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No Evangelho deste domingo, Jesus apresenta-se ao povo com o título de “pão vivo” e diz-nos que «quem acredita tem a vida eterna»; que «quem comer deste pão viverá eternamente».

São palavras difíceis de entender; difíceis de acreditar. A nossa experiência quotidiana não nos transmite, habitualmente, sensações de “eternidade”, “imortalidade” ou “perpetuidade”. Pelo contrário: é a fragilidade da nossa condição e a finitude da nossa existência que vem à tona com mais frequência. Diariamente os nossos olhos ensinam-nos que, tudo aquilo que tem um início, cedo ou tarde, terá também um fim.

Pode ser uma tarde de verão que termina com amigos que se despedem, ou uma carreira profissional de muitos anos que se conclui com a merecida reforma.

Tal como um quadro, onde o pintor é tentado a dar sempre mais uma pincelada, ou um compositor que nunca está satisfeito com a última estrofe que escreveu: ambos sabem que, inevitavelmente, é preciso dar por terminada a obra, assinar e passar para novos projetos.

Mas a experiência mais clara (e mais dura) é sem dúvida, o fim de uma vida. A não ser que sejamos muito novos, todos nós recordamos com carinho e saudade alguém que já faleceu. E é uma lição que também aprendemos na nossa pele: sentimos que não estamos a ficar mais jovens, que as forças começam a diminuir, que precisamos de óculos, medicamentos e bengalas que nos amparem na nossa velhice.

Tudo à nossa volta aponta para uma conclusão, para um “fim” que torna esta página do Evangelho bastante difícil de entender.

Jesus diz-nos que quem acredita «tem a vida eterna». “Tem” a vida eterna! Verbo “ter”, no presente do indicativo. Jesus não fala no futuro; não apresenta a vida eterna como uma espécie de liquidação que acumulamos com os nossos méritos e que gozaremos no final dos nossos dias.

A vida eterna começa agora!

Como?

Acreditando.

“Acreditar” significa aderir à nova vida que Jesus nos propõe, viver como Ele na escuta constante dos projetos do Pai, segui-l’O no caminho do amor, do dom da vida, da entrega aos irmãos. “Acreditar” dá-nos um olhar diferente sobre o mundo, a história e o tempo. Apesar de ainda estarmos ligados aos limites da nossa humanidade, é acreditando que conseguimos “colher” o que em nós há de eterno e infinito.

Somos filhos de Deus. E esse Pai, que nos amou ainda antes que nós nascêssemos, igualmente não se vai esquecer de nós quando chegarmos ao fim dos nossos dias. E há de querer que fiquemos junto a Ele para sempre. Porque nos ama.

 

 

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