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A Galerie du Passage, em Paris, tem patente uma exposição com cerca de 40 obras de Bela Silva, a artista portuguesa que “renovou totalmente a arte da cerâmica”, de acordo com a galeria.

A exposição, inaugurada a 13 de setembro e aberta até 13 de outubro, reúne obras de diversos formatos da artista que fez, recentemente, um desenho para a famosa coleção de lenços de seda da marca de alta-costura Hermès.

“Ela renovou totalmente a arte da cerâmica. Ela rejeita a roda, que cria peças demasiado perfeitas, e prefere moldá-las à mão (…). Claro que cada criação é única. Quando imagina vasos grandes, recusa a ideia de utilidade, da função da cerâmica, o que lhe interessa é a dimensão escultural do objeto, a sua beleza e a emoção que ele suscita”, indica o comunicado de imprensa da Galerie du Passage.

Bem perto do Museu do Louvre, a galeria apresenta pinturas, painéis de azulejos, esculturas, mesas, vasos e outros objetos decorativos em cerâmica a figurar um vasto bestiário com predadores e presas, um universo orientalizante e maneirista entre o real e o mitológico, com cores vivas, formas expansivas, texturas acetinadas e outras rugosas.

Trata-se de “um ano e meio de trabalho muito físico” que Bela Silva apresenta em Paris, uma cidade que a inspira e onde se sente “em casa”, contou à Lusa.

As formas remetem tanto para o estilo barroco e a arquitetura manuelina – com elementos naturalistas, animais e figuras fantásticas, padrões ornamentais e linhas curvas -, como evocam os universos variados de Bordalo Pinheiro na cerâmica, de Henri Matisse nos arabescos e nas colagens, ou de Raoul Dufy na palete.

“As viagens, Portugal, o manuelino, as formas que têm a ver com a nossa arquitetura. Na escola, em Chicago, os professores diziam que eu tinha um trabalho com uma força masculina, mas com uma sensualidade mais feminina. É uma mistura de coisas. Nós viajamos e vemos muita coisa”, afirmou a artista.

No comunicado de imprensa, a Galerie du Passage acrescenta tratar-se de “uma obra exuberante, atípica, que alterna incessantemente desenho e cerâmica”, mas Bela Silva também “corta e cola, compondo ‘scrapbooks’ poéticos, povoados de personagens e de animais coloridos, transbordando de fantasia”.

“Não é um universo particular, irregular, autónomo, contrário à regra e aos cânones clássicos que nos traduz a poética de Bela Silva? À imagem da expressão arquitetónica barroca, ela rebenta as estruturas, as formas e coloca em movimento o espaço e as linhas”, descreve o catálogo da exposição.

Bela Silva nasceu em Lisboa, em 1966, estudou na Escola Superior de Belas Artes do Porto e de Lisboa, no Centro de Arte e Comunicação AR.CO., na Norwich University of the Arts, no Reino Unido, e obteve um mestrado em Arte no Art Institute of Chicago.

Viveu em Nova Iorque, onde ilustrou artigos para o New York Times, expôs em Portugal, Espanha, Brasil, China e Japão, regressou a Lisboa em 2007, mas teve de “fazer outra vez as malas” e “com muita pena deixar Portugal” e mudar-se para Bruxelas.

Em Portugal, expôs, por exemplo, no Museu Nacional do Azulejo, na Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu do Oriente, no Museu Nacional de Arte Antiga, no Palácio Nacional da Ajuda e realizou um painel de azulejos na Estação de Alvalade, do metro de Lisboa.

A obra de Bela Silva esteve também em exposição, há dois anos, na Galerie du Passage, no âmbito da primeira edição do Lusoscopia, do Centro Cultural Camões em Paris, um projeto em que várias galerias parisienses expõem artistas portugueses.

 

 

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