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Quinta-feira, dia 24 de maio, terá lugar no Consulado Geral de Portugal em Paris, a apresentação do livro «Tão longe quanto possível» (Antítese Editores, 2018), de Diogo Fernandes. Uma oportunidade para descobrir ou conhecer um pouco mais uma obra e um autor cuja escrita se distingue pela procura, quase obsessiva, da palavra ou da frase, de modo a construir ou a desconstruir a perceção da realidade, sem por isso tornar penoso o espaço da narração, pelo contrário.

Diogo Fernandes é editor na Antítese Editores e frequenta o doutoramento em Estudos Portugueses na Universidade Nova de Lisboa, onde é docente e investigador.

«Tão longe quanto possível» reúne as experiências de três protagonistas – Jamens, William e Charles – durante a sua juventude, na cidade inglesa de Blackpool.

Apesar de poderem ser lidos individualmente, a disposição dos vários textos bem como a sobreposição dos mesmos temas, personagens ou locais, sugere a possibilidade de os integrar numa única narrativa, para a qual a estrutura da obra nos remete, em busca de acontecimentos e de um final, mas cujo destino deriva, em última análise, da perspectiva das próprias personagens em relação à sua vida: «Poder-se-ia dizer de nós que sempre nos entregámos a excessos ou que atravessámos a vida com uma fúria e obsessão inadequadas. A verdade é que nunca fomos dados a grandes gestos, nem nos deixávamos envolver pela predisposição trágica de muitos acontecimentos. Sujeitávamo-nos às circunstâncias com a mesma simplicidade com que elas se sucediam».

O hiato que separa cada um dos textos acaba também por adquirir uma importância inesperada na compreensão total deste conjunto, retratando a forma um pouco desconexa como a memória seleciona determinados eventos, em função de outros e lhes atribui uma importância que pode até variar consoante a percepção de quem os interpreta. Assim, com avanços e recuos, com gravidade e humor, cada narração de «Tão longe quanto possível», contribui para a construção de uma única história com momentos fortes, trazendo questões existenciais.

 

 

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