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O Secretário de Estado da Economia, João Neves, visitou muitas das cerca de 110 empresas portuguesas que participaram, entre 18 e 22 de janeiro, na Maison & Objet, a maior mostra mundial de mobiliário e artigos para casa. Na delegação estava também o Administrador da AICEP, António Silva e o Delegado da AICEP em França, Rui Paulo Almas, assim como os representantes das associações empresariais APIMA, AIPI e Associação Selectiva Moda/ATP.

“Vi uma enorme evolução das empresas portuguesas, que é um trajeto que tem sido feito nos últimos anos, mas que representa 1,2 mil milhões de euros de exportações” disse o Secretário de Estado ao LusoJornal. “O mercado francês é muito importante. É o mais importante mercado nesta área. Cerca de 33%, ou seja 400 milhões de euros de exportações para França, mas nós ambicionamos mais e as empresas, sobretudo elas, também ambicionam mais”.

No certame participaram empresas de grande dimensão, “mas também pequenas empresas, pequenos negócios, com produtos muito diferenciados e que aspiram a fazer o mesmo percurso que as outras já fizeram e é muito gratificante ver esta vivacidade da indústria portuguesa” disse João Neves.

A Maison & Objet é uma feira de plataforma. Na Europa existem duas grandes feiras de plataforma, uma é em Milão e a outra é em Paris.

O Administrador da AICEP, António Silva explica que “o setor que está aqui representado em diversas áreas, que vão desde o têxtil-lar até ao mobiliário, passando pela cutelaria ou pelos vidros, é um setor que no contexto das nossas exportações tem tido um crescimento apreciável nos últimos anos, para França nomeadamente, o que é interessante de notar porque era um mercado que não era fácil para os produtos portugueses”.

António Silva sabe do que fala porque foi, durante alguns anos, o Diretor da AICEP em Paris e agora fala mesmo de “pequena revolução” neste setor, nos últimos anos. “Os nossos setores da fileira casa, claramente adotaram novas técnicas, modernizaram-se, adotaram novos estilos, melhoraram enormemente no que se refere a design e à introdução de valor acrescentado no processo da produção e da venda. Hoje em dia, é um dos setores que melhor tem crescido e mais tem desenvolvido nos últimos anos” disse ao LusoJornal.

António Silva acrescenta que “a qualidade existe há muitos anos na nossa produção, mas o que se passou nos últimos anos – e não foi apenas nos últimos três anos, foi nos últimos 5 anos ou mais – é que a nossa qualidade foi acompanhada por uma inovação, pela introdução de design, qualidade e isso levou a que as nossas empresas tenham hoje a projeção que têm”.

“Muitas das empresas que estão aqui, vendem para todo o mundo e só fazem esta feira. Por isso é uma feira global, é uma plataforma de negócio” diz António Silva.

João Neves confirma que o certame “é visitado por profissionais de todos os quadrantes e de todos os pontos do mundo. Não é apenas uma feira, mas uma mostra daquilo que a indústria portuguesa pode fazer, não apenas no mobiliário, mas também nas áreas conexas, com a casa e os objetos que são relevantes para a casa”.

Já Gualter Morgado, Diretor executivo da associação APIMA lembra que o desígnio nacional é a exportação. “O que aconteceu nos últimos anos foi que nós tivemos um trabalho de preparação das empresas para o processo de internacionalização, o desenvolvimento no design, a aposta na marca, a aposta na comunicação das próprias marcas e a partir daí avaliar as empresas, apreciar a sua capacidade e com os apoios do QREN, do Portugal 2020, com o apoio da AICEP, o que nós fizemos foi ajustar a nossa estratégia a um setor e desenvolvê-la de forma a dar a conhecer a qualidade dos produtos portugueses”.

Mas “não vem a esta feira quem quer, vem quem pode e quem é aceite” afirma António Silva. “E nós temos aqui 110 empresas, mas podíamos até eventualmente ter mais, mas já é um número significativo e se verificar bem, verá que em todos os pavilhões há empresas portuguesas, portanto em todas as áreas há empresas portuguesas e nenhuma desmerece em relação às outras empresas presentes”.

O Diretor executivo da Associação portuguesa das indústrias de mobiliário e afins (APIMA) diz que “claro que isto não começou com esta dimensão” e lembrou que “no pavilhão do luxo, nós tínhamos uma ou duas empresas há 5 anos atrás, hoje temos 18. Mas se falarmos na ‘passadeira vermelha’, onde toda a gente quer estar, que é a montra da feira, nós temos mais de 70% das empresas portuguesas com essa colocação. Isto é a demonstração da qualidade e do nível da nossa produção nacional que foi alavancada numa fase inicial pelo calçado e pelo têxtil, o que permitiu chegar a este reconhecimento no âmbito do mobiliário” disse Gualter Morgado ao LusoJornal.

A Maison & Objet tem duas edições, uma em janeiro e outra em setembro. “Há empresas que fazem as duas edições. A feira de setembro é mais para objetos e projetos. Algumas das empresas só fazem a edição de setembro, muito poucas. Há um outro grupo que faz as duas edições, e há uma parte ainda substancial das empresas que só faz a edição de janeiro porque é aquela que tem maior projeção internacional de maior visibilidade” resume Gualter Morgado.

O Administrador da AICEP lembra que “as associações empresariais funcionam como os agregadores das empresas sectorialmente, portanto, através dos projetos que apresentam para financiamento, através da própria modernização e do pensamento que se vai acumulando e que vai havendo nessas associações, sobre os seus diferentes setores, e pela iniciativa de abrir não somente a novos mercados, mas para alertar do que é necessário fazer para melhorar a nossa performance nos mercados internacionais, é de uma importância enorme e as associações, não só neste setor, felizmente, têm tido um papel tremendamente importante”.

“Genericamente, acho que este mercado, neste setor, ainda está em crescimento, e para França em particular, estou otimista, porque penso que cada vez os compradores mundiais se vão apercebendo e dando conta da qualidade e da modernidade da nossa indústria neste setor” diz António Silva ao LusoJornal. “Tenho a certeza que vai melhorar ainda mais, não apenas a nível global, mas aqui em França também”.

 

Secretário de Estado João Neves diz que as empresas estão confiantes no futuro

O Secretário de Estado da Economia, João Correia Neves, entrou para o Governo no ano passado. Era então Administrador da Empresa Laboratórios BIAL entre 2010 e 2018, mas já foi vogal do Conselho Diretivo do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (IAPMEI, I.P.) e foi Chefe de Gabinete do Ministro da Economia e da Inovação, entre várias outras funções.

Em visita ao salão Maison & Objet, João Neves respondeu às perguntas do LusoJornal.

 

Depois de visitar a feira, as empresas portuguesas apostam mais no fator preço ou no fator qualidade?

A qualidade é um ponto essencial, mas como em tudo, há sempre um binómio entre preço e qualidade que tem de ser feito em função do que são os desejos dos clientes. Aquilo que vejo mais interessante é a capacidade das empresas portuguesas se adequarem àquilo que a procura exige.

 

As empresas têm evoluído no bom sentido…

Eu conhecia a indústria há uns anos atrás e percebo a enorme evolução que nós temos tido nos últimos anos e isso é também muito interessante verificar, porque o desenho das políticas públicas é para favorecer o desenvolvimento económico, para consolidar as empresas. E quando nós vemos este percurso que é feito basicamente do lado das empresas, é também um orgulho para nós que temos funções públicas, de perceber que o nosso contributo para esta evolução é também reconhecido pelas empresas.

 

As empresas que encontrou deram-lhe sinais de confiança?

É muito curioso ver, quando o mundo tem muitas ameaças, o que eu vi aqui hoje, de uma forma absolutamente generalizada, é uma grande confiança no futuro. Que não é a confiança cega naquilo que vai acontecer, mas é a confiança naquilo que resulta das tendências do mercado destes industriais portugueses. Generalizadamente vi empresas a acharem que este ano vai ser também um ano positivo. Espero que isso aconteça porque evidentemente percebemos que há aqui mudanças, mas nós sabemos que nesses momentos mais difíceis, se nós tivermos capacidade para termos empresas fortes, também podemos aproveitar desses momentos difíceis porque os momentos não são só difíceis para nós, mas sim para todos. Se nós tivermos empresas que se adequem do ponto de vista do produto, se estiverem bem capitalizadas, se estiverem bem organizadas, com certeza que também continuarão a subir na cota de mercado como nós fizemos nos últimos anos.

 

As associações empresariais têm feito um bom trabalho?

Sobretudo pela intervenção da AICEP, nós temos uma política persistente de trabalho com as estruturas associativas empresariais, visando a presença em feiras e a internacionalização das empresas. Isso é algo que nos corresponde do ponto de vista público, e por isso, temos visto um crescente número de empresas a participarem em feiras. Sabemos que no início, nos primeiros dois ou três anos, terão poucos resultados da presença em feiras, porque são pouco conhecidas, porque têm de adequar os seus produtos, porque têm, elas próprias, de perceber como funciona isto de uma feira com a dimensão da Maison & Objet, mas isso é também o que nos compete fazer, colaborar com as empresas e com as associações empresariais para que esse percurso seja feito e para que os escolhos que sempre existem, possam ser minimizados”.

 

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