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Cristina Semblano, economista, autarca em Gentilly e dirigente nacional do Bloco de Esquerda, fez o seu balanço de 2018 e afirmou ao LusoJornal que quer que seja o ano da eclosão de movimentos populares.

A autarca deu destaque pela negativa, em 2018, à eleição de Bolsonaro, à guerra no Iémen, e à sorte reservada refugiados. Para 2019, Cristina Semblano acredita nos homens e na sua capacidade de serem atores da sua própria história.

 

O que mais a marcou em 2018?

No plano internacional, o que mais me abalou foi a eleição de Bolsonaro no Brasil, a guerra no Iémen e a sorte que continuamos a reservar aos refugiados. Em França, o ano terminou com a revolta dos coletes amarelos contra as políticas predadoras de que são vítimas as classes populares, e isso é salutar e anunciador de uma resistência que vai perdurar. Em Portugal e, apesar dos muitos avanços que a geringonça tornou possíveis, inquieta-me o crescimento pouco sustentável e dependente, a falta de investimento público, a precariedade no trabalho, a pobreza infantil e a violência doméstica. Choca-me ver gente despejada das suas casas em benefício dos especuladores imobiliários e – se saúdo as novas leis sobre a participação dos emigrantes nas eleições – revolta-me ver um país que, ao mesmo tempo que é um verdadeiro El-dorado para os estrangeiros, continua a expulsar do território os seus próprios filhos e a não dar, aos que foram obrigados a emigrar, o apoio que lhes é devido. Por isso, a luta continua a fazer todo o sentido : a luta dos estivadores, dos professores, das mulheres, como a luta inédita levada a cabo pelos trabalhadores da CGD-França em defesa do serviço da banca pública à emigração portuguesa neste país…

 

Cristina Semblano, o que espera a nível pessoal para 2019?

A nível pessoal, gostaria de dar mais espaço à minha vida familiar, aos meus amigos, à poesia, ao desporto e à escrita. O ano de 2018, foi um ‘annus horribilis’ do ponto de vista pessoal, pois fui muito ‘acaparada’ pela vertente militante, sindical e política da minha vida. A vida é um todo, e não podemos separar os vários compartimentos, mas confesso que há compartimentos onde gostaria de parar mais tempo no próximo ano. Por exemplo, tenho um novo livro de poesia para editar desde 2013-2014…

 

O que espera que possa mudar a nível mundial em 2019?

Sou muito pessimista sobre o rumo que o mundo está a tomar, as derivas autoritárias em curso em tantos países e tão perto de nós, a assustadora recrudescência do racismo, da homofobia, da violência contra as mulheres… O neoliberalismo, dominante ao nível planetário, está a empurrar para a exclusão franjas cada vez mais importantes das classes popular e média a quem o poder designa os habitais bodes expiatórios : os mais pobres que os pobres, os emigrantes, os refugiados, os que não têm a mesma cor de pele ou a mesma religião… Mas devo dizer que, se a minha análise do estado do mundo é pessimista, a minha convicção de que o podemos alterar é intacta. Longe das narrativas da inevitabilidade, do “there is no alternative”, acredito nos homens e na sua capacidade de serem atores da sua própria história. A revolta dos coletes amarelos em França mostra-nos o caminho. Gostaria que 2019, fosse o ano da eclosão de movimentos populares, um pouco por todo o lado…, que nos viessem provar que nada é inevitável, que tudo não está escrito, que é possível erradicar os monstros que cada vez mais ameaçam o nosso planeta e as nossas vidas.

 

 

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