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O Deputado socialista Paulo Pisco, eleito pelo círculo eleitoral da Europa, discursou durante o XXII Congresso do PS, que teve lugar no fim de semana passado, na Batalha.

Transcrevemos aqui o discurso do Deputado:

 

«Caro Presidente,

Caro Secretário-Geral,

Caros camaradas,

Caros camaradas das Secções do PS no estrangeiro, que saúdo particularmente por manterem viva a chama do PS para além das nossas fronteiras.

.

Eu chamaria a este Governo um Governo virtuoso. Virtuoso porque aprofundou a democracia, trazendo para o arco da responsabilidade política o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, que contribuíram de forma prática para a estabilidade institucional e para o progresso económico e social.

Virtuoso, porque demonstrou que os socialistas são bons gestores da economia, colocando-a ao serviço das pessoas.

Virtuoso porque cumpriu as promessas de campanha, ao contrário do anterior Governo do PSD que mentiu em toda linha.

Virtuoso porque tornou estável e previsível a vida das famílias e das empresas e soube afirmar o humanismo, a tolerância e o respeito pela diferença.

Virtuoso ainda porque soube afirmar Portugal no mundo e compreender como nenhum outro a importância das Comunidades portuguesas.

Saúdo aqui esta sensibilidade muito particular numa linha de governação que vai do Primeiro-Ministro, ao Ministro dos Negócios Estrangeiros e ao Secretário de Estado das Comunidades, que deram projeção ao extraordinário potencial dos Portugueses residentes no estrangeiro e, mais do que isso, souberam compreender a sua necessidade de reconhecimento e valorização, para se envolverem mais no destino de Portugal.

As nossas Comunidades são um trunfo de primeira importância para o desenvolvimento do país, para combater o despovoamento e a progressiva perda de atratividade de uma boa parte das regiões do interior.

Na linha do que defende a Moção do Secretário-Geral, considero que os desafios mais sérios que o país tem de enfrentar no futuro imediato, a par da necessária atualização científica e tecnológica permanente, são o declínio demográfico e a perda de atratividade dos territórios do interior, que vão morrendo aos poucos, enquanto no litoral o sobrepovoamento de algumas zonas prejudica a qualidade dos serviços e a vida de cada um.

É preciso uma estratégia radical em investimentos e em ideias para atrair pessoas, empresas e profissionais para o interior, com políticas e programas que facilitem a recuperação demográfica. Um contributo importante pode ser dado com um apoio decidido ao regresso dos Portugueses residentes no estrangeiro, como proponho na Moção de que sou o primeiro subscritor, e com a vinda de estrangeiros que possam encontrar em Portugal as mesmas oportunidades que milhões de Portugueses tiveram quando emigraram.

Para isso, é preciso continuar a haver uma governação virtuosa, que continue a dar estabilidade ao país. Ao exercício sobranceiro do poder, prefiro a partilha democrática das responsabilidades na governação, porque reduz as tensões na sociedade e aumenta o progresso económico e social.

António Costa conseguiu mostrar à Europa e ao mundo que é possível governar à Esquerda, uma coisa rara nos dias que correm.

Não sei se esta experiência inspiradora se pode repetir. Certamente que dependerá dos resultados eleitorais. Mas fica provado que um entendimento à Esquerda também é fundamental para a Esquerda na Europa porque quanto mais Esquerda houver, mais se contraria o aumento das desigualdades, que, decididamente, são a maior ameaça à estabilidade social e política das nossas sociedades.

Uma governação que faz história só pode ser uma experiência para continuar.

Haja condições para ela se repetir e creio que nem devemos hesitar.

Viva o PS”.

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