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O artista francês Hervé Di Rosa, que vive em Lisboa há cinco anos, vai expor em Roubaix, no norte de França, mais de 30 obras realizadas na fábrica de azulejos Viúva Lamego, incluindo 15 painéis inéditos.

A exposição “Hervé Di Rosa – L’Oeuvre au Monde” vai decorrer de 20 de outubro a 20 de janeiro, no museu La Piscine, e vai contar com mais de uma centena de peças criadas desde 1993, em várias cidades do mundo, onde trabalhou e viveu com artesãos locais.

O ponto central vai ser a obra realizada na Fábrica de Cerâmica da Viúva Lamego, em Sintra, onde o artista aprendeu a pintar sobre azulejo e onde conta ficar, pelo menos, nos próximos três anos, para trabalhar a cerâmica em volume.

Nas cerâmicas portuguesas, encontra-se o universo habitual de Hervé Di Rosa: uma iconografia popular inspirada na arte urbana e na banda desenhada, cruzada com elementos inspirados na própria cidade de Lisboa.

“Encontramos as minhas figuras, mas tudo muda porque o que me interessa é distorcer e mestiçar. A minha arte é a coisa mais mestiçada do mundo e quero ver a mão de outra pessoa no meu trabalho. A cerâmica não só me transformou, como me deu um novo alfabeto de formas, de matérias e de cores”, descreveu Hervé Di Rosa, numa apresentação, esta quinta-feira da semana passada, na Embaixada de Portugal em Paris.

“Transformado”, o artista tenta, por sua vez, transformar os tradicionais azulejos e “fazer outra coisa” com eles, como “experimentar cores que pouco se utilizam” ou “misturar tons que não se deve”, assim como pintar figuras pouco habituais como robôs e monstros.

Para Sylvette Botella-Gaudichon, Comissária da exposição, trata-se de um artista que “quebra os códigos” da arte e do artesanato, e que realizou em Lisboa “a parte mais conseguida” da sua viagem pelo mundo, na qual tem vindo a utilizar as técnicas locais nas suas obras.

Desde o início dos anos de 1990, Hervé Di Rosa viveu em Sófia (Bulgária), Kumasi (Gana), Porto-Novo (Benim), Addis-Abeba (Etiópia), ilhas Reunião e Maurícias, Património e Paris (França), Binh-Duong, (Vietname), Durban, (África do Sul), La Habana, (Cuba), Cidade do México (México), Foumban (Camarão), Miami Beach (Estados Unidos), Little Haïti (Estados Unidos), Túnis (Tunísia), Telavive (Israel), Sevilha (Espanha) e Lisboa.

A exposição “L’Oeuvre au Monde” vai apresentar mais de 30 peças realizadas em Portugal, incluindo 15 painéis que vão ser expostos pela primeira vez, e “acima de cem peças” realizadas nas etapas precedentes da sua viagem, acrescentou a Comissária à Lusa.

“Mostramos tudo o que foi feito em Lisboa e excertos das 18 etapas precedentes. A cenografia vai ser explosiva nas cores, mas é uma obra que é séria, que interroga sobre o mundo cruel, inquietante e com esperança. Ele tem uma visão muito contemporânea e atenta ao que se passa no mundo, mesmo quando pinta uma invasão de robôs”, acrescentou Sylvette Botella-Gaudichon.

O artista já tinha mostrado, em Paris, algumas peças que fez na Viúva Lamego, nomeadamente nas exposições “Plus Jamais Seul. Hervé Di Rosa et les arts modestes”, na Maison Rouge (2016), “Hervé Di Rosa à la Viúva Lamego” na galeria Louis Carré&Cie (2017) e na instalação de louças numa sala do Institut Pasteur no final do ano passado.

Com Hervé Di Rosa, a fábrica criada em 1849 mantém a aposta na colaboração com artistas contemporâneos, depois de Manuel Cargaleiro, Álvaro Siza Vieira, Joana Vasconcelos, Bela Silva, Erró e Maria Ana Vasco Costa, entre muitos outros.

O Diretor-geral da Viúva Lamego, Gonçalo Conceição, disse à Lusa que a ligação “a artistas como Hervé Di Rosa” fomenta “a curiosidade” de “um conjunto de artistas de reconhecimento mundial” e que espera que o futuro da fábrica continue por esse caminho. “A ligação aos artistas traz desafios permanentes e os desafios permanentes obrigam-nos – dentro daquilo que consideramos ser azulejaria tradicional – a nos reinventarmos diariamente. O sucesso da fábrica passa seguramente por esta relação, por nos mantermos abertos aos artistas”, explicou.

Hervé Di Rosa foi um dos co-fundadores do movimento “Figuration Libre” nos anos 80, expôs ao lado de Robert Combas, Keith Haring e Jean-Michel Basquiat, criou o conceito de “artes modestas” que valorizam objetos banais e marginais, porque “tudo é arte”, e fundou, em 2000, o Musée International des Arts Modestes (MIAM), em Sète, no sul de França, onde as exposições questionam em permanência as fronteiras da arte contemporânea.

Apesar de ainda não ter exposto em Portugal, desde 1981, a sua obra foi alvo de mais de 200 exposições individuais, como, por exemplo, no Musée du Quai Branly e no Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, na capital francesa, na Bienal de Arte Contemporânea de Lyon, no Museo Nacional de Artes Decorativas, em Madrid, e no Groninger Museum, na Holanda.

 

 

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