Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.

Em Paris desde os 17 anos, Patrícia Lestre começou no violino, passou para o ‘jazz’, encheu “a bagagem de muitas outras artes”, preparando-se para a estreia a solo com o álbum “Pisco de peito ruivo”, marcada para 2019.

Em entrevista à Lusa, a artista nortenha de 25 anos recordou o trajeto na música que começou aos 13 anos, na Escola Profissional de Música de Espinho, mudando-se para a capital francesa para concretizar um “sonho de menina”, alcançado à primeira tentativa, ingressando na Shola Cantorum, para estudar o violino clássico, onde ficou apenas um ano.

“Cheguei a um ponto em que o clássico já não me deixava vibrar da mesma forma, sentia-me nervosa sempre que pisava o palco. Depois mudei para ‘jazz’, conheci um violinista que disse que me dava aulas, então parei a música clássica e passei a ter aulas com ele. Acabou por ser complicado, então fiz de ‘fille au pair’”, relatou sobre os primeiros tempos fora de Portugal.

‘Fille au pair’ consiste em ficar em casa de uma família francesa, trabalhando todos os dias “para as crianças que estão lá em casa, ir buscá-los à escola, fazer a comida”, arrecadando 80 euros por semana. “Teoricamente é bonito porque há uma mistura de culturas que pode resultar bem. Aprendi todo o meu francês com uma miúda de cinco anos. Acabei por ficar nessa família por um ano, ao mesmo tempo que fazia isso durante o dia, também estudei ‘jazz’ à noite, na escola Arpej, durante um ano. Comecei a conhecer muita gente, no segundo ano já andava a cantar em todo o lado”, recordou.

Nos três anos seguintes ingressou na universidade CFMI-Orsay (Centro de Formação de Músicos Intervenientes), na qual encheu a “bagagem de muitas outras artes, tudo direcionado para a pedagogia”, obtendo o diploma universitário de músico interveniente (DUMI), que lhe possibilita dar aulas a miúdos e graúdos, tanto em França como em Portugal, atividade que exerce agora, em Paris.

“Comecei a dar aulas para conseguir sobreviver aqui, agora dou aulas e faço concertos. Ainda não testei se a minha música, ou a forma que tenho de fazer música, consegue iluminar o pessoal português como o francês. As minhas letras são em português, o público que viso somos nós portugueses. Vai ser uma questão de tempo, sei que, no próximo ano, a partir de fevereiro, vou passar mais tempo em Portugal”, afiançou.

Neste momento, os estudos estão em suspenso, porque só “quer fazer música”, aproveitando para se focar no projeto a solo e no grupo de música brasileira ‘A Banda’, com o qual já editou um disco. Fez ainda parte do trio vocal de música argentina ‘Las Famatinas’, formado por Nicolas Colacho Brizuela, guitarrista de Mercedes Soza.

“No meu concerto a solo tenho ukelele, guitarra, violino, toco de tudo. Passo de instrumento em instrumento e tenho muitos convidados. Vou acabar esta ‘tournée’ em Portugal, na Casa do Ló [27 de dezembro] e vou ter convidados. A primeira parte do concerto faço sozinha, na segunda parte tenho muita gente a vir tocar comigo”, contou.

Apesar de equacionar um regresso a terras lusitanas, Patrícia garantiu que não vai deixar de visitar França, porque já comeu “demasiado queijo e é muito bem”, mas confessou sentir uma “grande vontade em partilhar tudo” o que está a fazer com as pessoas de Portugal, onde tem em vista um novo projeto intitulado “Fado Mimado”, que a vai obrigar a passar mais tempo no país de origem.

“Isso vai-me obrigar a fazer 50/50 de tempo entre aqui e Portugal, esse é o meu objetivo, até porque quero lançar o álbum a solo, que vai ter dois lados. Uma parte está a ser gravada no Porto e outra aqui. Tenho convidados dos dois lados e vai ser o resumo do que vivi até agora”, sintetizou.

O disco vai conter músicas antigas, dos primeiros anos da portuguesa em Paris, mas também composições recentes, com o lançamento apontado para antes do verão de 2019, para depois continuar a escrever e a compor mais. “O meu objetivo final em relação à música é fazê-la com as pessoas que mais gosto e conseguir viver disso. Vivi toda a minha vida sem ter muito dinheiro, não acho que seja a maneira real de viver. Se conseguir com o álbum – que é uma carta de visita para sítios maiores – partilhar a minha música, quero encher concertos e tocar com o meu pessoal e quem está na plateia. O meu objetivo é tocar e partilhar, acho que não tenho mais nada para fazer nesta vida”, concluiu.

 

 

Gostou deste artigo? Vote, participe!
Votação do Leitor 1 Voto
9.2
X