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Documentário «Kuzola» sobre Lúcia de Carvalho chegou hoje aos cinemas franceses

O documentário «Kuzola, le Chant des Racines», que acompanha as gravações do primeiro álbum de Lúcia de Carvalho entre França, Portugal, Brasil e Angola, estreou-se nos cinemas franceses.

O filme retrata as viagens para a criação do disco «Kuzola», uma mistura de semba angolano, samba brasileiro, funk, soul e rock, que juntou cerca de 40 músicos em três continentes, como os angolanos Banda Maravilha e Irina Vasconcelos, os brasileiros Mário Pam do grupo Ilê Aiyê e Lazzo Matumbi, o cubano Alexey Martinez e o francês Robert Dam, entre outros.

Além de uma viagem musical, o documentário retrata uma busca das raízes da cantora franco-angolana, de 37 anos, que nasceu em Luanda, viveu em Almada entre os seis e os 12 anos e foi adotada, depois, por uma família francesa da região da Alsácia, onde descobriu o Brasil num grupo de músicas tradicionais brasileiras.

«‘Kuzola – O Canto das Raízes’ é mesmo essa mistura: o ‘canto’ em relação à minha profissão de cantora e ‘raízes’ pelo facto de ter voltado mesmo para Angola e de ter tanto essa mistura entre estar aqui em França, fazer música brasileira, saber que nasci em Angola. Tinha um momento em que eu não sabia bem quem eu era», contou à Lusa Lúcia de Carvalho.

A base do disco e do documentário foi feita em Strasbourg, com a voz de Lúcia de Carvalho e a guitarra de Edouard Heilbronn, aos quais se foram juntando, ao longo das viagens, vários instrumentos, ritmos e vozes diferentes em Salvador da Baía, Recife e Luanda, com uma passagem por Portugal para visitar a aldeia de crianças onde a cantora cresceu.

A viagem ajudou Lúcia de Carvalho a compreender-se como «uma mestiçagem», em que as «raízes são angolanas, o caule é Portugal, a flor é o Brasil e o chão é a França, o solo fértil que permite a flor crescer».

O disco «Kuzola», uma palavra que significa amar em quimbundo (idioma banto de Angola), reflete essa mestiçagem, por exemplo, nas músicas «O que eu quero», do angolano André Mingas, onde o semba se mistura com o samba e «De sol, de sol» em que o maracatu afro-brasileiro de Recife se cruza com «algo mais funk da cultura ocidental».

Para Lúcia de Carvalho, o álbum «reflete algo para além da música», tem «vibrações kuzola» e «uma energia boa», que também espelha os lugares visitados ao longo de 2015 e «a alma de cada pessoa com quem» tocaram.

O disco foi lançado em Portugal em junho do ano passado e o próximo passo é conseguir distribuição do filme em Portugal, no Brasil e Angola, disse à Lusa o realizador do documentário Hugo Bachelet. «Gostaríamos muito que o filme fosse lançado nos locais onde filmámos porque aí é muito interessante descobrir a Lúcia, uma angolana que regressa a casa, que nunca esqueceu o país de origem apesar de se ter tornado francesa e de coabitar com duas línguas e duas culturas», afirmou o realizador de 33 anos.

Para já, o objetivo do filme é «dar a conhecer» Lúcia de Carvalho em França «porque quando se canta em português em França, chega-se ao público lusófono mas é complicado atingir o grande público», acrescentou Hugo Bachelet, sublinhando que o documentário esteve em antestreia em várias salas francesas, seguido de ‘showcases’ de Lúcia de Carvalho.

Em 2017, «Kuzola – Le Chant des Racines» venceu o prémio Melhor Documentário e Melhor Filme Estrangeiro no Festival do Filme Independente de Estocolmo e foi selecionado para o CinAlfama Lisbon International Film Awards.

O documentário passou, também, em vários festivais de cinema nos Estados Unidos, Suécia, França e Grécia, tendo sido seguido de ‘showcases’ de Lúcia de Carvalho.

Em 2016, Lúcia de Carvalho venceu o prémio «Prix Cap Magellan/Mikado – Trace Toca da melhor revelação artística» na Noite de Gala oferecida pela autarquia parisiense à Comunidade portuguesa, na Mairie de Paris.

O documentário «Kuzola – Le Chant des Racines» é produzido pela Couac Productions e está a ser distribuído pela Ligne 7.

 

 

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