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A França reconheceu o Presidente do Parlamento venezuelano, Juan Guaidó, como Presidente encarregado de organizar um processo eleitoral na Venezuela, anunciou hoje o Presidente francês, Emmanuel Macron, numa mensagem divulgada nas redes sociais.

“Os Venezuelanos têm o direito de se exprimir livremente e democraticamente. A França reconhece Juan Guaidó como ‘Presidente encarregado’ para implementar um processo eleitoral”, escreveu o Chefe de Estado francês.

Portugal também reconheceu e apoia a legitimidade de Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela com a missão de organizar eleições presidenciais livres e justas, anunciou hoje o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

“Portugal reconhecerá e apoiará a legitimidade do Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como Presidente interino, nos termos constitucionais venezuelanos, com o encargo de convocar e organizar eleições livres, justas e de acordo com os padrões internacionais”, disse o Ministro numa conferência de imprensa em Lisboa.

Emmanuel Macron acrescentou que o Governo francês apoia o grupo de contacto internacional constituído pela União Europeia para ajudar na organização de novas Presidenciais na Venezuela.

O grupo integra, do lado europeu, a União Europeia e Estados-membros como Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Suécia e, do lado latino-americano, Bolívia, Costa Rica, Equador e Uruguai.

A primeira reunião deste grupo realiza-se em 7 de fevereiro em Montevideu, anunciaram no domingo a Chefe da diplomacia europeia e o Presidente uruguaio.

 

Caracas reagiu com medidas

O Presidente Nicolás Maduro ordenou hoje “rever integralmente” as relações bilaterais com os países da Europa que reconheceram o Deputado Juan Guaidó como Presidente encarregado de realizar eleições presidenciais livres na Venezuela.

“O Governo da República Bolivariana da Venezuela irá rever integralmente as relações bilaterais com esses Governos, a partir deste momento, até que se produza uma retificação que descarte a seu apoio aos planos golpistas e se caminhe para o respeito estrito pelo direito internacional”, explica um comunicado do Ministério de Relações Exteriores venezuelanos.

O Presidente da Assembleia nacional da Venezuela, Juan Guaidó, garantiu hoje novos apoios internacionais, após oito países da União Europeia, incluindo Portugal, o terem reconhecido como Presidente interino do país até à convocação de eleições presidenciais.

Estes reconhecimentos foram anunciados poucas horas depois de ter expirado o ultimato de oito dias emitido pela UE, mas sem unanimidade, para que o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, convocasse eleições livres e democráticas.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados das Nações Unidas.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 Portugueses ou lusodescendentes.

 

Portugueses na expetativa na Venezuela

O reconhecimento de Portugal de Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela criou “esperança” e “expetativa” na Comunidade portuguesa radicada na Venezuela sobre o futuro do país, por entre receios de possíveis represálias.

“Agora, tudo depende da reação do Governo venezuelano. Espero que o Governo venezuelano não tire isso do contexto político, porque isso poderia provocar uma reação desagradável”, disse o Conselheiro das Comunidades Fernando Campos.

Aquele Conselheiro relata ter percebido “que as pessoas, na sua grande maioria, ficaram contentes, satisfeitas, algumas dizem que isso já deveria ter sido feito antes, mas falam sempre muito com o coração e não medem o resto das consequências”.

Segundo o Conselheiro Leonel Moniz, as estatísticas da Embaixada de Espanha na Venezuela dão conta que atualmente apenas têm inscritos 160.000 cidadãos espanhóis naquele país, quase menos metade da estimativa da Comunidade portuguesa e lusodescendente.

“Passámos a ser a maior Comunidade europeia. Temos mais de 300 mil Portugueses aqui, sem contar os que não estão registados, filhos, netos e bisnetos. A nossa população total está perto de um milhão de habitantes, incluindo as terceiras e quartas-gerações”, alertou.

Vários Portugueses contactados pela Lusa em Caracas referiram que a posição de Portugal “já era esperada” principalmente por estar “no contexto europeu”.

No entanto, temem que uma eventual situação de isolamento, tanto interna como externa, “complique a crise no país” e que ocorram “situações de violência, pilhagem e mesmo um agravamento da insegurança”.

 

MCL

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