seja em grande parte invadida pelos turistas. Temos todos, o Governo, nós também, incentivar investimentos nos arredores de Lisboa, com preços razoáveis, para haver arbitragem entre os quartos de hotel nos centros da cidade e nos hoteis nos arredores.

 

Isso é possível?

Podemos tomar o exemplo de Paris. Como sabe, é a cidade mais visitada do mundo. E conseguiu evitar isso. O Governo português e a Câmara de Lisboa tomaram já algumas medidas para que os apartamentos sejam referenciados, para que tudo seja legal, para evitar atividades sem controle, o que daria uma má imagem deste setor em Lisboa. Isso sim, seria mau.

 

O salão assume-se como um elento importante no desenvolvimento de turistas e compra de imobiliário pelos Franceses?

Diria mesmo que foi a Câmara de Comércio que lançou esta tendência, em 2012. Até ali nada era feito para salvar o setor do imobiliário em Portugal, que estava em crise – uma crise da procura. Pouca coisa era feita em termos turísticos. Os Franceses iam para o Magrebe, para o Egíto, para a Grécia, e Portugal era um pouco esquecido. Nós invertemos esta tendência, contribuímos todos os anos para aumentar o número de Franceses que visitam Portugal e conseguimos mediatizar esta oferta. Esta tendência foi chamada, durante algum tempo, um fenómeno de moda. Mas uma moda dura apenas algum tempo e nós já vamos em 7 anos de Salão e com aumentos do turismo na ordem dos dois dígitos. Continuamos a contribuir.

 

Sabem quantos bens imobiliários já ajudaram a vender?

Sabemos que vamos ultrapassar os dois mil milhões de euros de vendas de bens imobiliários por intermédio do salão. E o facto da França ser o primeiro comprador de bens imobiliários em Portugal, deve-se à Câmara de Comércio. Não temos nenhum problema em o afirmar e ninguém nos pode tirar este mérito de ter popularizado ou democratizado o destino Portugal. Não havia, da parte institucional, nenhuma iniciativa e foi este Salão que permitiu realçar este investimento que se pode alcançar em Portugal. Estamos longe de ter atingido o ponto forte, a maturidade, porque ainda temos uma margem de progressão em termos imobiliários na construção de moradias novas, porque as pessoas querem construir a sua própria casa e escolher o sítio onde ela vai ficar. A Câmara de Comércio está de parabéns, assim como a sua equipa, pelas iniciativas que tomou, e que para mim, foram essenciais para constatar hoje o que foi feito.

 

 

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