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Há cinco anos – 6 de dezembro de 2013 – falecia nos arredores de Nantes, um dos maiores poetas da literatura lusófona contemporânea, Virgílio de Lemos. Autor de uma obra imensa em português e em francês, Virgílio de Lemos é um dos raros poetas da diáspora a serem publicados pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda (Lisboa), como foi o caso do volume I intitulado “Jogos de prazer”, uma antologia de 640 páginas sobre a sua poesia, organizada por Ana Mafalda Leite, editada em 2009, reunindo poemas escritos entre 1944 e 2003.

Evocar o itinerário de Virgílio de Lemos é realizar uma viagem vertiginosa desde a ilha de Ibo (Moçambique), onde nasceu em 1929 e onde se constrói o seu imaginário, até às outras «ilhas» do exílio e da errância. A sua obra poética inicia-se em 1944. Em 1952, com Reinaldo Ferreira e Domingos Azevedo, Virgílio de Lemos lança a folha de poesia «Msaho», cujo principal objetivo era romper com os cânones literários impostos pela colonização. Em 1961-62 esteve preso pela PIDE durante 14 meses, acusado de subversão. Em finais de 1963, sai de Moçambique com destino à França. Começa então uma longa errância que o leva a percorrer o mundo, desde as ilhas do Oceano Indico até à ilha de Noirmoutier. Ao chegar a França, passa a viver e a trabalhar em Paris, como jornalista na Radio France Internationale e como colaborador nos jornais «Le Monde», «Jornal de Letras», «Expresso».

Paris torna-se assim a sua grande paixão, mas Virgílio de Lemos sabe partilhar o seu amor e a sua errância com outras cidades, como Amsterdão, Porto ou Rio de Janeiro, ou como Lisboa, como testemunham os versos desta “Lisboa, oculto amor” (Minerva Editora, 2000). Face a uma sociedade moderna submersa pela mundialização, e na qual a memória vai-se dissolvendo, o poeta convoca aqui a sensualidade do corpo dançante, a pintura e a filosofia, tentando exorcisar a tragédia do homem. No prefácio ao presente volume, Américo Nunes, poeta e historiador, confirma: “Virgílio é um poeta romântico desencantado perdido neste século e nas cidades da nossa solidão existencial”.

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