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«- Bela ação, meu general, magnífica, de um verdadeiro chefe, abnegação, coragem e espírito de sacrifício.

– E você, que me dizia tanto mal, um ninho de subversão, de indisciplina… que me diz?

– Mantenho a minha opinião, meu general, mas esta é uma guerra muito especial, sem regras… estamos a transformar o Exército num bando de guerrilha… não sei onde vamos parar».

Este breve diálogo entre um Brigadeiro e um General, tirado de um dos últimos capítulos do presente volume, anuncia bem aquilo que hoje já sabemos: o fim da guerra colonial e do império português em África. Uma outra passagem reflete o desencanto e uma certa “resistência interna” que reinavam também no seio das tropas: «Já perdi a guerra antes de aqui chegar» – diz um soldado.

O protagonista de «Nó cego» (Livraria Bertrand, 1982) é um Capitão (anti-herói?) anónimo, personagem coletiva, comandante de uma companhia de 200 homens. A ação desenrola-se nas matas do norte de Moçambique, nas picadas infestadas de minas, onde a vida de um soldado não valia nem «uma folha de capim».

«Nó cego» é um romance-testemunho “escrito por quem viveu a guerra por dentro, conheceu a sua falsa grandeza e lhe detetou o patético lado humano de uma experiência limite”.

Carlos Vale Ferraz, nome literário de Carlos de Matos Gomes, esteve presente no colóquio “Le Portugal et la Grande Guerre – Vivre l’expérience limite”, que teve lugar de 8 a 10 de novembro na Sorbonne e na Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.

Carlos de Matos Gomes nasceu em Vila Nova da Barquinha, em 1946, é Coronel do Exército na situação de reserva. Durante a guerra colonial cumpriu três comissões, em Moçambique, Angola e Guiné, nas tropas “Comandos”. Paralelamente à carreira militar desenvolveu desde 1983 uma intensa atividade literária. As suas duas obras mais marcantes são “Nó Cego” e “A Mulher do Legionário”. Coordenou, com Aniceto Afonso, a enorme obra “Portugal e a Grande Guerra”. Por fim, a sua incursão pelo cinema levou-o a redigir os argumentos dos filmes “Portugal SA”, de Ruy Guerra, e “Capitães de Abril”, de Maria de Medeiros.

 

 

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