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No passado domingo, João contou-nos como Jesus alimentou a multidão, multiplicando a merenda de um jovem (cinco pães e dois peixes), na margem do Lago de Tiberíades (cf. Jo 6,1-15). Ao anoitecer, Jesus e os discípulos voltaram a Cafarnaum (cf. Jo 6,16-21). Na manhã seguinte, a multidão que tinha sido alimentada pelos pães e pelos peixes multiplicados e que ainda estava do outro lado do lago, apercebeu-se de que Jesus tinha regressado a Cafarnaum e dirigiu-se ao seu encontro. O episódio que o Evangelho do próximo domingo nos apresenta situa-nos em Cafarnaum, no dia seguinte ao episódio da multiplicação dos pães e dos peixes.

O gesto que saciou a multidão pretendia ser uma lição sobre a partilha, mas revelou-se um verdadeiro “auto-golo”, gerando equívocos e falsas esperanças nos corações das pessoas que seguiam Jesus. «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados». A multidão não foi sensível ao significado profundo do milagre. Ficou-se pelas aparências e só percebeu que Jesus podia oferecer-lhe, de forma gratuita, pão e peixe com que saciar a própria fome.

O caminho que percorremos nesta terra é sempre um caminho marcado pela procura da nossa realização, da nossa felicidade, da vida plena e verdadeira. Temos fome de vida, de amor, de felicidade, de justiça, de paz, de esperança, de transcendência e procuramos, de mil formas, saciar essa fome; mas continuamos sempre insatisfeitos, tropeçando na nossa finitude, em respostas parciais, em tentativas falhadas de realização, em esquemas equívocos, em falsas miragens de felicidade e de realização, em valores efémeros, em propostas que parecem sedutoras, mas que só geram escravidão e dependência… Na verdade, o dinheiro, o poder, a realização profissional, o êxito, o reconhecimento social, os prazeres, os amigos… não chegam para “encher” totalmente a nossa vida e para lhe dar um sentido pleno.

Como podemos saciar-nos e dar pleno significado à nossa vida? Onde encontrar o “pão” que mata a nossa fome? Eis a resposta: «Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede».

 

 

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