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“Quanto pesa uma vida?” ou “O que fica de nós na poeira / dos dias?” – são algumas das interrogações que surgem ao percorrermos estes poemas de Maria Graciete Besse, publicados sob o título “Na inclinação da luz” (Editora Licorne, 2018).

Ler os poemas deste novo livro de Maria Graciete Besse é vaguear entre “o mistério das origens” e a “interminável ruína do corpo”, é atravessar lugares e situações entre a “inclinação da luz” e as sombras, entre o grito e o silêncio – duas palavras que ecoam durante toda a travessia.

No entanto, a autora não se limita a indagações existenciais ou metafísicas. Sem o peso das convenções, em versos livres, em que as palavras e seus significados são o substrato do poema, Maria Graciete Besse revela suas emoções e seus sentimentos ligados a um profundo “eu” lírico coletivo.

O seu deslumbramento face à beleza da natureza é permanente: “Os olhos abarcam o infinito / soletram as sílabas / da beleza / o fascínio dos búzios / acabados de nascer”.

Por outro lado, viajam pelos seus poemas diversas personagens, como os vendedores de bugigangas e chapéus de sol, a mulher dos figos, os velhos de olhos quase cegos, o chinês da loja, etc., que “habitam os dias intranquilos / e sacodem a modorra da vila / antes da viagem que inaugura / o grande frio” – como nos adverte em epígrafe Eugénio de Andrade: “Só na morte não somos estrangeiros”.

Maria Graciete Besse nasceu na Caparica e reside em França desde 1974. Além de ter exercido uma intensa atividade universitária em França, principalmente em Paris, onde foi Responsável do Departamento de Português da Universidade de Paris IV-Sorbonne e Coordenadora do Grupo de Estudos Lusófonos, Maria Graciete Besse é autora de uma importante obra de crítica literária. Em França, publicou em particular “Lídia Jorge et le sol du monde. Une écriture de l’éthique au féminin” (2015). Em poesia, conta entre os títulos mais recentes “A ilha ausente”, “Pequeno bestiário académico” e “Errância Laminar”. Está no prelo “Partager les lucioles – réflexions sur la littérature portugaise” (éd. Pétra).

 

 

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