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Literatura portuguesa em destaque na região de Aveyron

LusoJornal / Manuel André LusoJornal / Manuel André LusoJornal / Manuel André LusoJornal / Manuel André

Dizem os próprios organizadores que o festival de Querbes é o “mais pequeno dos maiores festivais de jazz e literatura”.

Na sua vigésima primeira edição, a honra foi para Portugal, e sobe a impulsão de Jean-Paul Oddos, Presidente da associação e responsável do festival “Les Nuits & Jours de Querbes”, quatro escritores portugueses, reconhecidos como os melhores representantes da nova geração literária, foram convidados: Dulce Maria Cardoso pelo seu romance “O Retorno”, João Tordo com “O Ano Sabático”, Valério Romão por “Autismo” e “Da família” e Afonso Cruz por “Jesus Cristo bebia cerveja”.

Quatro romancistas cujas obras foram traduzidas e publicadas em francês.

Do dia 9 ao dia 12 de agosto, foram quatro noites, quatro dias e quatro terras aveyronnaises que viveram ao ritmo lusitano: Figeac, Capdenac, Querbes e Asprières.

À volta de uma mesa, à sombra de um jardim, no interior de cafés literários, foram debates e troca de impressões com leitura de textos de alguns dos mais conceituados escritores portugueses, como Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, José Saramago e António Lobo Antunes.

“É um festival curioso em relação aos festivais mais ortodoxos, acho importante que a literatura chegue a lugares onde normalmente é difícil existirem eventos deste tipo, eu vivo no interior de Portugal, no campo, no Alentejo, e sei bem as dificuldades que é, devido à centralização de tudo, e em especial da cultura. Depois acaba por não existir nada no interior, é uma espécie de desertificação cultural de alguns espaços geográficos o que é uma pena, especialmente para os mais novos” disse Afonso Cruz, nascido na Figueira da Foz, realizador de filmes de animação, ilustrador, músico e um dos escritores convidados. “A literatura muitas vezes é vista como uma coisa muito solene, onde o autor fica num púlpito, inalcançável, e estas manifestações aproximam o leitor do escritor e inversamente. Este festival não está centralizado nas grandes cidades e obviamente as pessoas têm um certo carinho por isso, porque é um certo luxo de ter a possibilidade de falar com os escritores, na mesma medida que é importante para os autores de entrarem em contacto com os leitores”.

Para terminar um festival e uma tarde de convívio luso-aveyronnais em Asprières, LusoJornal recolheu as impressões de Miguel Gouveia, responsável da editora “Bruaá”, sediada na Figueira da Foz e especializada em literatura juvenil: “Foi uma coincidência feliz, nesta região trabalha um associação ‘Les Grands Chemins’, que tem como objetivo de colocar em prática o elo social, usando como vetor o álbum juvenil, e uma das dinamizadoras é a Caroline Pedrosa. A Caroline tem família em Portugal, na Figueira da Foz, e como curiosa das coisas dos livros, deu com a nossa livraria, palavra puxa palavra, conheceu a nossa editora, aparentemente gostou e convidaram-nos para estar presentes em Querbes, visto que o tema deste ano era o ‘Retorno das Caravelas’, sendo Portugal o país convidado”.

“A Caroline achou que era o momento ideal para convidar um editor de literatura juvenil, visto que todo o resto do programa era dedicado aos adultos” disse ao LusoJornal Miguel Gouveia. “Adorei estar aqui, vir a França é sempre um prazer, e vir a uma das zonas mais rurais gaulesas foi um prazer ainda maior. Não conhecia o Aveyron, acho que é magnífico em sítios tão pequenos, no meio desta imensa paisagem, haver grupos de pessoas e projetos, a fazerem coisas tão bonitas como esta, por literal amor à causa”.

Miguel Gouveia estava visivelmente emocionado e “enternecido” com este convite. “Foi uma experiência extraordinária e muito positiva que adorei. Estava redondamente enganado, achei que há um real interesse pela cultura portuguesa que se manifestou ao longo destes quatro dias”.

 

 

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