Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.

O Evangelho do próximo domingo está na sequência do episódio que a liturgia da semana passada nos apresentou: Jesus foi a Nazaré, entrou na sinagoga, leu um texto de Isaías e “atualizou-o”, aplicando a si próprio o anúncio messiânico do profeta: «cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir». O Evangelho desta semana apresenta a reação dos ouvintes às palavras de Jesus.

Depois de um breve momento de admiração e surpresa, o entusiasmo dos habitantes de Nazaré “arrefece” rapidamente. Inicialmente a mensagem arrebatou-os, mas um olhar atento à identidade do mensageiro foi suficiente para que tudo desvanecesse: «Não é este o filho de José?». Todos conheciam Jesus! Viram-no crescer, conhecem a sua mãe e talvez até tenham nas próprias casas algumas mobílias feitas por Ele. É tudo demasiado banal. Não é possível que Ele seja o Messias…

Os nazarenos olhavam para Jesus com presunção, seguros de já conhecer tudo sobre Ele e portanto, eram incapazes de abrir o próprio coração à novidade de Deus. Pelo contrário, em Cafarnaum, onde Jesus chegou como um “estrangeiro”, os habitantes conseguiram reconhecer a Sua identidade divina.

Tal como para admirar um quadro, não podemos encostar demasiado o nariz à tela, por vezes, se queremos colher a verdadeira imagem de alguém, somos obrigados a dar dois passos para trás. A distância nem sempre é sinónimo de indiferença ou repúdio: pode exprimir também a consciência de não conhecer tudo sobre o outro, tornando-se, nesse caso, condição fundamental para um coração que deseja manter-se sempre aberto à novidade do Evangelho.

 

Gostou deste artigo? Vote, participe!
Votação do Leitor 2 Votos
5.3
X