Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.

Os atentados de Paris, em novembro de 2015, inspiraram Emmanuel Demarcy-Mota na construção da peça “Estado de Sítio”, de Albert Camus, que o encenador apresentou no dia 14 de julho, no Teatro S. Luiz, em Lisboa, integrada no 35º Festival de Almada.

No ano em que passam 70 anos sobre a estreia absoluta desta peça do escritor francês, que em 1957 viria a ser galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, Emmanuel Demarcy-Mota, Diretor do Théâtre de la Ville, em Paris, põe em cena este texto de um autor da sua “adolescência”, para “combater o medo”, como destaca o programa do Festival.

“Quando fecharam os teatros, lutei pela sua reabertura o mais rápido possível”, observou o antigo Diretor da Comédie de Reims, numa alusão aos atentados ocorridos à porta de cafés, restaurantes e na discoteca parisiense Bataclan, em novembro de 2015, que causaram 130 mortos e mais de 350 feridos.

Por isso, nesta peça em que Camus situou a ação em Espanha, para denunciar a cumplicidade entre a igreja e os tiranos do mundo, o encenador de ascendência portuguesa colocou um casal contemporâneo, apaixonado, que vai ser capaz de “ultrapassar o medo e a inépcia”, resistindo e “dando o exemplo aos restantes cidadãos”.

“Estado de Sítio” tem nova representação no domingo, e ambas as récitas assinalam também os 20 anos do Pacto de Amizade e Cooperação entre Lisboa e Paris.

Para assinalar a efeméride, o Théâtre de La Ville organizou, no sábado à noite, no espaço Cardin, a iniciativa “Paris-Lisbonne Stories”, uma noite festiva que teve ligação em vídeo em tempo real ao S. Luiz, em Lisboa.

Vinte e quatro produções, nove das quais portuguesas e 15 estrangeiras, 11 concertos de entrada livre e quatro espetáculos de rua preencheram a edição deste ano do Festival de Almada, que decorreu até hoje, dia 18, em vários espaços da cidade de Almada em algumas salas de Lisboa.

 

 

Gostou deste artigo? Vote, participe!
Votação do Leitor 2 Votos
8.7