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Conselho de Diáspora reuniu em Cascais pelo sétimo ano consecutivo

Lusa / Manuel de Almeida Lusa / Manuel de Almeida Lusa / Tiago Petinga Lusa / Tiago Petinga

O Conselho da Diáspora reuniu na sexta-feira passada, em Cascais. Este órgão reúne-se, desde há sete anos, uma vez por ano com o Presidente e o Vice-Presidente honorários, que são o Presidente da República e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, levando um ou dois temas e propostas sobre como tornar Portugal mais atrativo.

O Conselho foi criado pelo então Presidente Cavaco Silva e pelo então Ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas, e desde então é presidido pelo empresário Filipe de Botton.

Para além do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e do Ministro dos Negócios Estrangeiros, passaram por Cascais várias personalidades, entre as quais o atual Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro. Os Conselheiros foram também recebidos pelo Primeiro Ministro António Costa.

O Conselho da Diáspora tem três grandes prioridades, que são aproximar a diáspora dos portugueses influentes de Portugal, trazer ideias e fazer a ponte entre o país e os potenciais investidores, e internacionalizar o próprio Conselho. “Para o futuro, queremos internacionalizar o Conselho da Diáspora”, salientou Filipe de Botton, exemplificando com o Fórum EuroÁfrica, que decorreu no verão passado no Estoril, e cuja presença do Ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, juntamente com mais sete Ministros africanos, permitiu “reatar as relações diplomáticas entre Portugal e Angola, um efeito lateral, mas que mostrou o papel que pode ter o Conselho”, concluiu.

O Presidente do Conselho da Diáspora disse que o objetivo para o futuro é fazer mais ações concretas, exemplificando com uma iniciativa na área da prevenção oncológica, que permite uma poupança de mil milhões de euros. O empresário explicou que o Conselho “é um ‘think tank’ mas está também a fazer ações concretas”, destacando a área da prevenção oncológica e um investimento de 50 milhões de dólares entre a Universidade Católica do Porto e um dos Conselheiros “para um centro de desenvolvimento de biotecnologia para servir o mundo a partir de Portugal”.

Em causa está uma parceria entre o centro de investigação oncológica MD Anderson, trazido para Portugal por um dos Conselheiros, “que está a fazer prova do que se pode fazer nesta área”, gerando “poupanças superiores a mil milhões de euros por ano”, disse Filipe de Botton.

Para este ano, Filipe de Botton disse que o Conselho trouxe à discussão “dois temas e os principais interessados na cadeia de valor para falarem sobre um tema específico e darem a sua experiência, e este ano os temas são o talento, a retenção e criação de talento, e o posicionamento relativo de Portugal para manter ou melhorar os bons índices de competitividade”.

Portugal, defendeu, “está a ser vítima do seu sucesso” porque tem sido um local de investimento privilegiado, “está a começar a ter falta de recursos de gente bem preparada para ir ao encontro das necessidades de emprego de talento”.

 

Marcelo pediu consensos políticos básicos em áreas como saúde ou justiça

Na sua intervenção durante a reunião do Conselho da Diáspora, o Presidente da República defendeu que os políticos devem encontrar consensos básicos em áreas chave da governação e criticou as mudanças cíclicas na justiça ou na saúde, conforme os Governos sejam de Direita ou Esquerda.

Marcelo Rebelo de Sousa falou no encerramento do Conselho, no Palácio da Cidadela, em Cascais, e fez uma análise ao estado do Mundo, da Europa e do país.

Marcelo afirmou que, para desenvolver o país e evitar problemas com políticos, “deve haver consensos básicos naquilo que deve ser duradouro”, em áreas como a saúde, justiça ou educação. “Não se pode rever o sistema de justiça em todos os governos, não se deveria rever o sistema de saúde todos os governos”, exemplificou Rebelo de Sousa, dizendo que estas políticas não deveria variar conforme os executivos sejam de direita ou de esquerda.

Integram o Conselho da Diáspora várias personalidades como por exemplo o antigo Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso ou o Treinador de futebol José Mourinho. De França há 4 Conselheiros da Diáspora: o realizador Christophe Fonseca, José Santos da Insead, Júlio de Sousa da Mecachrome Group e o galerista Philippe Mendes.

 

Ministro Santos Silva quer Centro de formação em Portugal para atrair talento de não europeus

O Ministro dos Negócios Estrangeiros propôs Portugal como um “centro internacional de formação de não europeus”, vocacionado para o grande universo dos países de língua portuguesa, mas também para o espaço ibero-americano, salientando que o país, pela sua história e peso nas relações diplomáticas com outros países, tem condições para “atrair talento” para o continente.

O governante lembrou que os dois universos para os quais seria dirigida essa formação são aqueles países que estão “a trabalhar na base e no conceito de talento”.

Augusto Santos Silva disse que vai precisar do contributo do Conselho da Diáspora. “Preciso do Conselho como instrumento diplomático, preciso do Conselho para federar e mobilizar redes e como instrumento de influência, no sentido de poder de liderar pela mobilização e pela persuasão, que são de facto os principais recursos que o país tem do ponto de vista da comunidade internacional”, afirmou o Ministro.

Nos dias de hoje, “não somos uma potência demográfica, nós não somos uma potência económica e nem militar, nem queremos ser esta última, mas somos um país que vale muito mais do que o seu território, a sua demografia e a sua economia em termos de influência” global, acrescentou Santos Silva, que destacou o peso diplomático de Portugal. “Primeiro somos uma nação global e segundo temos poderes de influência críticos, como a língua, a nossa presença e a nossa representação”, lembrou.

E acrescentou: “o Conselho da Diáspora é, tanto quanto me ocorre, a primeira instituição portuguesa relacionada com as Comunidades e com a diáspora que exprime não apenas a facilidade da integração, não apenas a permanência do vínculo espiritual ou cultural, mas exprime também a influência de Portugueses em países estrangeiros”.

 

 

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