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Bruno Martins atacou Dakar com equipa francesa

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A edição de 2019 do rali Dakar, organizada pela Amaury Sport Organization (ASO), iniciou com 20 Portugueses. Entre os dias 7 e 17 de janeiro, os participantes vão enfrentar cerca de 5.000 quilómetros, dos quais 3.000 cronometrados, totalmente disputados no Peru.

Ao todo estão inscritos 534 participantes, 20 dos quais são Portugueses. Nas motos, alinham Paulo Gonçalves (Honda), Joaquim Rodrigues Jr. (Hero), Mário Patrão (KTM), David Megre (KTM), Fausto Mota (Yamaha), António Maio (Yamaha), Sebastian Bühler (Yamaha), Hugo Lopes (KTM) e Miguel Caetano (Yamaha).

Nos automóveis, Pedro Mello Breyner (Alta Ruta 4×4 Peru), Filipe Palmeiro (navegador de Boris Garafulic num MINI da X-Raid) e Bruno Martins/Rui Ferreira (Can-Am X3 UTV), enquanto em SSV participam Miguel Jordão/Lourival Roldan (Can-Am Maverick), e Ricardo Porém/Jorge Monteiro (Can-AM Maverick).

Nos camiões, seguem José Martins (DAF), Paulo Fiúza (mecânico de Alberto Herrero, MAN) e Armando Loureiro (navegador de Michel Boucou, Iveco).

Nos automóveis, destaque para Bruno Martins e o seu co-piloto, Rui Ferreira ‘Casturious’, que estarão presentes com um Can-Am X3 UTV da equipa francesa BBR Motorsport.

LusoJornal falou com Bruno Martins sobre os seus objetivos, o encontro com a equipa francesa, e também o percurso no Peru.

 

Quais são os objetivos neste Dakar?

O primeiro objetivo é acabar a prova. É o meu primeiro Dakar, então vou tentar aproveitar ao máximo, e aprender também, claro. Tenho um objetivo definido com a equipa francesa que represento, BBR Motorsport, vou ser aguadeiro, mochileiro da equipa se posso dizer assim. A equipa tem cinco carros, eu sou o quinto carro, quer dizer que tenho de ajudar os quatro outros se algum tiver um problema. Vou dar assistência aos outros carros para que todos possam chegar ao fim da prova. São as minhas funções e está tudo bem definido. O principal é ser o meu primeiro Dakar e desempenhar as minhas funções da melhor maneira possível.

 

Como surgiu essa oportunidade?

Tudo começou em 2017 quando eu sou Campeão absoluto de Portugal de todo o terreno. Foi um sonho que concretizei. Estava à procura desse título há bastante anos. Já tinha sido Campeão nacional de várias categorias, mas não absoluto. Depois de realizar esse sonho, não tive os patrocinadores que desejava. Quis então passar ao próximo objetivo: o Dakar. Nessa minha preparação, fui participar numa prova em Marrocos, onde fiquei a conhecer a equipa BBR Motorsport. Eles gostaram do meu trabalho e houve uma boa interação entre eles e eu. Eu queria fazer o Dakar, não consegui reunir os patrocinadores suficientes, e quando tudo parecia perdido, a BBR Motorsport ligou-me e fez-me a proposta de participar na prova com as condições que falei anteriormente. Admito que mesmo assim não é fácil ter apoios para aliviar os custos, que têm a ver com viagens e outras despesas. A oportunidade da BBR Motorsport era uma oportunidade que não podia deixar escapar. Estou no Dakar, estou feliz.

 

É mais fácil chegar ao Dakar com uma equipa estruturada?

Claro que sim. É uma equipa privada, mas já tem uma grande dimensão. É uma equipa organizada e com objetivos definidos. É muito mais fácil quando há uma estrutura deste tipo por detrás. Foi assim que se proporcionou e é graças a esta oportunidade que estou a competir no Dakar.

 

É complicado encontrar fundos em Portugal para participar na prova?

Os patrocinadores não têm grande recetividade em relação ao nosso trabalho, à nossa modalidade. Não há uma dinâmica empresarial virada para o automobilismo, para os motores, isto porque alguns não tiveram experiências boas, outros porque não lhes interessa. É complicado talvez porque somos um país pequeno, mas acontece, não sei explicar mais do que isto, e sobretudo temos que continuar a lutar.

 

A prova vai decorrer apenas no Peru…

Não conheço o Peru, nunca tinha estado neste país antes da prova. No entanto segundo as informações que nos deram, vai haver 70% de areia. Ser apenas no Peru não tira dificuldade, é o contrário, acho eu. Vai ser duro, vai haver muito calor, vai ser um dia de cada vez e vamos tentar ultrapassar cada desafio que vamos ter pela frente. Espero conseguir ultrapassar todas as dificuldades para chegar ao fim.

 

Há possibilidades de ver um Português vencer o Dakar?

O que posso dizer é que temos o melhor Campeonato do mundo e da Europa de todo o terreno. O Campeonato português é o melhor. Acho que há fortes probabilidades que um português consiga um dia vencer o Dakar. Depois depende da categoria. Nos SSV, que é uma categoria específica nos automóveis, é possível. E também acredito que será possível noutras categorias. Nas motos, por exemplo, temos dos melhores do mundo, como o Paulo Gonçalves, mas não sabemos em que estado físico se encontra para a prova. Veremos no fim se vai haver festejos portugueses.

 

Uma mensagem para a comunidade portuguesa em França?

Um Bom Ano para Todos, e que a Comunidade portuguesa nos apoie durante a prova.

 

Sic Cristina

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