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A peça “O arranca corações”, do autor francês Boris Vian (1920-1959) – o retrato de uma aldeia onde a violência é exacerbada, num mundo sem passado e sem memória – estreia esta quinta-feira no Teatro S. Luiz, em Lisboa, encenada por Nuno Nunes.

Numa aldeia onde nada é encoberto, nem ao nível da linguagem, já que todas as coisas são ditas pelos nomes sem qualquer tipo de pudor, Tiagomorto – uma das personagens da peça que sabemos não estar vivo – é um psicanalista recém-chegado, que fica na casa de uma mulher, prestes a dar à luz, Clémentine.

Tiagomorto é um homem sem passado e sem memória, daí que vá procurando à sua volta pessoas para psicanalisar acabando por se preencher com memórias e sofrimentos dos outros, que são matéria de vida de que não dispõe.

Nesta aldeia, a culpa dos habitantes é recolhida por um barqueiro (Glóira) e atirada ao rio, embora depois tudo o que origine culpa ou vergonha acabe por ir sendo referido pelas personagens ao longo da obra.

Com a encenação deste romance de Boris Vian, Nuno Nunes pretendeu refletir aquilo que na atualidade identificamos como abuso, como brutal e excessivo e a que, na maioria das vezes, “respondemos com indolência”, explicou.

“O arranca corações” vai estar em cena até 17 de fevereiro. Interpretam Ana Brandão, Emanuel Arada, Hugo Sovelas, Miguel Damião e Sofia Dias. Com dramaturgia e encenação de Nuno Nunes, a peça tem música e desenho de som de Nico e conceção plástica de Patrícia Raposo.

 

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