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O Tour’2018 terminou há cerca de uma semana com a vitória do britânico Geraint Thomas, da equipa Sky, que venceu pela primeira vez a prova.

O Tour’2018 não contou com nenhum ciclista português. A presença portuguesa ficou então marcada pelo Diretor da equipa Katusha-Alpecin, José Azevedo. O antigo ciclista luso dirige agora a equipa Katusha-Alpecin, que não venceu nenhuma etapa durante o Tour’2018.

O melhor ciclista da equipa foi o russo Ilnur Zakarin que terminou no nono lugar a 12 minutos e 37 segundos do vencedor da prova. O LusoJornal fez um balanço da prova com José Azevedo.

 

Que balanço podemos fazer da prova?

O resultado final não era aquele que esperávamos. Tínhamos outros objetivos. Começamos este Tour com os objetivos de vencer etapas e de lutar pelo Top-5 na geral. Não ganhámos nenhuma etapa e apesar da boa última semana do Zakarin, não nos aproximamos do Top-5. Vendo o nível da nossa equipa, acho que podemos esperar mais porque o nível da equipa é superior ao que mostrou.

 

Marcel Kittel estava na luta pelas etapas, mas acabou por chegar fora dos limites?

Inicialmente o Kittel esteve na disputa das etapas. Depois é preciso realçar que na primeira semana perdemos Martin e Kiserlovski. Ficamos reduzidos a seis. E depois, este Tour ficou marcado pelo número de sprinters que não terminaram a prova, e nós, tanto o Zabel como o Kittel chegaram fora dos limites. Foi triste porque lutaram até ao fim. A meio do Tour tínhamos apenas quatro corredores. Foram circunstâncias que aconteceram e influenciaram um pouco o resultado final. Mas mesmo com estes azares, que não podemos controlar, nunca podemos dizer que estamos satisfeitos com o Tour. A Katusha tem um nível para os corredores terminarem nos lugares cimeiros e para ganhar etapas. Não estou a culpar os corredores porque há circunstâncias e há anos que correm melhor. Não nos satisfazemos com o nono lugar, isso é certo.

 

Como podemos analisar o Tour de Ilnur Zakarin?

Concentrámos o ano do Zakarin para o Tour e a Vuelta. E o Ilnur até acabou bem o Tour e estava cada dia mais forte, mas o ciclismo não é matemática. Tudo não correu como planeámos as coisas. O momento mais alto do Ilnur chegou na última semana, se tivesse chegado uma semana antes, talvez tivesse sido diferente o resultado final. São coisas que não podemos controlar, os corredores não são máquinas.

 

A vitória do britânico Geraint Thomas foi justa?

Foi o mais forte. Quem ganha o Tour, é sempre o mais forte. Ninguém ganha o Tour por sorte ou por circunstâncias que ocorrem. São 21 dias com muita dureza e ganhou o melhor. O Geraint Thomas já mostrou o seu valor em outras provas que venceu. Não é uma surpresa. Ele demonstrou ao longo dos anos que é um grande corredor.

 

É o fim da era Froome?

Não. Nunca. Então acabou de ganhar três grandes voltas: o Tour, a Vuelta e o Giro. Agora faz terceiro nesta edição 2018. Não é o fim da era Froome.

 

Qual é a sua opinião sobre a polémica à volta do Tour?

Este processo do Froome durou vários meses e as entidades têm competência para decidir. Analisaram até ao último pormenor e tomaram uma decisão. Se tomaram essa decisão é que não havia razão para o castigar. Não vamos contrariar ou pôr em causa essa decisão. Temos de acreditar na boa fé da UCI e da AMA. Não podemos questionar, ponto. Aquilo que prejudica o ciclismo, é ver, como no Alpe d’Huez, pessoas tentarem agredir corredores. Agredir um corredor da Sky ou de uma outra equipa não é uma atitude bonita nem correta. Isso sim prejudica a modalidade. Mas isso são reações de pessoas exteriores ao Tour, ao ciclismo. As pessoas podem-se manifestar de várias formas, mas quando se perde o respeito, perde-se a razão.

 

O que podemos esperar do resto da época?

Estamos em muitas provas, e o objetivo é sempre vencer. São sempre corridas importantes e temos sempre de ganhar. É a nossa filosofia.

 

O objetivo é vencer a Vuelta?

Não digo que vamos tentar vencer, mas o Ilnur Zakarin fez terceiro no ano passado. Acho que demonstrou que é um grande corredor, demonstrou as capacidades que tem. Acreditamos nele e é o nosso líder. Vamos ver como correm as coisas. Vamos lutar pelos lugares cimeiros e pelas etapas.

 

O Tour’2018 acabou. O Tour’2019 parte de Bruxelles, na Bélgica.

 

 

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