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Nasci num país onde o desporto, e o futebol em particular, pertence à cultura popular. Desagrade aos intelectuais que apontam o futebol como responsável do empobrecimento cultural do povo, que só vê numa bola de borracha maltratada pelas chuteiras de atletas sem raciocínio, uma razão de existir.

Mal saí do berço, já o meu avô me tentava convencer que para ser um bom pai de família tinha que ser benfiquista.

Do outro lado havia o meu tio que dizia “não te deixes influenciar”, escolhe o teu clube como bom entenderes.

Não tinha muitas coisas para escolher, podia ser padre, ir dar o meu contributo para as guerras coloniais ou ser jogador de futebol, seguindo o exemplo do meu pai.

Mas o meu sonho era ser forcado no grupo da minha terra, enfrentar os touros olhos nos olhos.

Gostava muito de râguebi, e não falhava um único jogo do Torneio das 5 Nações, que já nessa altura era transmitido pela RTP.

Estava sempre a favor da Seleção francesa que jogava no mítico estádio Olympique Yves-du-Manoir, em Colombes.

Mal sabia eu que em breve iria morar perto dali.

O meu avô dizia: “em vez de ver jogar esses maricas que jogam à bola com as mãos, devias era de ir ver os jogos do Benfica”.

O meu tio dizia: “O teu avô não percebe nada de desporto. O Sporting foi o primeiro clube Campeão nacional de râguebi, e as camisolas listadas foram herdadas do Racing de Paris”. Estava tudo dito. A partir desse dia jurei que seria sempre adepto do Sporting Clube de Portugal, e não de um clube bairrista.

Em 1998, quando a França ganhou o Campeonato do Mundo, apercebi-me que finalmente não era assim tão inculto. Até os intelectuais do mundo inteiro exultaram de ver o primeiro país euro-africano a levantar um troféu tão importante para a paz social francesa e europeia.

Nos dias de hoje, já tenho idade para ter juízo e ser avô, orgulhoso de ver a Seleção lusitana ser Campeã da Europa com a maioria dos jogadores formados no Sporting.

O meu orgulho de sportinguista cresceu ainda mais quando os sócios do Sporting destituíram um Presidente por ser malcriado.

O meu orgulho de português, é beliscado, quando vejo o clube dos bons pais de família serem acusados pelo Ministério Publico de corrupção.

Desculpa avô, lá onde tu estiveres, tenho sempre pela frente aquele touro com cornos moles, que não me dão vontade de pegar.

 

 

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