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Segundo o genial cientista Albert Einstein, existem duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana.

Possivelmente, esta afirmação do eminente físico não será para ser levada cem por cento à letra, porque muitas vezes aquilo que aparenta ser estupidez é afinal apenas ingenuidade ou o resultado de uma credulidade ilimitada.

Os Portugueses, com especial relevo para aqueles que vivem e trabalham no estrangeiro, tendem a ser bastante crédulos e muito impressionáveis, acreditando em tudo o que dizem certos individuos, só porque são “importantes” ou porque ocupam cargos “importantes”.

Não interessa se esses indivíduos fizeram ou não alguma coisa que valha a pena mencionar. Basta terem sido investidos de um cargo considerado “importante” para serem também “importantes”. Na verdade, não é necessário fazer mais nada e muitos crédulos bebem as palavras desses indivíduos como se do Evangelho se tratasse.

Basta ver o que se passa nas Comunidades portuguesas, onde os vários Deputados da emigração, investidos de cargo mais ou menos vitalício porque nunca mudam, são sempre muito bem recebidos pelos portugueses nos vários países em que decidam aparecer, e nunca ninguém lhes pergunta o que andam a fazer porque, afinal, nas Comunidades pouco ou nada muda, exatamente como os tais Deputados.

Quanto ao Governo em Portugal, relativamente aos Portugueses no estrangeiro, das duas uma, como se costuma dizer, ou sofre de uma refinada ignorância em relação aos mesmos ou não quer mesmo saber deles. A outra possibilidade seria estarem atacados da tal coisa que Albert Einstein nomeava, o que é pouco crível.

Mas então como se pode explicar o que se passa com o Ensino do Português no Estrangeiro, que cada vez é mais para estrangeiros, porque os responsáveis pelo que resta do sistema insistem em proporcionar aulas e manuais gratuitos aos alunos estrangeiros, que não são lusodescendentes com a nacionalidade do país onde nasceram, são estrangeiros mesmo, meninos espanhóis, franceses e alemães com ensino grátis do Português, enquanto que os Portugueses e lusodescendentes continuam obrigados a pagar a vergonhosa taxa, que, segundo disse o atual Presidente do Instituto Camões na televisão, faz muita falta para custear os manuais e a formação de professores.

Mas se os alunos já pagam os tais manuais, seja diretamente, seja indiretamente por estarem incluídos na taxa, a que manuais se refere o senhor Presidente? Serão aqueles que o Instituto que representa distribui gratuitamente nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, etc, onde colocou denominados “Coordenadores de ensino” com salários chorudos, mas nunca se deu ao trabalho ou à despesa de colocar professores, deixando isso para as associações ou as escolas locais?

Os citados Coordenadores têm como tarefa principal a venda de um certificado que não se sabe muito bem o que certifica, pois se encontra baseado em duas Portarias, uma das quais diz ser para o ensino do Português língua estrangeira enquanto a outra afirma estar destinada ao ensino do Português no estrangeiro.

Foram publicadas há cerca de 8 anos e têm um interessante ponto comum, insistem que é importante para a divulgação do Português no estrangeiro que o mesmo seja língua estrangeira, pois só assim a nossa língua e cultura serão respeitadas localmente.

O princípio é, então, o seguinte: aulas e livros grátis para os meninos estrangeiros, enquanto os moços portugueses são obrigados a pagar ambas as coisas e ainda por cima têm de aprender a sua língua de origem como se fossem estrangeiros, porque assim seremos mais respeitados e a nossa língua também, dizem.

Um rasgo de génio que fez desaparecer mais de 15 mil alunos, mas continuam a insistir ser esse o caminho certo. Para acabar com o sistema, sem dúvida.

Mas, entretanto, veio há pouco o senhor Presidente do Instituto Camões declarar publicamente que os cursos de Língua e Cultura Portuguesas a cargo do citado Instituto e ministrados por pouco mais de 300 professores são de ‘português língua de herança’.

Deixando de parte o facto de a designação “língua de herança” ser um termo que linguistas de nomeada andam a discutir há décadas sem conseguir chegar a uma definição, então se é realmente isso, o que é que andam a fazer os meninos estrangeiros, os espanhóis, franceses, etc., nos tais cursos da chamada língua de herança, que também são frequentados por alunos portugueses? Para estes últimos, a designação poderá ser aceitável. Para os alunos estrangeiros, de modo algum.

E, na mesma ordem de ideias, o que é que o apregoado certificado – apelidado por vezes de “diploma” – certifica, afinal? Isto porque os meninos estrangeiros também prestam provas, a pagamento, para ter o tal “diploma”. Miúdos de 11 e 12 anos a prestar provas para um “diploma” que atesta conhecimentos básicos da língua… que língua, afinal?

No meio desta confusão, há razões para júbilo, pois já foi divulgado pelo senhor Secretário de Estado que os cursos de Português na Venezuela estavam em progresso. Certo. Num país onde a maioria dos habitantes nem uma refeição pode ter por dia, aprender Português será, sem dúvida, uma prioridade.

Que dizer mais sobre tudo isto, sobre os alegados desenvolvimentos da língua e cultura portuguesas no estrangeiro e a dignificação das mesmas?

Estaremos na cauda? Não, somos a cauda, ou melhor, o traseiro linguístico-cultural, porque um país que não respeita os seus cidadãos no estrangeiro e o direito dos mesmos a estudar Português como língua de origem ou identitária, assim como a manutenção dos laços culturais, acaba por negar a sua própria existência.

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