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O ano está ainda a começar. Novo na data, mas velho em muita coisa. No entanto, a mudança do número convida a renovar as expectativas. O 1º dia de janeiro e do ano civil no calendário cristão é também, há cinquenta e dois anos, Dia Mundial da Paz. Foi instituído pelo Papa São Paulo VI. Vivíamos a década de sessenta, nos anos a seguir ao Concílio Vaticano II e prenunciavam-se já grandes mudanças sociais e políticas. Maio de 1968 não estava longe. Desde então, os Papas dirigem aos católicos e Homens (que inclui as mulheres) de boa vontade uma mensagem que inspire o ano a começar.

Em 2019, e na sua mensagem para o 52º Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco coloca a “política” no centro das atenções. Pelo menos aquilo a que ele chama de “boa política”. Numa época em que a desconfiança dos cidadãos para com os dirigentes políticos e em plena crise das nossas democracias representativas, a mensagem com os seus alertas e sugestões são inspiradores para todos, independentemente do seu campo ideológico. Só aqueles que se aproveitam do presente (mau) estado de coisas e os que sejam orgulhosamente autossuficientes e cegos ideologicamente não poderão encontrar na mensagem papal algumas boas referências.

Quando ascendem na sociedade e na representação parlamentar os populismos de direita (mais ou menos extremada), juntando-se aos populismos de esquerda (mais ou menos radical) já instalados e operacionais nas democracias ocidentais (sem que isto pareça incomodar muita gente), importa proclamar que há boa(s) e má(s) politica(s).

A precisão do Papa sugere que existem maneiras desonestas e ruinosas de conduzir os assuntos públicos. Temos hoje a perceção, apoiada em muitas provas dadas, que a política não é vivida como um serviço nobre e necessário à comunidade por aqueles que receberam essa missão. Tal é o caso dos políticos que violam a lei ou a fazem à sua medida e dos seus interesses ilegítimos e desonestos, quando enriquecem à custa dos contribuintes ilegal ou imoralmente (mesmo que, neste último caso, não cometam atos ilícitos), se agarram ao poder ou instrumentalizam o aparelho do Estado a favor do partido e das suas clientelas…

Todos esses “vícios” da política ajudam a desacreditar as instituições democráticas e desenvolvem a desconfiança em relação àqueles que detêm a responsabilidade pelo bem comum. Tais comportamentos e tais políticos “enfraquecem o ideal da democracia genuína” e “comprometem a paz social”, diz o Papa.

Ora, citando o seu predecessor, Francisco recorda que “tomar a sério a política, nos seus diversos níveis – local, regional, nacional e mundial – é afirmar o dever do homem, de todos os homens, de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade”.

Ecoam aqui a palavra de Deus, na profecia de Isaías quando proclamava há 2700 anos: “Consolai, consolai o Meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém” (Is 40, 1-2a).

Estes são os políticos que nos faltam. Que escutem e vejam os seus povos com compaixão e decência, falem ao seu coração e os olhem não apenas como contribuintes e sujeitos de deveres. E precisamos de cidadãos que não se ergam apenas quando estão ameaçados os seus direitos adquiridos, porque neste mundo já nada é para sempre.

E porque a mensagem diz mais, voltarei a este assunto, numa próxima vez, se assim me for permitido.

A todos os leitores e responsáveis do LusoJornal, um bom e feliz ano.

 

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